quarta-feira, 3 de abril de 2024

ISRAEL X PALESTINA CONFLITOS RECENTES.

 

Texto Básico:‭‭Josué‬ ‭23:1‭-‬10‬ ‭NAA‬‬

1 Muito tempo havia se passado desde que o Senhor tinha dado a Israel repouso de todos os seus inimigos ao redor. Josué agora já era bem idoso.  2 Ele chamou todo o Israel, os seus anciãos, os seus chefes, os seus juízes e os seus oficiais e lhes disse: — Já estou bem velho,  3 e vocês já viram tudo o que o Senhor, seu Deus, fez com todas essas nações por causa de vocês, porque o Senhor, seu Deus, é o que lutou por vocês.  4 Vejam bem: por sorteio eu reparti entre as tribos de vocês estas nações que restam, juntamente com todas as nações que tenho eliminado, desde o Jordão até o mar Grande, na direção do pôr do sol.  5 O Senhor, seu Deus, as afastará e as expulsará da presença de vocês; e vocês tomarão posse das terras dessas nações, como o Senhor, seu Deus, prometeu.  6 Portanto, esforcem-se muito para guardar e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés, para que dela não se afastem, nem para a direita nem para a esquerda,  7 e para que não se misturem com essas nações que restaram entre vocês. Não façam menção dos nomes de seus deuses, nem jurem por eles. Não sirvam, nem adorem esses deuses. 8 Pelo contrário, apeguem-se ao Senhor, seu Deus, como vocês têm feito até o dia de hoje.  9 Porque o Senhor expulsou de diante de vocês grandes e fortes nações; e, até o dia de hoje, ninguém conseguiu resistir a vocês. 10 Um só de vocês perseguirá mil, pois o Senhor, seu Deus, é quem luta por vocês, como ele prometeu.


INTRODUÇÃO: Um povo e uma longa história cuja origem remonta desde Abraão, patriarca fundador, destacando-se eventos como o Êxodo do Egito e a formação dos reinos de Israel e Judá, passa por toda a  idade média  e chega finalmente aos dias atuais com uma narrativa de desafios, conquistas, diásporas e muito sofrimento do povo judeu. Este vem sendo o foco das lições ministradas em nossa Escola Bíblica Dinâmica. Um povo que ao longo dos séculos, teve de enfrentar discriminação, expulsões e perseguições em várias partes do mundo. Desde a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. e a subsequente dispersão dos judeus, passando pela Idade Média, e chegando aos séculos XX e XXI onde foram segregados em guetos e sofreram as atrocidades do holocausto. Finalmente, na lição passada chegamos ao ano de 1948, ano em que aconteceu a criação do Estado de Israel, um marco significativo na história moderna dos judeus. Fato que proporcionou aos judeus um lar nacional, mas também gerou tensões e conflitos na região do Oriente Médio. Continuamos nesta aula com nossa narrativa, agora bem próximo dos tempos atuais em que estamos vivendo. Nós da Escola Bíblica Dinâmica esperamos que estas lições possam nos ajudar a termos uma visão mais plena das profecias bíblicas e entender nossa responsabilidade em estar orando para que o Senhor Deus possa intervir e dar um final a este confronto que parece interminável. Por isso, não nos esqueçamos de orar pela paz em Israel… Tenham todos um bom estudo!


I. SURGE O HAMAS

Estamos agora no ano de 1987, ano em que chega ao auge uma revolta espontânea promovida pela população árabe palestina contra o Estado de Israel, chamada Primeira Intifada. O povo árabe atacou com paus e pedras os tanques e armamentos de guerra judeus, a reação de Israel foi dura em extremo o que gerou um dos maiores massacres do conflito. Este fato desencadeou uma profunda revolta da comunidade internacional em virtude do peso desproporcional do uso da força nas áreas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Neste mesmo ano, 1987, surge o Hamas, um grupo radical que visava à destruição completa do Estado de Israel, ao contrário da OLP, que objetivava apenas a criação da Palestina. O Hamas surge no interior da Irmandade Muçulmana e torna-se um dos grupos de resistência mais influentes da Palestina atualmente. O objetivo principal do Hamas é recuperar as terras dominadas por Israel e, por não reconhecer o Estado de Israel do Oriente Médio, eliminá-los completamente. Por outro lado, as autoridades israelenses consideram o Hamas como um grupo terrorista e os acusam de usar a população palestina, e até crianças, como escudos humanos durante ataques.


1. O QUE CADA UM ACUSA O OUTRO.

As razões dos conflitos são intermináveis com motivos incentivadores segundo ambos os lados. Para o Hamas e seus apoiadores, Israel expulsou seus antepassados de sua terra e os trata com violência, restringiu ao palestino o acesso a suprimentos básicos e essenciais, promovendo ataques contra áreas de civis palestinas. O Hamas os acusa ainda por terem construído um muro ao redor de seus territórios como uma espécie de apartheíde (segregação) moderno. Quanto aos Israelenses, eles também parecem terem seus motivos. Eles acusam o Hamas de ser uma gangue terrorista e criminosa que subjuga a população judia, impondo um regime tirânico. Escondem armamentos em hospitais e escolas, e instalam lança-mísseis em prédios residenciais civis. Israel os acusa ainda de usarem a população palestina como escudo,  além de desviar recursos da população para financiar seus ataques. Enviar carros e homens bombas para promover atentados. e transformar o território da Faixa de Gaza, que deveria ser um espaço para o povo, em base terrorista. Mesmo não defendendo o Hamas, a maior parte da população palestina é contra o Estado de Israel:

  • 71% da população prefere que a Palestina continue pressionando para obter todo o território de Israel.

  • 29% aceitam a solução que divide o território em dois estados.

(washington institute for Near East Policy - Jun 2014)


2. DEFESA DE ISRAEL.

para lutar contra Israel, o Hamas já disparou milhares de mísseis contra o estado judeu, que conta com um avançado sistema antimíssil chamado “Domo de Ferro” um sistema antiaéreo criado pelas empresas israelenses Rafael Advanced Defense Systems e Israel Aerospace Industries, com apoio técnico e financeiro dos Estados Unidos. O Domo de Ferro foi criado em 2011 com o objetivo de derrubar foguetes e mísseis de curto alcance disparados de Gaza. Conta com um sistema de radar capaz de prever se o foguete tem uma trajetória com risco de atingir uma área povoada ou alvos de infraestrutura. Os interceptadores são disparados de unidades móveis ou estáticas e são desenhados para explodir os foguetes no ar.


II. ACORDOS DE OSLO.

Os conflitos mais recentes no Oriente Médio são resultado de fracassos em acordos entre palestinos e israelenses. Entre as tentativas para se construir a paz, destacamos os “acordos de Oslo”, que completam 31 anos agora em 2024. Para entendermos a guerra nos tempos atuais, vamos analisar essa tentativa frustrada de se construir a paz na região. Em meados da década de 1990, a situação parecia caminhar para um fim, Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, realizam os Acordos de Oslo, mediados pelo então presidente dos EUA, na época, Bill Clinton. Com esse acordo, foi criada a Autoridade Nacional Palestina, responsável por todo o território da Palestina, envolvendo partes da Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Pela primeira vez, os palestinos reconheceram o Estado de Israel e, em troca, Israel reconheceu a OLP como o legítimo representante do povo palestino. Ficou acordado que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada seriam desfeitos e que o território seria parcialmente entregue à Autoridade Nacional da Palestina (ANP), que foi criada após a assinatura dos acordos. Por outro lado, não entraram no acordo demandas históricas dos palestinos, como o retorno dos refugiados expulsos das suas terras após a criação de Israel, a definição do status da cidade de Jerusalém e a libertação dos prisioneiros palestinos em cárceres de Israel. No entanto, em 1995, Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu, e a extrema-direita ganhou força dentro de Israel. Dessa forma, os judeus não cederam mais para a desocupação das áreas onde ainda resistia a população palestina. Por isso, os termos de paz dos Acordos de Oslo resultaram em fracasso. 


III. MAIS ACORDOS E MAIS CONFLITOS .

No lugar de Yitzhak Rabin, quem ganhou as eleições, em 1996, foi Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro de Israel. A partir daí os acordos de paz foram praticamente enterrados. 


1. A SEGUNDA INTIFADA 

Em 2000, quando Netanyahu já não estava mais no poder, o primeiro-ministro Isrelense Ehud Barack, tentou negociar com o líder da OLP, Yasser Arafat, um novo acordo. A oferta passava pela solução da divisão do território em dois estados: Os palestinos deveriam receber o território da Faixa de Gaza e 94% da Cisjordânia com Jerusalém do Oeste como capital. Como resposta a OLP lançou bombas que mataram mais de 1.000 cidadãos civis de Israel. As ofensivas ficaram conhecidas como a Segunda Intifada. Israel respondeu duramente, além de demolir casas de palestinos e iniciar a construção do Muro da Cisjordânia ou Muro de Israel. Em 2002. Milhares de mortes aconteceram em ambos os lados da guerra, que se estendeu até 2004. 


2. DESOCUPAÇÕES ISRAELITAS.

Finalmente com a morte do líder do Hamas, Yasser Arafat, novos acordos de paz foram feitos, e, assim, teve início a desocupação por parte de Israel da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, ações que resultaram no recebimento do Prêmio Nobel pelo primeiro-ministro israelense Ariel Sharon. Em 2005, mesmo tendo recebido diversos “não” em tentativas de negociação, Israel saiu pacificamente de Gaza e a entregou aos palestinos que, ao invés de desenvolverem a região, o Hamas tornou o local em um centro de suas operações militares. Em 2006, a vitória do Hamas sobre o Fatah nas eleições da Autoridade Nacional Palestina elevou novamente a tensão na região, o que se intensificou com o não reconhecimento do pleito por parte dos EUA, União Europeia e outros países. Autoridades palestinas lançaram contra Israel carros bombas e mísseis balísticos, e a resposta foi imediata e um novo confronto tomou conta dos países vizinhos. Além da resposta militar, Israel declarou embargos econômicos contra Gaza. 


3. NETANYAHU VOLTA AO PODER

Netanyahu voltou ao poder em 2009 e não houve mais qualquer tipo de negociação. O governo dele e seus aliados são contra qualquer negociação. Eles enfraqueceram politicamente o Fatah, partido que controla a Cisjordânia, impossibilitando qualquer tipo de acordo.


III. QUESTÃO ISRAEL PALESTINA EM NOSSOS DIAS.

O conflito entre palestinos e israelenses, como vimos até aqui, já acontece por décadas e tem como questão central dois povos buscarem governar o mesmo local, a Palestina. Entretanto, nos últimos anos, muitas críticas a Israel vêm ocorrendo pela forma como essa situação tem sido conduzida, sobretudo pela violência desproporcional utilizada contra as populações palestinas. O Estado de Israel defende-se argumentando que sua ação se dá apenas como forma de garantir a segurança de sua própria população e combater ações terroristas, como as que são atribuídas ao Hamas, a organização que comanda a Palestina desde 2006 e que, como vimos, é vista como terrorista por Israel. Entretanto, as ações desproporcionais que muitos criticam não são apenas militares, as quais, em sua maioria, resultam na morte de civis inocentes sem ligação alguma com grupos como Fatah e Hamas. Os atentados terroristas, sobretudo com carros-bombas, prosseguiram sobre Israel, que buscava várias tentativas de eliminar o Hamas, incluindo a adoção de embargos econômicos sobre Gaza, o que afetava também a população civil. Em 2008, um acordo de cessar-fogo foi realizado entre o Hamas e Israel por mediação do Egito. No entanto, seis meses depois, o acordo não foi renovado, pois os judeus recusaram-se a findar o bloqueio econômico então adotado. Em 2014, novas ofensivas aconteceram e a Palestina tem seu suprimento de gás, água potável e energia elétrica cortado, além de frequentes bombardeios que vitimam inocentes e destroem escolas e hospitais. Muitos criticam o fato de Israel, ainda hoje, não permitir o retorno dos descendentes dos refugiados que abandonaram a região depois da guerra travada em 1948. Por fim, os assentamentos israelenses na Cisjordânia e as expulsões de moradores palestinos de suas casas para a construção desses assentamentos têm sido alvo de críticas recentes. O que se percebe nesse conflito é que a sua resolução está longe de chegar, pois, mesmo com acordos momentâneos de paz, basta uma pequena faísca para reacender novamente as batalhas, elevando novamente o número de mortos. Ao mesmo tempo, vem sendo difícil a criação do Estado palestino, pois as disputas territoriais ainda são intensas, embora tal Estado seja internacionalmente reconhecido por vários países. 


1. A GUERRA HOJE.

Os anos de 2022 e de 2023 vem sendo anos recordistas de letalidade para os palestinos e com os com maiores números de construções de novas colônias judias. Só em 2022, mais de 12 mil casas foram construídas pelo governo israelenses no território palestino. Os principais responsáveis, do lado da população palestina, tem a ver com seus próprios representantes que não foram capazes de mudar a realidade deles. O Hamas, diferentemente do Fatah, da OLP e da Autoridade Nacional Palestina não reconhece Israel e não se dispõe a negociar com Israel. Então, dificilmente vai haver um acordo de paz se depender do Hamas. Obviamente, do lado israelense tem a influência negativa do governo de Benjamin Netanyahu que acabou minando qualquer tipo de negociação. No dia 07 de outubro de 2023, o Hamas bombardeou e invadiu Israel. Mais de 100 Israelitas foram sequestrados e levados para a Palestina. Israel respondeu aos ataques com bombardeios que mataram mais de 300 pessoas. A invasão terrorista do Hamas foi o maior avanço bélico na guerra entre Israel e Palestina. Centenas de terroristas assassinaram e dominaram casas de famílias israelenses. Um dia depois do ataque, o governo israelense emitiu uma declaração oficial de guerra contra o Hamas. Segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu: “Será uma guerra longa e difícil. A primeira etapa termina agora com a destruição da grande maioria das forças inimigas que se infiltraram no nosso território”


EPÍLOGO. "Governo de Jerusalém”

Jerusalém é atualmente a cidade de Israel e sede do governo, fato não reconhecido pelas Nações Unidas e União Europeia. A cidade é disputada e reivindicada por israelenses e palestinos como sua respectiva capital, o que gera grandes tensões. Um evento marcante na história das disputas entre árabes e judeus, como vimos, foi a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com a justificativa de que estava se antecipando a um inevitável ataque dos vizinhos árabes, Israel iniciou um conflito surpresa e derrotou Egito, Jordânia e Síria. Com essa vitória, Israel anexou vários territórios – entre eles a Faixa de Gaza, ocupada por palestinos, e as Colinas de Golã, que pertenciam à Síria. Foi nessa guerra também que os judeus assumiram o controle da cidade de Jerusalém inteira. Israel é uma democracia parlamentar e o presidente, até 2021 foi Reuven Rivlin, é o chefe de Estado, mas suas funções são em grande parte simbólicas. Um membro do Parlamento apoiado pela maioria dos parlamentares torna-se o primeiro-ministro, normalmente o presidente do maior partido. O primeiro-ministro, cargo exercido atualmente por Benjamin Netanyahu, é o chefe de governo e chefe do gabinete. Israel é governado por um parlamento composto por 120 membros, conhecido como Knesset. A composição do Knesset é baseada na representação proporcional dos partidos políticos, há parlamentares eleitos pelas minorias, incluindo árabe-israelenses. As eleições acontecem a cada 4 anos, o voto é facultativo e permitido a todos os cidadãos maiores de 18 anos. O presidente atual chama-se Isaac Herzog.



Bibliografia:

|1| |2| OMER, Mohammed. Shell-Shocked: on the ground under Israel’s Gaza assault. Chicago: Haymart Books, 2015.

(agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-10/entenda-o-que-e-sionismo-movimento-que-da-origem-ao-estado-de-israel)

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/aftermath-of-the-holocaust-abridged-article

https://juruaonline.com.br/entenda-o-conflito-entre-israel-e-palestina-um-dos-mais-longos-da-historia-da-humanidade/5/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-11/entenda-os-acordos-de-oslo-tentativa-de-paz-entre-israel-e-palestina



terça-feira, 26 de março de 2024

O ESTADO DE ISRAEL

O ESTADO DE ISRAEL.

TEXTO BÁSICO: GÊNESIS 13.6-12

6 - E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos, porque a sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos. 

7 - E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló; e os cananeus e os ferezeus habitavam, então, na terra

8 - E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos.

9 - Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda.

10 - E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar.

11 - Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro.

12 - Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma.

INTRODUÇÃO: Para iniciar a lição de hoje talvez seja bom voltarmos um pouquinho no tempo. Na lição anterior ficamos entre 1933/1945, anos em que aconteceu o holocausto e seis milhões de judeus perderam suas vidas barbaramente assassinados pelo governo nazista sob comando de Hitler. Hoje começamos em 1910, ano em que um grande número de judeus migram para regiões de Israel e se estabelecem em comunidades que ficaram conhecidas como kibutz. Esta história começa quatro décadas antes da fundação do Estado de Israel que é o foco de nossa lição de hoje. Os kibutz desempenharam um papel fundamental no que diz respeito ao desenvolvimento agrícola e intelectual do país, bem como na defesa e na liderança política. Em apenas 7 anos, a população judaica na Palestina já alcançava um total de 56.000 pessoas, uma região que antes era habitada por cerca de 500.000 árabes, e apenas 10% de população judia. Em 2 de novembro de 1917 o ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur James Balfour assina um documento que historicamente parece ter se tornado o ponto inicial do imenso conflito árabe-israelense. A “Declaração de Balfour”, foi um documento no qual o governo de uma das maiores potência da época, a Grã-Bretanha, respaldava pela primeira vez "o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina". Documento que passou a simbolizar a pedra fundamental de Israel como Estado para os judeus e, ao mesmo tempo, uma "grande traição" na visão dos palestinos. A declaração do então ministro britânico de Relações Exteriores foi enviada a Walter Rothschild, um dos principais proponentes do Sionismo, movimento que defendia a autodeterminação do povo judeu em sua "terra histórica" que vai do Mediterrâneo até o lado oriental do Rio Jordão, área que passou a ser conhecida como Palestina. Pouco tempo depois da Declaração de Balfour, a Grã-Bretanha recebeu da Liga das Nações um mandato para administrar a região que hoje é Israel, Palestina e Jordânia. O mandato Britânico da Palestina foi estabelecido para ser uma solução temporária com a Partilha do Império Otomano logo após o final da Primeira Guerra Mundial, mas, com a substituição da Liga das Nações pela ONU, ao final da Segunda Guerra Mundial, a Palestina ainda era território administrado pela Grã-Bretanha. No entanto, a questão da criação de um "lar nacional judeu",  passou a ser uma causa de caráter urgente.  Em 1929 um primeiro grande conflito, uma disputa pelo acesso ao Muro das Lamentações resulta em um grande derramamento de sangue tanto de Judeus como de Palestinos. Mas mesmo em meio a toda está batalha a população judia crescia e em 1931 o número de judeus na Palestina já estava na casa dos 174.600. 

I. A DIVISÃO ISRAEL E PALESTINA.

O genocídio sofrido pelos judeus na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, como vimos na lição passada chocou o mundo e estabeleceu condições políticas para que um Estado judeu pudesse ser criado na Palestina. Finalmente chegamos em 1947, e os ingleses, autoridades colonial da região da Palestina abrem mão de seu domínio e entregam a disputa entre palestinos e judeus pela terra para a Organização das Nações Unidas. A decisão tomada pela ONU foi a de dividir a Palestina entre judeus e árabes e dessa forma, com a divisão aproximadamente metade do território seria ocupada por um desses povos, e Jerusalém, a capital, ficaria sob administração internacional. A ONU estabeleceu o seguinte:

▶Israel -  53,5% das terras;

▶Palestina - 45,4% das terras;

▶O restante corresponderia a Jerusalém, sob controle internacional.

Contudo, parecia haver nessa divisão uma contradição, pois os judeus, correspondiam a 30% da população, e ficaram com uma parcela maior do território. Os palestinos, por sua vez, correspondiam a 70% da população e ficaram com uma parcela menor. As autoridades árabes ainda alegaram que o território cedido a eles concentrava as terras menos férteis e de acesso mais limitado à água potável. O resultado é que a proposta da ONU foi aceita pelos judeus, mas rejeitada pelos árabes. Mesmo assim, foi aprovada na Assembleia Geral da ONU no dia 29 de novembro de 1947. No ano seguinte, os britânicos se retiraram da Palestina, e, em 04 de maio de 1948, finalmente foi proclamada a fundação do Estado de Israel, um sonho de milhares de judeus que agora se tornava realidade. Contudo, o problema, estava apenas começando, pois com a fundação de Israel tiveram início os grandes conflitos entre árabes e israelenses na região. Ao longo do século XX, foram travadas inúmeras batalhas, entre as quais podemos citar a Primeira Guerra Árabe-Israelense, a Guerra de Suez, a Guerra dos Seis Dias, e a Guerra de Yom Kippur. Assim, como podemos notar, ainda temos muita história pela frente.

1. PRIMEIRA GUERRA ÁRABE-ISRAELENSE.

A fundação do Estado de Israel, como vimos, não foi bem aceita pelas nações árabes, que imediatamente deram início a um ataque contra os israelenses. As tropas árabes eram formadas por soldados do Egito, Síria, Líbano, Iraque e Transjordânia (atual Jordânia). Mas a guerra foi desastrosa para os palestinos, pois Israel  possuía forças armadas bem organizadas e esse conflito se estendeu de maio de 1948 a julho de 1949 só terminando com um último acordo de paz sendo assinado. A guerra fez com que Israel expandisse o seu território, e os 53% do território sob controle passaram para 79%. Os palestinos reconheceram esse conflito como nakba, palavra, em árabe, que significa “tragédia”. Isso porque, além de perderem território, cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas. Israel nunca permitiu que essas pessoas e seus descendentes retornassem às suas casas, mesmo com uma resolução da ONU indicando que isso acontecesse.

2. DEMAIS CONFLITOS.

Na década de 1950, os israelenses se aproveitaram de uma crise do Egito com França e Reino Unido para invadirem a Faixa de Gaza e a Península do Sinai. A relação entre israelenses e palestinos seguiu tensa, o que resultou em movimentos de resistência palestina contra a ocupação por Israel. Em 1964, foi criada a Organização para a Libertação Palestina, a OLP, que buscava lutar pelos direitos perdidos dos palestinos na região com os acontecimentos então recentes. Os membros da OLP usavam a luta armada como caminho para resistir a Israel, e um de seus nomes mais conhecidos foi Yasser Arafat, líder da organização a partir de 1969. O principal grupo político da OLP é o Fatah, um grupo moderado que ainda existe. 

  1. Em 1967, foi iniciada a Guerra dos Seis Dias após ataques de Israel contra a Síria. Em apenas seis dias, os israelenses tomaram a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, as Colinas de Golã da Síria, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. Mesmo com a resolução posterior da ONU em que Israel deveria devolver tais territórios, eles continuaram sob seu domínio por um bom tempo. 

  2. Em 1973, teve início outra guerra, a Guerra do Yom Kippur, em que os países árabes derrotados na Guerra dos Seis Dias tentaram reaver os seus territórios. Todavia, Israel conseguiu uma nova vitória, pois contava com o apoio indireto dos Estados Unidos. Tais circunstâncias levaram os árabes a criarem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), um cartel entre os países petrolíferos da região que elevou o preço dessa importante matéria prima. Por essa razão, o sistema capitalista entrou na maior crise depois de 1929, conhecida como Choque do Petróleo. 

  3. Em 1979, Israel decidiu pela devolução da Península de Sinai para o Egito, após a mediação dos Estados Unidos, no sentido de selar um acordo entre os dois países, os Acordos de Camp David. Com isso, os egípcios tornaram os primeiros árabes a reconhecerem oficialmente o Estado de Israel, gerando profunda revolta entre os demais países da região.

EPÍLOGO. O HEZBOLAH.

É comum em notícias recentes dos conflitos entre Israel e Palestina ouvirmos o nome "Hezbollah”. Hezbollah é o nome de um grupo paramilitar islâmico de orientação xiita que surgiu durante a Guerra Civil do Líbano (1975-1990). Sua atuação é registrada lá pelo início de 1980, mas o grupo somente lançou seu manifesto em 1985. Hoje o Hezbollah tem sua atuação no campo político e no campo militar, sendo classificado por alguns países como um grupo terrorista. O grupo mantém como objetivo a garantia da independência e soberania do Líbano, sendo Israel seu principal foco de combate. Contudo, nos últimos anos, o apoio popular que o Hezbollah possui no Líbano diminuiu consideravelmente, mas em razão da sua atuação enquanto um partido político e, nesse sentido, do apoio dado à população libanesa por meio da ampliação de acesso aos serviços públicos, como hospitais e escolas, o Hezbollah obtem aprovação de uma parte dos moradores do seu país de origem. O mesmo não pode ser dito sobre a visão e aceitação do grupo internacionalmente."

COMO SURGIU O HEZBOLAH.

Em 1947, com a criação do Estado de Israel e a posterior delimitação dos territórios correspondentes à Palestina, houve um intenso fluxo de refugiados palestinos (muçulmanos de maioria sunita) em direção ao Líbano. Os refugiados se instalaram no sul do país, mas viviam em condições precárias pela falta de apoio popular, tendo em vista que a maioria cristã não aceitava a permanência dos palestinos no país. Nas décadas de 1970 acontece uma escalada de tensões entre cristãos e árabes muçulmanos, quando um atentato em Beirute, promovido por cristãos, causou a morte de dezenas de palestinos. Nesse ínterim, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) havia se instalado no sul do Líbano, o que mais tarde resultou na invasão de Israel nesta região. Pouco depois disso, os conflitos da Guerra Civil Libanesa ganharam maiores dimensões e passaram a envolver outros territórios. Foi nesse contexto que surgiram vários grupos paramilitares, entre eles o Hezbollah. O Hezbollah iniciou oficialmente as suas atividades paramilitares no ano de 1985, quando publicou o seu manifesto. Ainda assim, existem acontecimentos do início da década de 1980 atribuídos ao grupo. O Partido de Deus, como se traduz seu nome em árabe, logo recebeu a alcunha de extremista por entrar em conflito com outros grupos de orientação xiita, como o Movimento Amal, que surgiu também no início da Guerra Civil do Líbano."

DIFERENÇAS ENTRE HEZBOLLAH E HAMAS.

Devido à sua atuação militar, tanto o Hazbollah quanto o Hamas são classificados como grupos terroristas por alguns países, principalmente pelos Estados Unidos. Os dois têm origem no Oriente Médio e atuam contra o Estado de Israel."

HAMAS.

  • "Grupo paramilitar islâmico de orientação sunita."

  • "Tem sede na Faixa de Gaza (Palestina)."

  • "Responsável pela administração da Faixa de Gaza."

  • "Objetiva a criação e a formalização do Estado da Palestina."

  • "Além do Irã e da Síria, tem o apoio de países como Iraque, Paquistão, Qatar, o próprio Líbano, Kwait e outros."

  • "Promove ações para auxiliar as famílias palestinas que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia."

HEZBOLAH

  • "Grupo paramilitar islâmico de orientação xiita."

  • "Tem sede no Líbano."

  • "Atua na política do Líbano, mas não detém o poder sobre o território de forma integral."

  • "Embora tivesse como um dos objetivos iniciais o estabelecimento de um Estado regido pela lei islâmica, hoje atua politicamente em prol de uma democracia unitária."

  • "Recebe o apoio do Irã e da Síria."

  • "Promove ações de cunho social e econômico no país de origem."

XIITAS E SUNITAS.

Os xiitas e sunitas são dois ramos que existem no interior do islamismo, possuindo algumas diferenças doutrinárias e religiosas. Esses dois grupos se estabeleceram como parte da disputa política pela sucessão do poder depois que o profeta "Muhammad" faleceu em 632. Para os xiitas somente descendentes do profeta poderiam assumir sucessão de Ali Bin-Abu Talib, parente do profeta. Já os sunitas, por sua vez, defendiam que qualquer um poderia suceder o profeta, não somente seus descendentes, por isso apoiavam Abu Bakr. As diferenças entre xiitas e sunitas existem até hoje, e o grupo majoritário no islã são os sunitas, possuindo cerca de 85% dos fiéis. A maior potência xiita é o Irã, enquanto a Arábia Saudita é a maior potência sunita."


Bibliografia:

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/hezbollah.htm

CAMARGO, Cláudio, Guerras Árabe-Israelenses. In.: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das guerras. São Paulo: Contexto, 2013. p. 431.

|1| |2| OMER, Mohammed. Shell-Shocked: on the ground under Israel’s Gaza assault. Chicago: Haymart Books, 2015.


terça-feira, 19 de março de 2024

 “ISRAEL PALESTINA”

                 O MOVIMENTO SIONISTA

Texto Básico: Js 1.1-9

1. Sucedeu, depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que este falou a Josué, filho de Num, servidor de Moisés, dizendo: 2. Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. 3. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés. 4. Desde o deserto e o Líbano até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o poente do sol será o vosso limite. 5. Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei. 6. Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais. 7. Tão-somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares. 8. Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido. 9. Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.

Introdução: As causas de conflito entre Israel e Palestina são muito antigas e se tivermos que colocar uma data, certamente apontaremos para os anos 70 d.C. quando aconteceu, como vimos em lições anteriores,  a expulsão dos judeus pelos romanos, sob comando do general Tito. Neste tempo os judeus tiveram que se deslocar em fuga para o norte da África e para a Europa. No entanto, nosso olhar agora se estende mais para o final do século XIX, quando explodiu uma onda de nacionalismos na Europa, onde muitos judeus se uniram em torno das ideias do  jornalista  húngaro Theodor Herzl (1860-1904), que defendeu a ideia de constituição de um Estado Nacional para os judeus na Palestina. Segundo Herzl,  o lar para os judeus deveria ser em "Sião" ou a terra de Israel, a Palestina e, finalmente, os judeus teriam um lar como os outros povos. Movimento que se tornou conhecido como “Movimento Sionista”. O que podemos dizer é que continuamos diante de um longo e exaustivo contexto histórico de conflitos e de muitas tensões e preocupações pelo mundo inteiro. Porém desta vez nossa atenção envolve judeus e muçulmanos no território de enclave entre Israel e Palestina. A verdade é que todo este conflito acontece em razão de ambos os lados reivindicarem o seu próprio espaço de soberania, embora atualmente esse direito seja exercido plenamente apenas pelo lado dos israelenses. Com isso, guerras são travadas, grupos considerados terroristas erguem-se, vidas são perdidas, e uma paz duradoura encontra-se cada vez mais distante. Nestas aulas que se seguem por mais algumas terças feiras a Escola Bíblica Dinâmica, procura visualizar este intrigante tema para tentarmos entender, nem que seja um pouquinho do que está acontecendo atualmente neste conflito no Oriente Médio entre israelenses e palestinos. Orem por Israel e Bons estudos…

I. O FOCO DO CONFLITO.

Mt 24.1-10.  1. Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. 2. Ele, porém, lhes disse: Não vedes  tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos  quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. 4. E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. 5. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. 6. E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; 8. porém tudo isto é o princípio das dores. 9. Então, sereis atribulados,  e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. 10. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros;

Quando paramos para analizar este longo processo de conflito entre Israel e Palestina descobrimos que tudo acontece em razão destes dois povos possuirem uma mesma área de disputa que se localiza-se no Oriente Médio, mais precisamente, na parte denominada “Palestina” tendo como foco principal a cidade de Jerusalém, um ponto de forte potencial turístico religioso e que é considerado um lugar sagrado para as três grandes religiões monoteístas do planeta: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. A base moderna, se assim podemos chamar os tempos atuais deste conflito, começou com o surgimento de um movimento conhecido como "movimento sionista", lá pelo final do século XIX. Nesse período, uma grande quantidade de judeus começou a migrar, em massa, em direção aos territórios da Palestina, então habitados por cerca de não menos que 500 mil árabes. Essa região era reivindicada pelos judeus por ter sido deles até a sua expulsão pelo Império Romano, no século III d.C, dando início à diáspora judaica, a dispersão de judeus pelo mundo. (A diáspora judaica refere-se ao distanciamento forçado dos hebreus de sua terra natal – Israel – em razão das invasões de povos inimigos e, consequentemente, deixando-os dispersos em várias partes do mundo.)

1. O MOVIMENTO SIONISTA

O chamado “movimento sionista” que se consolidou por meio do jornalista húngaro Theodor Herzl (1860-1904), defendia o direito dos judeus de retornarem a Palestina e lá formarem um Estado nacional judeu. Esse movimento surgiu como resposta da comunidade judia na Europa ao crescente antissemitismo naquele continente. Surgido no século 19 na comunidade judia na Europa o movimento buscava uma solução para a questão judaica. (O termo sionismo faz referência ao Monte Sião, nome de uma das colinas de Jerusalém e usado como sinônimo de terra prometida, ou terra de Israel). Naquela época, o antissemitismo, que é a discriminação contra os povos semitas, entre os quais, está o povo judeu, estava em crescimento no continente. Foi o sionismo enquanto movimento político que deu corpo à criação do Estado de Israel, em 1947, logo após o Holocausto na Europa, quando cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados, principalmente em campos de concentração da Alemanha nazista. 

II. O HOLOCAUSTO.

Dt 29.24-28 - 24 - isto é, todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira? 25 - Então, se dirá: Porque deixaram o concerto do SENHOR, o Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito, 26 - e foram-se, e serviram a outros deuses, e se inclinaram diante deles; deuses que os não conheceram, e nenhum dos quais ele lhes tinha dado. 27 - Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra esta terra, para trazer sobre ela toda maldição que está escrita neste livro. 28 - E o SENHOR os tirou da sua terra com ira, e com indignação, e com grande furor e os lançou em outra terra, como neste dia se vê.

O termo Holocausto designa o processo de perseguição e o assassinato sistemáticos de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão e seus aliados e colaboradores. O Museu Estadunidense Memorial do Holocausto define 1933-1945 como os anos do Holocausto. Ele teve início em 1933, quando Adolf Hitler e o Partido Nazista chegaram ao poder na Alemanha, e terminou em 1945, quando as potências aliadas derrotaram a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O Partido Nazista foi um partido político na Alemanha fundado em 1919, após a Primeira Guerra Mundial. Os nazistas eram racistas e acreditavam que o que chamavam de “raça ariana” era superior às demais. Na concepção nazista, um ariano era alguém germânico, enquanto judeus, ciganos, negros e outros grupos étnicos eram inferiores. Eram impiedosamente antissemitas e isso afetou todas as suas políticas e ações. Eles também acreditavam que a Alemanha era um país melhor que os outros e que a superioridade do seu povo implicava em dominar outros. Isso levou a Alemanha a invadir e dominar outros países antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

1. ADOLF HITLER

Em 1921, Adolf Hitler tornou-se líder do partido. Então, em janeiro de 1933, os nazistas foram chamados a formar um governo depois de terem sido escolhidos em eleição como o maior partido do país. A partir do momento em que o seu partido chegou ao poder, Adolf Hitler decidiu impor os valores nazistas em todos os aspectos da vida alemã, assumindo o controle por meio do medo e do terror. Quando o presidente alemão Hindenburg morreu, em 1934, Hitler declarou-se o Führer, ou “líder supremo da Alemanha”. (Hoje em dia, a palavra Führer tem uma conotação negativa, a de um líder implacável que impõe um governo brutal sobre as pessoas.) Os três pilares mais importantes para Hitler e os nazistas eram o que acreditavam ser:

A pureza da raça ariana

A grandeza da Alemanha

Idolatria ao Führer , Adolf Hitler

O partido usou de muita propaganda para persuadir as pessoas a apoiá-lo. Eles realizavam grandes comícios, com alto-falantes em locais públicos entoando mensagens nazistas.

2. PERSEGUIÇÃO NAZISTA.

Durante a década de 1930, com a ascensão de Hitler, a perseguição aos judeus se intensificou. Como resultado disso, a migração de judeus para a Palestina aumentou consideravelmente.Em 1931, o número de judeus na Palestina estava na casa dos 174.600.  Em 1939 começa a Segunda Guerra Mundial e, com ela, o Holocausto, um processo que começou com a discriminação contra o povo judeu e terminou com milhões de pessoas sendo mortas por simplesmente serem quem eram. Foi um processo que se tornou cada vez mais brutal ao longo do tempo. Desde o momento em que chegaram ao poder, em 1933, os nazistas perseguiram pessoas que não consideravam ser membros dignos da sociedade, principalmente os judeus. Eles introduziram leis que os discriminavam e retiravam seus direitos. O povo judeu não era permitido em certos lugares e era proibido de conseguir determinados empregos. Os nazistas também começaram a montar campos de concentração para onde prender e impor trabalho forçado a pessoas que acreditavam ser "inimigos do Estado". Isto incluía o povo judeu e qualquer pessoa que não os apoiasse. 

Em 9 de novembro de 1938, houve uma noite de terrível violência contra o povo judeu. Ficou conhecida como Kristallnacht - a "Noite dos Cristais" - por conta dos vidros quebrados que cobriram as ruas, das lojas que foram invadidas. Noventa e um judeus foram assassinados, 30 mil foram presos e enviados para campos de concentração e 267 sinagogas foram destruídas. No dia 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, o que marcou o início da Segunda Guerra Mundial. O povo judeu na Polônia foi forçado a viver em áreas selecionadas, os chamados guetos, sujeitos a maus-tratos e assassinatos. As condições nos guetos eram péssimas, e muitos morreram em consequência de doenças e fome e pela violência arbitrária. Eventualmente, as autoridades alemãs também estabeleceram guetos em outras partes da Europa Oriental ocupada e na Hungria. Centenas de milhares de judeus morreram nos guetos entre os anos de 1939 e 1945. 

3. CAMPOS DE EXTERMÍNIOS

No início da década de 1940, os nazistas procuravam uma forma de matar um grande número de pessoas num curto espaço de tempo, a fim de se livrarem da população judaica da Europa. Disso surgiu a ideia de criar campos de extermínio nos quais pudessem cometer assassinatos em grande escala. Isso é o que seria chamado de “a solução final”. No final de 1941, foi criado o primeiro campo de extermínio, chamado Chelmno, na Polônia. Houve seis campos de extermínio, no total, em áreas da Polônia controladas pelos nazistas: Auschwitz-Birkenau (o maior), Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka. Também foram criados campos fora da Polônia (em Belarus, Sérvia, Ucrânia e Croácia) pelos nazistas e seus aliados, onde morreram muitas centenas de milhares de pessoas. Entre 1941 e 1945, pessoas foram assassinadas numa escala que nunca tinha sido vista antes. Milhões foram presos e levados em comboios para os campos, onde seriam forçados a trabalhar ou mortos. Eles massacraram comunidades judaicas inteiras. Além dos fuzilamentos, as unidades alemãs por vezes utilizavam caminhões de gás especialmente concebidos para assassinar judeus. Cerca de 2 milhões de homens, mulheres e crianças judias foram assassinadas nesses massacres. Sabe-se que as vítimas incluíam:

Povo judeu

Povo Roma e Sinti (Ciganos)

Povos eslavos, especialmente na antiga União Soviética, Polônia e antiga Iugoslávia

Pessoas com deficiências

Gays

Pessoas negras

Testemunhas de Jeová

Opositores políticos

Adolf Hitler inspirou, ordenou, aprovou e apoiou o genocídio dos judeus da Europa, mas Hitler não agiu sozinho, outros líderes nazistas coordenaram, planejaram e implementaram diretamente o Holocausto. Eles acionaram muitas instituições, organizações e indivíduos alemães para perseguir os judeus, travar guerras e realizar assassinatos em massa. A Alemanha nazista também contou com a ajuda de seus aliados nos países do Eixo, assim como de colaboradores nos territórios ocupados. Sem o envolvimento de milhões de europeus (tanto alemães como de outras nacionalidades), o Holocausto não teria acontecido.

CONTINUA...

 

 

 

terça-feira, 12 de março de 2024

 

DIÁSPORA, OS JUDEUS SE ESPALHAM PELO MUNDO

TEXTO BÁSICO: Ezequiel 22.14-22

14 - Estará firme o teu coração? Estarão fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei contigo? Eu, o SENHOR, o disse e o farei. 15 - E espalhar-te-ei entre as nações, e espalhar-te-ei pelas terras, e porei termo à tua imundícia. 16 - E tu serás profanada em ti mesma, aos olhos das nações, e saberás que eu sou o SENHOR. 17 - E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 18 - Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escória; todos eles são bronze, e estanho, e ferro, e chumbo no meio do forno; em escória de prata se tornaram. 19 - Portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Pois que todos vós vos tornastes em escória, eis que eu vos ajuntarei no meio de Jerusalém. 20 - Como se ajuntam a prata, e o bronze, e o ferro, e o chumbo, e o estanho no meio do forno, para assoprar o fogo sobre eles, a fim de se fundirem, assim vos ajuntarei na minha ira e no meu furor, e ali vos deixarei, e fundirei. 21 - E congregar-vos-ei e assoprarei sobre vós o fogo do meu furor; e sereis fundidos no meio dela. 22 - Como se funde a prata no meio do forno, assim sereis fundidos no meio dela; e sabereis que eu, o SENHOR, derramei o meu furor sobre vós.

INTRODUÇÃO:

O povo hebreu foi o único povo no mundo cuja determinação divina foi a de habitar uma região específica da terra: Canaã (Israel). Gn 15.7,18 - Disse-lhe mais: Eu sou o SENHOR, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para a herdares… Naquele mesmo dia, fez o SENHOR um concerto com Abrão, dizendo: À tua semente tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates, No entanto, ao longo de 4 mil anos de história o povo judeu se consagrou como a nação mais cosmopolita do mundo se espalhando em mais de 100 países, e com exceção de Israel, sempre estando como minorias em todos esses lugares. Tantas fugas e dispersões produziram uma diversidade de grupos judaicos que foram se adequando aos costumes, idiomas e culinárias dos lugares onde viveram. Mas também contribuíram para enriquecer as culturas locais. Neste estudo, pretendemos viajar por alguns momentos nessa longa saga judaica através dos tempos e das fronteiras. Contudo, os fatos históricos são extremamente longos e muito exaustivos, e por questão de tempo e espaço vamos procurar caminhar por um contexto bastante resumido, assim não ficamos cansativos demais e não nos perdemos diante das muitas informações no que diz respeito a povos, datas etc... Portanto tenham todos um bom estudo!

I. DEFINIÇÃO DO TERMO

A wikipédia define o termo “diáspora” como o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas. Em termos gerais, diáspora pode significar dispersão de qualquer nação ou etnia pelo mundo. Assim, "Diáspora judaica" é o nome dado aos diversos momentos da história em que populações judaicas foram expulsas do território que habitavam. Geralmente os historiadores falam em duas grandes diásporas, a primeira diáspora judaica e segunda diáspora judaica." A partir do exílio na Babilônia no século VI a.C. e, especialmente, depois da destruição de Jerusalém em 70 d.C.. Ez 22.15 - E espalhar-te-ei entre as nações, e espalhar-te-ei pelas terras… 

II. O INÍCIO DE TUDO.

2Rs 25.8,9 E, no quinto mês, no sétimo dia do mês (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de Babilônia), veio Nebuzaradã, capitão da guarda, servo do rei de Babilônia, a Jerusalém. E queimou a Casa do SENHOR e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém; todas as casas dos grandes igualmente queimou.


1. A PRIMEIRA DIÁSPORA.

Estamos diante de uma longa história de dispersão do povo judeu cujo inicio pode ser datado por volta do ano 587 a.C., quando o rei da babilônia Nabucodonosor invade o antigo reino de Judá, ao sul de Israel, arrasando Jerusalém e destruindo por completo o templo. Quantos aos habitantes foram, em parte, deportados para a Babilônia, na Mesopotâmia. 2Rs 25.11,12 E o mais do povo que deixaram ficar na cidade, e os rebeldes que se renderam ao rei de Babilônia, e o mais da multidão, Nebuzaradã, o capitão da guarda, levou presos. Porém dos mais pobres da terra deixou o capitão da guarda ficar alguns para vinheiros e para lavradores. Não há dúvidas de que foi um domínio imposto pela força das armas, no entanto é observável que tal domínio trouxe uma certa contribuição, pois durante este exílio o povo judeu conseguiu manter a prática regular de sua religião, reforçando rituais e custumes que os distinguia dos demais povos. Os escribas, por sua vez, investiram grande esforço no sentido de redigir as tradições orais e compilarem todos os pergaminhos vindos do templo destruído. Até mesmo o calendário judaico foi aprimorado com a astronomia babilônica. Assim, durante 70 anos, os israelitas viveram como exilados fora da terra prometida a Abraão e seus descendentes


Após o exílio, 50 anos depois, em 538 a.C o imperador persa Ciro conquistou a Babilônia e se tornou a pessoa mais poderosa do mundo. Ele permitiu a volta dos judeus a Jerusalém e a reconstrução do templo, contudo muitos judeus preferiram ficar na Babilônia, que permaneceu como um centro da cultura judaica por 1,5 mil anos. No entanto, eles não eram mais um país independente, eram agora uma província do Império Persa. Isso continuou por 200 anos, até que Alexandre, o Grande, conquistou o Império Persa e fez dos israelitas uma província do Império Grego por mais 200 anos. Finalmente surgem os romanos e derrotaram os impérios gregos se tornando a potência mundial dominante. Os judeus tornaram-se então uma província neste Império, ficando sob seus domínios.


2. A SEGUNDA DIÁSPORA.

Dt 28.63,64 E será que, assim como o SENHOR se deleitava em vós, em fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim o SENHOR se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e desarraigados sereis da terra, a qual passas a possuir. E o SENHOR vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra; e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; servirás à madeira e à pedra.


Desde a época dos babilônios, os judeus não eram independentes. Uma sucessão de outros impérios os governou. Entretanto, duas rebeliões dos judeus contra o domínio romano (em 66-70 e 133-135 d.C.) tiveram resultados desastrosos. Ao debelar a primeira revolta, o general Tito, mais tarde imperador, arrasou o Templo de Jerusalém, do qual restou apenas o Muro das Lamentações. E o imperador Adriano, ao sufocar a segunda, intensificou a diáspora e proibiu os judeus de viver em Jerusalém. A partir de então, os israelitas espalharam-se pelo Império Romano; alguns grupos migraram para a Mesopotâmia e outros pontos do Oriente Médio, fora do poder de Roma. A partir de então, a Palestina passou a ser habitada por populações helenísticas romanizadas; e, em 395, quando da divisão do Império Romano, a Palestina tornou-se uma província do Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino). Com a vastidão do Império Romano, os judeus acabaram se espalhando pelo mundo inteiro.


Foi assim que o povo judeu viveu por quase 2.000 anos, disperso em terras estrangeiras e nunca totalmente aceito. Nessas diferentes nações, eles sofreram regularmente grandes perseguições. Essa perseguição aos judeus foi particularmente verdadeira na Europa, na Espanha, na Europa Ocidental, na Rússia, os judeus viviam muitas vezes em situações perigosas nesses reinos. Os judeus emigraram para a Índia e Kaifeng, na China, para escapar dessas perseguições. 


a) OS SEFARDINS. O processo migratório dos hebreus na África foi na região norte, onde existiam comunidades tribais muçulmanas chamadas de berberes e mouros. Os refugiados mantiveram aproximação cultural com os mouros, que eram mais pacíficos e estavam em expansão na Espanha. Em razão desse contato – mouros e hebreus – os hebreus passaram a ser chamados de “sefardins”. Essa segmentação de hebreus sefardins ainda desenvolveram um idioma próprio, o ladino, que mescla vocábulos do hebraico e do espanhol medieval.

2b) OS ASHKENAZI. Os hebreus que migraram para o leste da Europa, especificamente na região entre a Alemanha e a França, nas proximidades do vale do rio Reno, passaram a ser chamados de ashkenazi. Os hebreus ashkenazi eram economicamente ligados à atividade artesanal, à fabricação de vinho e ao comércio. 

EPÍLOGO.

"A principal consequência da diáspora judaica é que os judeus se tornaram um povo sem Estado durante por quase dois milênios, ou seja, sem ter um território com o próprio governo e demais instituições. Outra consequência da diáspora judaica foi a constante perseguição sofrida pelos judeus. Os judeus foram perseguidos durante toda a Idade Média, principalmente em momentos de epidemias, períodos de fome e crise econômica. Eles eram acusados de serem os responsáveis pela morte de Jesus, uma vez que teriam escolhido libertar Barrabás, permitindo que Jesus fosse crucificado. Além disso, foram realizados muitos massacres de judeus em diversos países, os chamados pogroms. Para muitos historiadores, o Holocausto foi o maior pogrom da história."

As perseguições contra os judeus atingiram o auge quando Hitler, através da Alemanha nazista, tentou exterminar todos os judeus que viviam na Europa. Seis milhões de judeus perderam a vida no que hoje conhecemos como o Holocausto . Hitler quase conseguiu, mas foi derrotado e um remanescente dos judeus sobreviveu. Mas isto poderá ser assunto na próxima lição, não percam…



bibliografia:

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/hebreus3.htm#:~:text=Di%C3%A1spora%20judaica%20%C3%A9%20o%20nome,passaram%20ao%20longo%20da%20hist%C3%B3ria.&text=Ou%C3%A7a%20o%20texto%20abaixo!,passaram%20ao%20longo%20da%20hist%C3%B3ria.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1spora_judaica

https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/diaspora-judaica


QUATRO AMIGOS E TRÊS PROVAS DE AMIZADE

  Mc 2.4 E, não podendo aproximar-se de Jesus, por causa da multidão, removeram o telhado no ponto correspondente ao lugar onde Jesus se en...