sábado, 22 de outubro de 2016

FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA

Escola Bíblica Dominical vale das Bênçãos
Bacaxá, Saquarema – RJ.
"Teologia, a doutrina de Deus”.
LIÇÃO 1. FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA

Texto Básico: Jeremias 10.6-16
6 - Ninguém há semelhante a ti, ó SENHOR; tu és grande, e grande o teu nome em poder. 7 - Quem não te temeria a ti, ó Rei das nações? Pois isto só a ti pertence; porquanto entre todos os sábios das nações, e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti. 8 - Mas eles todos se embruteceram e tornaram-se loucos; ensino de vaidade é o madeiro. 9 - Trazem prata batida de Társis e ouro de Ufaz, trabalho do artífice, e das mãos do fundidor; fazem suas roupas de azul e púrpura; obra de peritos são todos eles. 10 - Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação. 11 - Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo deste céu. 12 - Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus. 13 - Fazendo soar a sua voz, logo há rumor de águas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra; faz os relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento. 14 - Todo o homem é embrutecido no seu conhecimento; envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura; porque sua imagem fundida é mentira, e nelas não há espírito. 15 - Vaidade são, obra de enganos: no tempo da sua visitação virão a perecer. 16 - Não é semelhante a estes aquele que é a porção de Jacó; porque ele é o que formou tudo, e Israel é a vara da sua herança: SENHOR dos Exércitos é o seu nome.

Introdução: O estudo da Teologia é o estudo que trata da Pessoa de Deus, e sistematicamente das principais doutrinas da Bíblia. Sendo a Bíblia o Livro de Deus, ela trata essencialmente sobre o Ser Deus e sobre o Seu relacionamento com o homem. No caso de Deus, por se tratar de um Ser possuidor de atributos que são inerentes somente a Sua Pessoa, fica logo perceptível que a capacidade humana é limitada em si mesma. Para nós os salvos, a existência de Deus é claramente apresentada de forma infinitamente rica e definida nas Escrituras, não deixando qualquer espécie de dúvida em nossa crença. A Bíblia vai falar deste assunto em cada um dos seus 66 livros, apresentando-o como o Deus Todo-Poderoso, capaz de amar o homem com um amor incomparável e que com os braços abertos recebe o ser humano perdoando-o de todos os seus pecados. É de Deus que trataremos nestas lições da Escola Bíblica Dominical, portanto esteja desde já com o coração aberto e os ouvidos bem atentos a ministração deste estudo!

I. DEFINIÇÃO DO TERMO TEOLOGIA.
O termo teologia se origina de duas palavras gregas: "theos", Deus, e "logos", palavra. A junção destes dois termos nos leva a seguinte significação: Teologia é o Estudo ou Tratado a respeito de Deus. No entanto, este é apenas um significado restrito do termo, pois a Teologia abrange não somente o estudo da Pessoa de Deus, mas também da relação e da maneira que Deus lida com o mundo e com o homem. A teologia ainda abrange um estudo dogmático e sistemático das Escrituras, como do todo. Dessa forma, é correto falar em teologia do AT,  e teologia do NT. Neste Estudo, começaremos usando o termo em seu sentido mais amplo, ou seja, com a finalidade de cobrir o conteúdo das Escrituras, para em seguida nos mantermos em seu sentido mais restrito que pode nos trazer conhecimento em relação a Pessoa Deus, e do relacionamento de com o que Ele criou.

II. ENTENDENDO A TEOLOGIA.
A Enciclopédia de Religião e Ética (edição de 1924 em inglês), assim define a teologia: “A teologia pode ser brevemente definida como a ciência que lida, de acordo com o método científico, com os fatos e fenômenos da religião, e culmina em uma síntese abrangente ou filosófica da religião, que procura expor, de modo sistemático, tudo o que pode ser conhecido em relação à base objetiva da crença da religião” (XII, 293). Para entendermos corretamente a teologia, é bom conhecermos as principais fontes sobre as quais ela é construída. Estas fontes podem ser classificadas sob sete títulos onde cada tópico enfoca uma fonte diferente, acrescentando um conteúdo adicional ao estudo da teologia. Devemos reconhecer que estes tópicos não se excluem necessariamente, exceto se houver algum extremismo fazendo com que uma ou mais fontes se exclua a outras. Geralmente encontramos estes tópicos combinados nos trabalhos ou sistemas teológicos para a construção de um sistema ortodoxo sadio. Os títulos ou tópicos são os seguintes
➡ A Teologia Bíblica.
➡ A Tradição.
➡ Os credos e Teologia Confessional.
➡ Filosofia e Teologias Filosóficas.
➡ Ciência e Teologia Liberal.
➡ História das Religiões e Religião Comparativa.
➡ Psicologia e a Abordagem Psicológica.

Precisamos dar uma olhada, mesmo que panorâmica para cada um destes títulos para um entendimento básico da formação teológica e suas construções doutrinárias.

1. A TEOLOGIA BÍBLICA.
As igrejas primitivas basearam sua teologia no AT, nos discursos dos apóstolos, e em outros livros, alguns dos quais chegaram a ser escolhidos para compor o cânon do NT. A Igreja aceitou o AT como divino e infalível em relação à revelação de Deus, e o teve como guia e norma para suas pregações e escritos. Prática que perfeitamente a enquadra no que chamamos de era da teologia bíblica.

A Teologia Bíblica, como o nome sugere, é o estudo da Bíblia organizando em conclusões obtidas pela teologia exegética em várias divisões e áreas de estudo, com a finalidade de buscar conhecimento histórico e progressivo da revelação de Deus a humanidade. Parte da queda do homem e passa pelo AT e pelo NT.  Diferente da Teologia Sistemática, a Teologia Bíblica é indutiva, isto é, ela parte das pesquisas exegéticas para fazer suas afirmações, saindo do específico para o geral. Em resumo, a Teologia Bíblica busca extrair uma hermenêutica a partir da própria Bíblia, fazendo-se necessária a exegese, ou seja, uma compreensão do texto bíblico em seu contexto original, no sentido de extrair do mesmo a riqueza para uma correta interpretação. A divisão da Teologia Bíblica é feita basicamente em duas partes:

Teologia Bíblica do AT.
Os teólogos dão especial ênfase às profecias e indícios relativos à vinda e missão de Jesus como o Messias. Embora. Assim a teologia dos livros históricos se subdivide em outras teologias de acordo com o método de pesquisa empregado. Temos também a teologia dos escritos proféticos e dos escritos sapienciais.

Teologia do NT.
Na teologia do NT o método doutrinário é extraído basicamente dos escritos de Mateus, de João (livro e epístolas), de Paulo (Epístolas Paulinas), e de Lucas (Lucas e Atos).

Percebemos ao longo da história do Cristianismo, que a Teologia Bíblica é algo recente, pois nos primeiros séculos a teologia se demonstrou inexoravelmente dogmática, ou seja, partia da fé e do dogma para uma busca a devida hermenêutica, de forma que a construção sempre ficava presa à sistemática. O inicio proposto do pensamento que gerou a Teologia Bíblica é o século XVI, através do pensamento reformista, especialmente de Martinho Lutero, com "Sola Scriptura". O que ocorre na Reforma Protestante é uma valorização da individualidade, na qual cada pessoa pode se confessar diretamente a Deus, o que cria um contra ponto a teologia dogmática e, vai reforçando a ideia de uma teologia bíblica.

2. A TEOLOGIA DA TRADIÇÃO.
Neste tópico temos o grave erro cometido pela Igreja Católica Romana colocando-se a acima das Escrituras ao invés de se sujeitar a ela como o Protestantismo. Os católicos consideram a tradição como um depósito sagrado da Palavra de Deus confiado a Igreja, no caso, a Católica. Segundo dizem, depois da morte dos apóstolos, a questão da doutrina verdadeira da Igreja é autenticada pela tradição apostólica, sendo transmitida aos seus discípulos, dos discípulos aos ouvintes e dos ouvintes aos bispos e mestres da Igreja antiga. Alegando serem os transmissores da Bíblia, Afirmam que as Escrituras não contêm todos os ensinos dos apóstolos, e que muitas doutrinas bíblicas são apresentadas apenas de uma forma embrionária.

Algumas doutrinas foram transmitidas pela tradição, outras foram desenvolvidas pelos patriarcas da Igreja, mas tudo de forma resumida. Defendem doutrinas que vem sendo trabalhadas em concílios e reuniões até os tempos modernos. Alguns exemplos de doutrinas que são baseadas na tradição são: O purgatório, as orações pelos mortos, adoração a Maria, as indulgências, e o Papado. Alguns exemplos de doutrinas que foram desenvolvidas a partir de sua forma embrionária (estágio rudimentar) pela Igreja Católica Romana são:
➡ A imaculada concepção de Maria,
➡ Sua trasladação diretamente ao céu,
➡ A declaração de sua mediação entre Deus e o homem.
O Concílio de Trento declarou em 1546 que a Palavra de Deus contida na Bíblia e nas tradições possuem a mesma autoridade.

3. A TEOLOGIA DOS CREDOS CONFESSIONAIS.
O termo "credo" tem como significação própria como crença pessoal. Todos os fatos concernentes à revelação divina são encontrados nas Escrituras tanto no AT quanto no NT. Entretanto, logo no primeiro século da era cristã, a Igreja percebendo uma necessidade de estudos mais aprimorados no sentido de evitar que os fundamentos de fé fossem destruídos ou invalidados por deduções errôneas, resolveu criar a "Teologia dos Credos" no sentido de definir com maior clareza possível questões relacionadas a doutrinas fundamentais da fé cristã, ensinos que a Igreja precisa dar em resposta e a altura dos ensinos da Bíblia. O primeiro credo formulado conhecido historicamente foi chamado "Credo dos Apóstolos". Cujos autores e origem são desconhecidas.

CREDO NICENO.
No ano 325, cerca de 300 bispos no concílio de Nicéia, na Ásia Menor, formulam um credo que tratou das controvérsias cristológicas em resposta a seguinte dúvida: Jesus é realmente Deus no mesmo sentido de Deus, o Pai, ou Ele é somente o mais supremo dentre os seres criados? Atanásio praticamente sozinho contra Ario e seus partidários, fez sua defesa em relação à divindade de Cristo e a Igreja decidiu que Jesus Cristo é “a essência de Deus”, e feito da mesma substância do Pai. Em 381, 150 bispos se reuniram em Constantinopla para refletir sobre o Credo Niceno, no entanto foram além dos ensinos Nicenos, pois afirmaram a plena divindade do Espírito Santo.

O CREDO DE CALCEDÔNIA.
No Concílio de Calcedônia (451) foi determinado o relacionamento que existe entre as duas naturezas de Cristo. Cada natureza é real, mas as duas existem de tal forma que mesmo estando juntas como se fossem indivisíveis e inseparáveis, contudo jamais se misturam nem se modificam. Em teologia estas duas naturezas são chamadas de União Hipostática.

Podemos dizer que o maior impulso confessional veio como resultado da Reforma Protestante. Os mais importantes e que ainda estão em uso, são a de Augsburgo (1530), a Genovesa (1549), a Confissão Belga (1561), o Catecismo Heidelberg (1563), os 39 Artigos, a Confissão de Fé de Westminster, e os Catecismos Maior e Menor (1648).

a. O USO DOS CREDOS.
A Europa Continental estabelece uma teologia com bases nos credos e confissões bem superiores a países de línguas inglesas. Teólogos luteranos e cristãos reformados enfatizam o catecismo mais do que os presbiterianos. Os batistas e os metodistas por sua vez, ignoram completamente as confissões, exceto quando podem se aplicá-las como verificação de outras doutrinas aceitas pela cristandade. Mesmo assim, os liberais, e, em particular, os neo-ortodoxos na Europa, demonstram grande respeito pelos credos e confissões, especialmente em suas pregações. O valor dos credos e das confissões em escritos e ensinos da teologia é certamente muito elevado. Eles expressam de forma sucinta e clara a fé e a doutrina aceitas tanto pelos conselhos de igrejas como por um grande número de estudiosos cristãos e teólogos, e também pelas maiores denominações protestantes, As teologias escritas por teólogos de língua inglesa e não confessionais tendem a demonstrar uma verdadeira deficiência, que se deve ao fato de não utilizarem os credos de forma completa.

b. AS DIVERSAS RAMIFICAÇÕES CRISTÃS NO BRASIL.
Basicamente existem três ramificações que se apresenta no meio protestante: Tradicional, Pentecostal e Neo Pentecostal.
As Igrejas chamadas “Tradicionais” compreendem as históricas que tiveram origem no inicio da Reforma Protestante.
➡ Luterana. Fundada por Martinho Lutero. (Século XVI)
➡ Presbiteriana. Fundada por João Calvino. (Século XVI)
➡ Anglicana. Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VII (Século XVI)
➡ Batista. Fundada por John Smith (Século XVII)
➡ Metodista. Fundada por John Wesley (Século XVIII)

As Igrejas Pentecostais. São as que tiveram inicio com o reavivamento nos EUA entre 1906 a 1910. A experiência do batismo no Espírito Santo teve como consequência a exclusão de muitos membros das igrejas tidas como tradicionais. Daí o surgimento da Assembleia de Deus (não a brasileira). As principais Igrejas Pentecostais no Brasil são:
➡ Assembleia de Deus. Fundada por missionários suecos. Daniel Berg e Gunnar Vingrem (1911). É a principal expoente Pentecostal no Brasil.
➡ Comunidade Cristã no Brasil. Fundada por Louis Frascescon (1910).
➡ Igreja do Evangelho Quadrangular. Fundada por Aimée Semple McPhersom (1950).
➡ Igreja Deus é Amor. Fundada por Davi M. Miranda (1962).

Neo Pentecostais. São as Igrejas oriundas do pentecostalismo original ou mesmo das Igrejas Tradicionais. Surgiram em 1960. Nos EUA são chamados de “Carismáticos". No Brasil as principais Igrejas Neo Pentecostais são:
➡ Igreja Universal do Reino de Deus. Fundada por Edir Macedo (1977)
Igreja Internacional da Graça de Deus. Fundada por Romildo R. Soares (1980).
➡ Sara Nossa Terra. Fundada por Robson Rodovalho (1980).
➡ Renascer em Cristo. Fundada por Estevam e Sônia Hernandez (1986).

4.  A TEOLOGIA FILOSÓFICA.
A história da Igreja Cristã demonstrou que de alguma a filosofia em parte, influenciou alguns ensinos da teologia cristã. No entanto Filosofia e Teologia são ciências distintas, quer pelo método quer pelo objeto. A filosofia tende a proceder por raciocínios lógicos, a partir dos princípios da razão pura, tendo como objeto principal o mundo e o homem. A Teologia, por sua vez, procede a partir da fé na Revelação divina, procurando o entendimento dessa fé, e do seu objeto primeiro, o próprio Deus. Assim, podemos dizer que a Teologia é a ciência da fé enquanto a filosofia a ciência da razão.

Contudo tal distinção parece não fazer necessariamente uma separação entre as duas ciências. Não temos como negar haver certa participação por parte de autores modernos como João dos Santos Tomás, Cardeal Cajetano, Leibniz Maritain, Ettienne Gilsone e Josef Piepper. E de autores contemporâneos, como Agostinho, Tomás de Áquino e outros. Todos procuraram ou procuram correlacionar ambas às ciências. A verdade fica contudo, na afirmação que a filosofia pode influenciar a teologia tento positiva quanto negativamente.

Influência Positiva. A influência positiva acontece basicamente quando uma síntese básica é proposta entre a teologia e a filosofia. A primeira tentativa importante em relação a uma síntese assim, provou não ser tão perigosa. Foi feita por Agostinho, em uma tentativa de ajustar o Platonismo ao Cristianismo.

Influência Negativa. A Influência negativa se dá quando uma síntese mais séria é apresentada, e se consuma de fato. Um exemplo prático que temos aconteceu com o uso das cartas pseudo-dionisianas, que mesmo questionadas há muito tempo, só tiveram as suas falsificações finalmente comprovadas no período da Reforma. O Cristianismo e o Neo-platonismo foram, em razão desta tese, mesclados e trouxe prejuízos enormes à ortodoxia cristã.

A Igreja Católica Romana em sua visão sobre pecado, salvação, celibato e purificação é afetada diretamente por erros filosóficos. Tomás de Aquino até tentou elaborar uma síntese para reter a influência plotiniana em sua teoria, mas acabou adicionando um misto de método de Aristóteles e filosofia formando uma doutrina que agora é conhecido como Tomismo. Isto se tornou a base filosófica da teologia da Igreja Católica Romana.

a. OPNIÕES E TESES.
O Tomismo, sistema filosófico elaborado por Tomás de Aquino, foi o grande responsável por apresentar uma aceitável solução para a contradição entre fé e razão, delimitando-as em campos distintos. Reinou até pouco tempo quase que de forma suprema nas instituições católico-romanas, recebendo um forte apoio até mesmo de algumas universidades seculares. Porém logo surgiram outras teses elaboradas por grandes pensadores ou teólogos.

Hegel. Apresentou um sistema filosófico racionalista que se tornou a única fonte de teologia. Ele estabeleceu uma tríade ou a dialética de três pontos. Cada ponto traz em si mesmo sua contradição, e dessa contradição surge um terceiro elemento, que ao mesmo tempo nega e afirma o primeiro, elevando-o: Tese, antítese e síntese. Ou afirmação, negação, que conduz a uma nova síntese. Hegel explicou a criação e o desenvolvimento do homem sob uma base similar. De acordo com Hegel e com os teólogos hegelianos, Deus, a criação, a queda, Cristo e a salvação devem ser explicados com as tríades da dialética.
Harnack. Aplicou as tríades de Hegel à história da igreja primitiva, formulando o dogma.

Paul Tillich. Também seguiu Hegel até mais de perto. Ele viu Deus como alguém desenvolvido a partir do Ser, o “Movedor Imóvel” de Aristóteles, até o Ser Criativo através de uma tríade do Ser, Não-Ser e Poder de Ser. Não satisfeito, ao invés de parar neste ponto ele continuou a fim de transformar o Poder de Ser no Pai, e então colocou isto como a nova tese, como uma antítese ao Logos, de onde vem uma síntese, o Espírito. O Espírito representa Deus como um Ser criativo e não ambíguo.
Emmanuel Kant. Três sistemas filosóficos foram mencionados, dentre os quais os dois últimos têm uma influência muito perigosa sobre a teologia. O quarto provou ser, talvez, ainda mais importante. Trata-se do sistema de Immanuel Kant. Ele ensinou que o homem não pode ter um conhecimento real do Ding-an-zick, sto é, da coisa em si, e que, portanto, não pode existir um verdadeiro conhecimento de Deus. Esta visão nos leva a duas principais reações filosóficas que entraram na teologia sistemática e podem ser observadas:
(1) Naqueles que não viram saídas para conhecer a Deus e conhecer algo a respeito dele por revelação e mudaram completamente da revelação à psicologia e os sentimentos;
(2) naqueles que ficaram impressionados pelas causas dos problemas epistemológicos atuais colocados por Kant e que se empenharam para superá-las através da teoria da revelação.

Sõren Kierkegaard. Argumentou que os homens ao receber a revelação de Deus, se deparam com problemas que surgem por não possuírem categorias para receberem a verdade que não está limitada pelo tempo e pelo espaço. Assim como Kant, mas utilizando outra terminologia, Kierkegaard argumentou que a verdade, uma vez vindo de Deus, é isenta de tempo e espaço e, portanto, não pode ser captada pelo homem finito. O homem, portanto, força a revelação divina a se adequar às suas próprias categorias de tempo e espaço, Para explicar a apresentação da Bíblia nas categorias do tempo-espaço de seu conteúdo e dos ensinamentos a respeito do pecado original, milagres, céu e inferno, Kierkegaard inventou conceitos como comunicação indireta (por Deus não poder revelar a Si mesmo diretamente em discurso e palavras), mito, símbolo e saga. Ele acreditava que a revelação pode vir somente nestas formas literais peculiares porque o homem não tem um local em sua mente para receber a verdade que não está limitada ao tempo e ao espaço,

Karl Barth. A visão de Kierkegaard foi reestruturada e adotada por Karl Barth e pelos teólogos neo- ortodoxos. Para Barth, a revelação é algo que acontece à medida que a pessoa lê a Bíblia, ou ouve a Palavra de Deus em uma proclamação ou pregação. E um evento no qual a Palavra de Deus supostamente falível, a Bíblia, torna-se a verdadeira Palavra de Deus, ou de Cristo, em um momento no tempo. Emil Brunner concorda com Barth neste ponto, e Tillich, embora mais à esquerda, difere somente no fato de ter o mesmo ponto de vista, porém dentro de seu próprio sistema ontológico hegeliano.

O lugar da filosofia na teologia sistemática é negativo, pois uma boa teologia considera a filosofia e suas ideias como visões errôneas de uma doutrina, principalmente com a finalidade de refutá-las. A Teologia discute a filosofia mostrando quão pobre ela é como concorda ou discorda dos ensinos da Bíblia. Geralmente uma teoria baseada na filosofia pode se mostrar instável sem seu próprio campo antes de se mostrar em conflito com os ensinamentos das Escrituras. Se uma teologia sistemática se recusar a entrar nas listas de combate com a filosofia, assim como em seu próprio campo, ela provará ser inadequada para fazer frente às filosofias mundanas de seus próprios dias e de outros tempos.

As teologias sistemáticas escritas por homens como Charles Hodge, Herman Bavinck, Louis Berkhof e J. O. Buswell, Jr., junto com a teologia bíblica de B. B. Warfield são notáveis por suas habilidades neste campo de trabalho. Sua maneira de lidar com a filosofia popular nos dias em que foram escritas, faz com que sejam oportunas e de valor para sua própria época.

5. A CIÊNCIA E A TEOLOGIA LIBERAL.
A Teologia Liberal foi um movimento Teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do século XX. Tal sistema relativizava a autoridade da Bíblia, tentando mesclar a doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um cristão que não conhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado pelo protestantismo de "Teólogo Liberal".

Na verdade, desde os tempos de Copérnico e Galileu que a Igreja vem debatendo questão da teologia em relação à ciência que as tornam inconciliáveis. Percussores de tal movimento buscavam uma negação da Teologia com indagações tipo:
➡ As leis e a física excluem os milagres?
➡ A questão nega a metafísica?
➡ O materialismo constantemente se levanta para desafiar o teísmo.
A teoria da evolução em particular tem sido usada para desafiar as revelações do Genesis?
➡ E a descoberta de resquícios antropológicos? Contestam os registros Bíblicos sobre a criação do homem?

Os métodos da ciência apareceram com objetivo de negar qualquer possibilidade da teologia se basear em fatos que podem ser comprovados. O positivismo filosófico buscando limitar qualquer conhecimento de fatos em relação à existência de Deus questionou qualquer das afirmações de Sua existência, alegando que são baseadas em ideias que não podem ser comprovadas como um fenômeno físico através de testes de laboratório. Portanto, a ciência tendencialmente buscou negar a realidade de Deus e a veracidade da teologia. Isto significa que deve ser extraída qualquer consideração adequada de descobertas científicas, e deve-se apresentar uma visão do espiritual e transcendente que não confunda a esfera física com aquela que é mais elevada, a do universo imaterial e espiritual.

a. EXPLICAÇÃO CONCEITUAL.
Quem iniciou o conceito da Teologia Liberal no meio evangélico foi o alemão "Friedrich Schleiermecher" (1768/1 834), que negou a autoridade e a historicidade dos milagres de Cristo, não deixando uma só doutrina bíblica sem contestação. Para ele, o que valia era o sentimento humano: Se uma pessoa sentia comunhão com Deus, ele estaria salvo mesmo sem crer no Evangelho de Cristo. Meio século após o inicio do movimento da Teologia Liberal surge outro Teólogo questionando a autoridade Bíblica, Albrecht Ritschi. (falecido em 1889). Para ele a experiência individual vale mais que a revelação escrita. Assim pregava que Jesus só era considerado Filho de Deus porque muitos assim o criam, mas na verdade era apenas um grande gênio religioso.

Ernest Troeschl (falecido em 1923) foi outro defensor do liberalismo teológico. Para ele o Cristianismo era apenas mais uma religião entre tantas outras, e Deus se revelava em todas, embora o cristianismo fosse o ápice da revelação.

b. TENDÊNCIAS DA TEOLOGIA LIBERAL MODERNA.
A Teologia Liberal trouxe grande divisão à ortodoxia. Seus ensinamentos trouxeram rompimentos em quase todas as denominações evangélicas históricas. Pelo crescimento dessa Teologia em seminários e Igrejas, houve uma reação conhecida como "Fundamentalismo".

O Liberalismo teve seu maior crescimento no século XX especialmente nos EUA. Muitos Teólogos saiam dos EUA para obterem graduação na Europa, especialmente na Alemanha. Com isso deu-se inicio a uma verdadeira batalha entre os Libberais e os Fundamentalistas. Como os Liberais estavam muito fortes nesta época, os Fundamentalistas se viram obrigados a abandonarem suas denominações, abrindo outras dentre as quais destacamos:

➡ Os Batistas Regulares (Formaram a Associação Geral das Igrejas ➡ ➡ Batistas Regulares, em 1932).
➡ Os Batistas Independentes.
➡ As Igrejas Bíblicas.
➡ As Igrejas Cristãs Evangélicas.
➡ A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936 mudou de nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa)
➡ A Igreja Presbiteriana Bíblica (1938).
Outras denominações que existem ainda hoje.

c. O QUE FALAM OS DEFENSORES DO LIBERALISMO.
Vamos ver alguns dos ensinos perniciosos desta Teologia chamados de Pontos do Liberalismo teológico.

➡ Deus é puro amor, e não tem padrões morais. Pelo seu amor e paternidade todos têm filiação divina e nenhum homem tem separação por causa do pecado.
➡ Existe uma “centelha" divina em cada pessoa. Senso assim, o homem é bom ele só precisa de um incentivo para fazer o que é correto.
➡ Jesus não é o Cordeiro Salvador. Quando a Bíblia diz que Ele é salvador, está querendo afirmar seu exemplo de vida, sua proximidade com Deus.
➡ Todas as Religiões nos levam a Deus, o Cristianismo é apenas a melhor forma delas.
➡ A Bíblia não é veraz, confiável, inspirada e infalível. Ela é somente uma literatura para os judeus e cristãos poderem praticar.
➡ As Confissões criadas nos Concílios, não são essenciais para o Cristianismo.
➡ Negam a Divindade de Cristo. Jesus é apenas um homem divinizado.
Milagres e nascimento virginal nunca existiram, foram construções mitológicas da Igreja Primitiva.
➡ Jesus morreu apenas para dar o exemplo, nunca pelos pecados de ninguém.
➡ Não houve ressurreição literal e física, nem haverá qualquer retorno de Cristo.

Embora a Teologia Liberal tenha nascido no protestantismo, hoje ela é mais influente no Catolicismo Romano. As ideias filosóficas iniciaram os estudos, e criou um cetecismo a cerca dos Evangelhos. Não somente dos Evangelhos de todo o NT. Questionaram a veracidade do Cristianismo e da Bíblia, afirmando que a mesma só tinha confiabilidade em regra de fé e prática, ética e moral. Entretanto, o que é histórico, cosmológico e sobrenatural, ela é falível.

6. A TEOLOGIA MODERNA.
A teologia moderna deve ser distinguida da teologia evangélica e ortodoxa que se atém à infalibilidade da Bíblia nos escritos originais. Este tipo de teologia é uma questão multidimensional, podendo ser mais bem entendida e vista primeiramente através da sinalização de alguns de seus denominadores comuns, e então considerando suas variantes mais significativas. Em todo caso, ela é marcada em maior ou menor grau pela sua aceitação das teorias radicais da Alta Crítica dos dois últimos séculos.

Entre os Neo-Ortodoxos e os liberais não houve qualquer preocupação em relação ao desenvolvimento ou consequências da Teologia Moderna, visto que em seus ensinos o homem somente recebe a verdadeira Palavra de Deus quando a Bíblia falível se torna a Palavra de Deus, de forma subjetiva, então chamada de “evento da revelação”. Eles geralmente só mostram as suas atitudes sob uma aceitação tácita das teorias críticas. Ambos são fortemente opostos ao sobrenaturalismo e à crença em milagres, e ensinam que as Escrituras estão repletas de contradições, erros e paradoxos. Existem três correntes principais:

➡ Os Liberais fora de moda, cujo expoente de maior presença é Nels Ferré,
➡ Os Neo-Ortodoxos, e uma síntese americana híbrida de liberalismo e Neo-Ortodoxia. A escola liberal é uma continuação do antigo liberalismo alemão. Os Neo-Ortodoxos são os seguidores de Karl Barth, embora a maioria seja separada dele devido a certos detalhes e particularidades. Todo Neo-Ortodoxo baseia sua teologia mais ou menos no existencialismo de Kierkegaard e seu desenvolvimento em um existencialismo recente,
➡ A escola americana da síntese é centrada no Seminário Teológico da União, e teve por muitos anos como seus líderes mais importantes Reínhold Niebuhr e Paul Tillich. Este foi tão além do liberalismo ou Neo-Ortodoxismo que se tornou o fundador de uma nova escola de teologia, ou seja, a teologia ontológica. Ele apresentou um sistema baseado na síntese da visão que Hegel tinha de Deus, do mundo e do homem, e na evolvente pirâmide de Aristóteles da atualidade e potencialidade, iniciando com o ser potencial e seguindo através de dimensões diferentes - inorgânicas, orgânicas, psicológicas, espirituais - até o Novo Ser, e a atualização de todas as potencialidades essenciais, e então retomando a Deus ou ao Poder de Ser para desfrutar a “vida eterna”.

7. HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E RELIGIÃO COMPARATIVA.
A Religião Comparativa ensina que o cristianismo é resultado de uma longa evolução das religiões. Segundo dizem, surgiu a partir de um estado primitivo do politeísmo e do monoteísmo chegando até a presente forma. Os críticos alegam que no estudo comparativo de religiões existem na cristandade uma falta de distinções e valores absolutos o exclusivos. Esta visão se desenvolveu da seguinte maneira.

O desenvolvimento histórico da cristandade foi primeiramente enfatizado por Estudiosos na Alemanha, e por holandeses da "Escola Leiden de Teologia", na Holanda.

Os compêndios de religião comparativa adicionaram um rico material a respeito de todos os principais movimentos religiosos no mundo. Isto levou alguns a concluir que o cristianismo é o resultado de um longo processo de desenvolvimento do puro paganismo à sua forma atual.
Chegaram à conclusão de que a cristandade não possui qualidade real distinta que possa colocá-la acima das outras religiões.
Encontraram certas passagens que ilustram a teoria histórico religiosa da origem em relação à natureza da cristandade.

Em uma boa teologia sistemática, as referências aos ensinos das religiões pagãs têm seus lugares quando usadas para ilustrar a luta do AT contra a idolatria, ou as diferenças entre a verdade revelada e as práticas pagãs que o homem tem desenvolvido para substituir a verdadeira adoração a Deus (Rm 1.23).

8. TEOLOGIA DA PSICOLOGIA E A ABORDAGEM PSICOLÓGICA.
Quando falamos em abordagem psicológica, somos conduzidos historicamente para um tempo no passado quando o grande teólogo Pensador Emmanuel Kant (1724/1804) fez a seguinte abordagem em relação à revelação divina: Tudo que o homem pode conhecer são as aparências das coisas, ou o fenômeno. Tudo que a mente humana pode acessar está gravado nela, como uma carta no correio, através do formato exterior da mente (o espaço), e do formato interior (o tempo). Uma vez que o formato interior (tempo) está dentro da mente, até o que é concebido como dentro da mente é suspeito, visto que ela está marcada pelo tempo. Ainda assim, o homem não pode saber o nome, a coisa em si, quer seja pelo raciocínio teórico (ou seja, o raciocínio que é conhecido a partir da realidade exterior), quer seja pelo puro raciocínio (ou seja, o conhecimento concebido dentro da mente).

Kant ainda prosseguindo sua dissertação tentando trazendo mais luz a sua abordagem psicologica com a seguinte conclusão: Deus, não é limitado pelo tempo nem peio espaço, certamente não pode ser conhecido. O problema é que neste ponto, Kant desce a uma categoria conhecida como “noumenon”.  Seguindo-se então uma dúvida, Como então pode o homem ter uma fé religiosa? Kant mesmo replica dizendo que cada homem encontra dentro de si um imperativo categórico, um "Vós deveis", que acaba o levando à formulação da regra ou Imperativo categórico, “Aja como se o máximo de tua ação fosse se tornar, através da tua vontade, uma lei universal ou natural”.

Houve duas reações esperadas, mesmo por parte daqueles que aceitaram os argumentos de Kant.

➡ Primeiro: Alguns procuraram desenvolverem uma soluções para o problema filosófico epistemológico, o problema de conhecer a Deus se Ele está na categoria do “noumenon”. Kierkegaard e os neo-ortodoxos defenderam esta abordagem.

➡ Segundo: Houve os que voltaram como Kant havia feito, ao próprio homem e tentaram resolver o problema através de uma psicologia da experiência religiosa, O imperativo categórico de Kant é, na verdade, uma, reestruturação do vocabulário da Regra Áurea (Mt 7.12), mas falta-lhe a segunda, uma vez que ela só oferece conceitos sem conteúdo, enquanto a lei de Cristo é dada como consumação e sumário do conteúdo da segunda lista das leis de Deus (cf. Mt 5.21,27,43),

Para preencher o vazio no conhecimento de Deus causado pela visão de Kant, Schleiermacher levou adiante a teoria de que a cristandade e a religião são baseadas não somente em uma ordem "Du solst", mas também em um sentimento inerente de dependência no homem, que clama pelo evangelho. Esta é à base da consciência religiosa pela qual devemos começar.

Ritsehl tomou o desafio de Kant com o objetivo de estabelecer a religião sobre a experiência subjetiva, mas escolheu outra origem, O objetivo do homem é o reino de Deus na terra. Isto porém deveria ser baseado em julgamentos dos valores, ou seja, os valores que o homem obtém tomando suas próprias decisões a respeito de Deus. A visão de Schleiermacher naufragou pelo fato dele entender que o homem pode estabelecer uma religião da mesma forma que a cristandade o faz em seu desejo de expressar os seus sentimentos de dependência de uma força superior, Ritsehl, pensava que, se este julgamento de valores for verdadeiro, uma criança pode também ser salva por acreditar em Papai Noel tanto quanto em Jesus Cristo. As tentativas para basear a teologia no que pode ser encontrado na psicologia da experiência religiosa falharam. Todavia, a psicologia tem informações valiosas a oferecer na formulação de uma boa teologia. Os sentimentos do homem ao estranhar os seus semelhantes e a Deus, a ansiedade persistente que o assombra até a morte, e seu sentimento de culpa são todos testemunhas do pecado e da depravação do coração humano. Eles revelam a categoria existencial para a uai uma teologia sadia e biblicamente fundamentada deve dar as respostas.

Há um desafio e uma tarefa da teologia sistemática de nossos dias: expor os fundamentos filosóficos das teologias modernas, mostrar os erros em suas filosofias e então apresentar as doutrinas bíblicas sobre o mesmo assunto, apontando o caminho no qual as doutrinas reveladas das Escrituras respondem a erros filosóficos da teologia moderna, e, assim, escapar de suas consequências devastadoras.

Conclusão
Podemos fazer uma boa apresentação da teologia desde que seja ela baseada em uma completa teologia bíblica, podendo tirar algum proveito dos credos e das confissões das igrejas ortodoxas e dos consequentes desenvolvimentos doutrinários. Para que seja efetiva nossa apresentação teológica nos tempos atuais, podemos até considerar a filosofia que está por trás de todas as variantes e visões equivocadas. Assim, a filosofia se torna uma fonte negativa da teologia. A tradição, da maneira que é usada na formulação Católico Romana de seus dogmas, também deve ser classificada em uma categoria negativa, mas demanda atenção adequada a fim de que os erros sejam expostos. Os fatos provados da ciência demandam um lugar, mas os que são apenas teorias devem ser examinados mais cuidadosamente (por exemplo, a evolução). A história e os dados de religiões primitivas e pagãs se considerados e explicados biblicamente podem ser de grande ajuda. Finalmente, a psicologia apresenta ao teólogo com um dilema existencial do homem com seus sentimentos sobre aquilo que lhe parece “estranho”, seu “complexo de culpa, sua “medo da morte”, sua inerente “necessidade de religião”, e seu inato “imperativo categórico”“. Os problemas psicológicos do homem propõem questões existenciais para as quais somente uma completa teologia sistemática pode dar respostas teológicas completas. Neste caso, fica a  Bíblia a inerrante Palavra de Deus. fonte Teológica para os nossos estudos.

Bibliografia:
(Saber ao Alcance de Todos. Profmsraimundo.blogspot.com.2014/08)
presbiteros.com.br.
winkipédia.org.br
Pensamcritico.com
Icp.com.br
Dicionário bíblico wicliffe-charles-f-pfeiffer-howard-pdf
Cacp.org.br
Cpaj. Makenzie.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Carta aos Romanos III

ESCOLA BÍBLICA
IGREJA BATISTA NACIONAL VALE DAS BENÇÃOS
EM BACAXÁ/ SAQUAREMA
CARTA AOS ROMANOS
LIÇÃO III
HOMOSSEXUALISMO, PECADO CONTRA A PESSOA DE DEUS.

Texto Básico: Romanos 1.26-32
26. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; 29 Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30 Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; 31 Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32 Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

Introdução. Na lição passada discorremos no texto até o verso 26 onde o Apóstolo Paulo adverte a igreja em Roma de uma prática pecaminosa que possivelmente estaria acontecendo dentro da comunidade cristã. Paulo discorre no texto e faz a seguinte alusão: “... Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.”. Destacamos no texto certa conjunção coordenativa no termo "suas" de maneira a entender que se tratava de mulheres que pertenciam à igreja. É possível perceber que o apóstolo trata de desvios das práticas consideradas naturais entre as mulheres. "mudaram o uso natural, no contrário à natureza".  E substituem o natural por práticas reconhecidamente imorais, e totalmente inversas aquilo que Deus planejou e instituiu como correto. A partir do verso 27, “Semelhantemente os homens,”. O Apóstolo muda o foco, ou melhor, o gênero do foco. Aqui temos o termo "Semelhantemente...” que não só modifica o gênero, mas, que define o versículo anterior. O termo "semelhantemente” aparece com o sentido de unir os dois versículos (26,27), no mesmo tema, indicando duas formas em que um mesmo pecado se apresenta. Algumas palavras vão esclarecendo a exposição do Apóstolo em relação ao assunto que deseja expor. "Semelhantemente os homens, deixando o uso natural da mulher...”.

I. O PECADO DO HOMOSSEXUALISMO MASCULINO.
A clareza do texto nos impede de ignorar o assunto e o rumo da carta. O Apóstolo passa a tratar do mesmo pecado, porém agora numa exposição direta ao sexo masculino. "E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens..."  O texto é específico que não permite qualquer margem de erro quanto a sua interpretação. Aliás, o texto por sua clareza dispensa qualquer esforço no sentido de interpretá-lo. Na observação paulina, os homens estavam "deixando" de se relacionar com mulheres, e passaram a se relacionarem entre si, em uma sensualidade completamente fora dos propósitos divinos.

1. "SE INFLAMARAM..." EXEKAUQHSAN (AORISTO PASSIVO DO VERBO EKKAIOS).
1.27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros...
O termo "inflamar" utilizado por Paulo, segundo os estudiosos da língua original, é um "Aoristo", isto é, um tempo verbal da língua grega antiga que expressava uma ação passada. (este tempo verbal não é mais usado). O sentido usado aqui aponta para o entendimento de que os homens citados substituíram a parceria feminina em seus relacionamentos sexuais e “atearam fogo” em si mesmo ao escolherem como parceiros pessoas do mesmo sexo. Paulo quer demonstrar o mecanismo de um sentimento libertino completamente desprovido de senso moral e diferente daquilo que desde o inicio Deus instituiu, chamado casamento. A formula divina para o casamento é imutável, Um homem e uma mulher, Qualquer coisa diferente disto é biblicamente considerado um desvio. Mesmo que muitas pessoas não concordem, o texto tem uma visão bem simples, o suficiente para não deixar qualquer tipo de dúvida quanto ao assunto. “... se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens...”.

Semelhantemente os homens... Primeiro temos o gênero do qual ele passa a descrever.
...mutuamente se inflamaram... Em seguida o texto indica que tal prática pecaminosa envolve duas ou mais pessoas reciprocamente com objetivo de praticar ações consideradas pecaminosas.
...cometendo torpezas... Aqui é apresentada nominalmente a prática do pecado. Paulo chama de Torpeza cujo significado fala de procedimentos vergonhosos e indignos. Indica literalmente ações indecentes, nojentas e infames. (Dic. Informal).
...homens com homens... Para não ficar qualquer dúvida, Paulo ao indicar a prática vergonhosa, também indica as pessoas que fazem uso da prática denominada por "torpeza". Práticas completamente diferentes daquelas que Deus idealizou para o homem.
...e recebendo em si mesmos a merecida punição de seus erros. Por fim, o Apóstolo descreve o resultado final pela escolha de tais pessoas fizeram.

2. DEUS OS ENTREGOU...
Rm 1.28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;
A descrição prossegue e passa a focalizar as consequências da prática do pecado. O texto caminha para o entendimento de que pecado é fruto de uma escolha inconsequente, e que em nenhum momento esta escolha receba algum tipo de permissão ou tolerância Divina. A permissão se dá somente no fato dos homens sofrem em seus próprios corpos as consequências de seus delitos. Deus não tolera o pecado! Todavia, por amar o pecador, entregou Seu Filho para salvação de todos quantos queiram. Jo 3.16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

O Dr Rick Fitzgibbons no texto "A política sobrepondo à ciência" falando em relação à pressão para as uniões homossexuais no Canadá, quando perguntado sobre as doenças médicas associadas com a homossexualidade, respondeu o seguinte:
⏩ A lista de doenças médicas encontradas com extraordinária frequência entre homens homossexuais praticantes como um resultado de comportamento homossexual anormal é alarmante: Câncer anal, chlamydia, trachomatis, cryptosporidium, giárdia lamblia, herpes, HIV, vírus papiloma humano, HPV ou ferida genital, isospora, belli, microsporída, gonorreia, hepatite viral tipos B e C, sífilis. A transmissão de algumas dessas desordens é tão rara na população heterossexual chegando a ser desconhecida. Outras, quando encontradas entre heterossexuais e homossexuais praticantes são claramente predominantes por aqueles envolvidos em atividade homossexual... (explanada.org.br – blog do Ivan – 255-c)

3. CHEIOS DE TODA INJUSTIÇA...
1.28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;
Esta frase abre a discussão em relação ao estado emocional das pessoas que escolhem estas praticas como habituais. São praticas, e é bom que entendamos, que não se trata apenas de práticas homossexuais, embora seja este o contexto da abordagem do Apóstolo. Rm 1.29 Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. Precisamos obsevar livres de qualquer preconceito ou mesmo de ideias pré-concebidas que, seguido ao termo "iniquidade" vem termos como prostituição e malícia, que indicam as práticas sexuais tidas como depravação do corpo. Mas em sequência, Paulo abre mais seus argumentos e insere termos como: avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda, engano etc. Pecados que não estão necessariamente ligadas à prática homossexual. São práticas pecaminosas sim, mas independem de sexo ou das escolhas sexuais consideradas erradas. Qualquer pessoa seja homem ou mulher podem ser atraídos e praticarem qualquer um destes erros. Mas, se Paulo os cita em conexão com o tema "homossexualismo", ele o faz numa abordagem mais dinâmica dos aspectos negativos da prática. É certo que Paulo, por exemplo, não quer dizer que os homossexuais são "homicidas", mas ele apenas indica que a prática do pecado pode, em razão de problemas de relacionamentos conduzirem a ações tais que culminem na prática ou até mesmo vitimando o pecador. Paulo não escreveu com o objetivo puro e simples de denunciar e excluir tais pessoas do rol de membro da Igreja, até porque isto parece bem fácil. Mas o objetivo do apóstolo foi o de auxiliar tais pessoas a continuarem a ser recebidas na fé cristã. Ele não aprovou em nenhum momento tais práticas, mas deixou claro que seu objetivo ajudar e cuidar delas. Ao longo dos textos bíblicos, estas mesmas práticas são apresentadas sem nenhuma conexão com o tema, mas podemos tentar entender um pouco de seus significados.

Iniquidade. Pv 6.12 O homem... Iníquo tem a boca pervertida. A iniquidade visa trabalhar no sentido de tornar normal o que é pecado. Ela, uma vez no coração, não permite a produção do sentimento de culpa por pecados cometidos. Ser iníquo é, no sentido da palavra, ser alguém que realiza atos reprováveis de transgressão da lei ou os bons costumes e já não sente nenhum tipo de peso em sua alma.

Prostituição. ICo 5:9 Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem. Indica a prática de usar o corpo como mercadoria, isto é, mediante certa remuneração. A prostituição é a troca consciente de favor sexual por dinheiro ou algum outro benefício. São práticas sexuais fora dos padrões, isto é, reconhecidamente entendidas como promíscuas, isto é, sem regras determinadas.

Malícia. É a tendência perniciosa de inclinação para o mal. É uma atuação ou ação maligna que faz com que o indivíduo pense ou deseje apenas o pior em relação aos seus semelhantes. Uma espécie de má vontade que desperta atitudes de sagacidade.

Percebam que todas estas colocações acima, se encaixam muito bem ao tema transcorrido até aqui. A prática sexual entre pessoas do mesmo sexo transgridem as leis dos bons costumes, são práticas promíscuas e maliciosas. Abaixo, porém, temos outros termos utilizados por Paulo no seguimento de seus comentários que podemos também buscar algumas definições para entendê-los.

Avareza. Apego doentio e exagerado ao dinheiro. Falta de generosidade, mesquinhez. Desejo ganancioso para possuir bens materiais. Ambição cobiçosa desmedida para com as riquezas.
Maldade. Representa o espírito de perversidade, crueldade e malvadeza contra o próximo.
Inveja. Paulo usa o termo “cheios” indicando assim uma completa imersão da mente humana num sentimento de cobiça a vista da felicidade ou da superioridade de outrem. 
Homicídio. Ou “assassinato” , que é o ato de tirar a vida do semelhante. Resultado de uma atitude de desprezo para com a vida humana.
Contenda. Questões pessoais que produzem discussões e que geralmente resultam em agressão física e até mesmo a morte.
Dolo.  Revela o espírito enganador. Um sentido totalmente negativo que expressa um sentimento malicioso. Pode ser entendido também por ato consciente com que se iduz, mantém ou confirma outrem num erro.
Malignidade. O termo aparece uma única vez neste versículo e trata de um sentimento pernicioso, sendo uma perversão do espírito e da alma do homem, pelo maligno. É Satanás que leva o ser humano a deleitar-se na maldade.

II. DISPOSIÇÃO MENTAL REPROVÁVEL...
Rm 1.30 Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.
Mais algumas expressões aparecem aqui. A lista parece interminável. Mas, o escritor bílico, declara que são sintomas de uma doença chamada pecado, e se não houver cura, a sentença é uma só: ...São dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

1. PECADOS CONTRA PESSOAS.
O termo apresentado por Paulo fala da mente que, segundo ele, não passou no teste. É certo que existiam pessoas que não praticavam os pecados relacionados pelo Apóstolo, mas entre estes, havia aqueles que mesmo sem praticar, consentiam tas práticas pecaminosas na Igreja. A Igreja não pode permitir que aqueles que se uniram a ela abraçando a fé cristã, permaneçam em práticas condenadas pela Bíblia. A fé cristã é evidenciada exatamente pelo abandono de tais práticas.

Os Murmuradores ou injuriadores. São Pessoas que reclamam constantemente e com palavras e gestos conseguem agridir ao próximo ofendendo moralmente e de maneira negativa. Expressa certa atitude mentirosa de conspiraçõa contra alguém com intenções negativas causando difamação e calúnia.

Os Insolentes. Este termo mistura crueldade com orgulho. Representa o desprezo por outras pessoas, e revela-se na crueldade sádica de contentamento diante do sofrimento alheio.

Soberbos. Pessoas que se conduzem com arrogância e orgulho, insultando e humilhando pessoas consideradas menos capazes ou indefesas.

Os Presunçosos. Atitude de vanglória, egoísmo, jactância; o termo originou da palavra “alazão” aplicado a determinada raça de cavalo em referência a seu porte garboso, altivo, orgulhoso.

Inventores de males. Este termo revela o espírito do homem que mesmo sendo intelectual utiliza de sua experteza para abater a sensibilidade moral e espiritual de alguém. São pessoas que agem com tal infidelidade quebrando pactos e alianças que são consideradas pessoas mentirosas.

Desobedientes aos pais e às mães. Muitos erros, para não dizer a maioria deles, acontecem exatamente em virtude deste mal. Paulo declara Ef 6.1-4 que os Filhos devem obediência aos pais, e é aqui que muitos erram. Preferem viver suas vidas de maneira a não precisar dar satisfação a ninguém, inclusive aos pais. Em seguida o Apóstolo procura estabelecer uma conexão quando diz: Honra a teu pai e a tua mãe... para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. Neste caso, há uma sentença de Deus para os que escolhem viver tais praticas abomináveis. A resposta é muito clara: a morte eterna! “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”

Pérfidos. Indivíduos que se dão a enganar a boa fé do próximo, ou seja, pessoas que agem com falsidade e espírito de engano, traindo a confiança alheia.

Observem que todas estas caracteristicas indicam desrespeito ou falta de afindadade para com o semelhante. Todas estas práticas são pecaminosas e por isso todas elas são reprovadas por Deus.

2. PECADOS CONTRA DEUS E CONTRA A FÉ.
1.31 Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
Apenas a nivel de facilitação no estudo procuramos fazer esta divisão no texto paulino. Este tipo de divisão não consta no texto. Paulo discorre sobre todos eles seguidamente, sem interrupções ou divagações.

Aborrecidos de Deus. Este termo utilizado somente aqui neste versículo, representa a face diabólica de pessoas que odiadores de Deus. A princípio não temos como entender que pessoas possuidoras de características assim, possam fazer parte da igreja. É mais fácil entender que este tipo de mal atingiu estas pessoas que por alguma razão tenha se afastado da Igreja e da fé cristã.

Impiedade. Aqui, impiedade deve ser entendida como Fracasso religioso. Na verdade, o termo deriva da falta de fé ou mesmo falta de zelo para com as coisas de Deus. Aqui podemos perceber que as pessoas estavam se distanciando da fé em razão do não abandono da prática do pecado.

Perversão. Enquanto a impedade fala do Fracasso religioso, a perversão apresenta o fracasso moral e a injustiça. Do ponto de vista psicológico, perversão define um quadro ou síndrome patológica, na qual o indivíduo busca encontrar prazer enquanto uma outra pessoa sofre, ou seja, o sofrimento e a dor do seu semelhante lhe causa prazer, isto geralmente ligado a sexualidade.

Infiéis nos contratos. Um contrato é um documento redigido por intermédio do qual as partes convencionam prazo, preço, condições e obrigações mútuas para a consecução de determinado fim lícito. Desta forma uma pessoa rotulada como "infiel no contrato" indica alguém que assinou determinado documento e descumpriu as normas estabelecidas. Pessoas assim, segundo conceito bíblico paulino, não se encontram em conformidade com a vontade de Deus. Contratos são redigidos e assinados com o fim de serem cumpridos, exceto haja erros ou descumprimento de outra parte.

Sem afeição natural. Aqueles que não se importam com o bem-estar do semelhante. Falam da desumanidade que impera na raça humana, mas não movem um mínimo de esforço no sentido de cooperar para exterminação destes mal.  Nos dias de Paulo esse quadro era bem vivo e real, pois se via com freqüência todo tipo de atrocidades sendo cometidas contra pessoas inocentes e indefesas.

Irreconciliáveis. Pessoas com esta característica se mostram incapazes de voltar a uma amizade desfeita. Neste caso, esta incapacidade pode acontecer inclusive se a parte humana por alguma razão se afastou de Deus e se fechou a qualquer possibilidade de reconciliação.

Sem misericórdia. A palavra misericórdia significa “ter compaixão de” ; representa o sentimento que se derrama em amor para com aqueles que necessitam de ajuda. Uma pessoa “sem misericórdia” é aquela que se encontra longe do caminho de praticar tais bondades. 

Glossário.
Transcender. Passar além de; ultrapassar. Exceder, elevar-se acima de.
Imanente. Aquilo que não pode ser encontrado do lado de fora, faz parte do ser, diferente do que transcende.
Asseidade. Do latim "por si". Atributo divino essencial e fundamental, que consiste precisamente em derivar Sua existência de Si mesmo.
Imensidade. Característica de imenso. Que tem uma extensão ilimitada, infinita.
Desmitificar. Desfazer um mito, tirar o caráter de mito.

Carta aos Romanos II

ESCOLA BÍBLICA
IGREJA BATISTA NACIONAL VALE DAS BENÇÃOS
EM BACAXÁ/ SAQUAREMA
CARTA AOS ROMANOS
LIÇÃO II.
Romanos, O Pecado do homem e a Salvação de Deus

Texto Básico: Romanos 1:18-32
18 - Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. 19 - Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. 20 - Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; 21 - Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22 - Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23 - E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24 - Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; 25 - Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. 26 - Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27 - E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 28 - E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; 29 - Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30 - Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; 31 - Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32 - Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

Introdução. A Epístola aos Romanos foi escrita num momento em que a igreja experimentava um afastamento gradual no que diz respeito à fé a vida cristã. Tal  afastamento traz mudanças prejudiciais no estilo de vida cristã, pois características infinitamente mundanas começam a tomar espaço nos lugares de culto. A presença de pessoas em situação de pecados não abandonados vão se tornando frequentes.  Com a urgência dos fatos, o apóstolo precisa apresentar a Igreja um Deus que, mesmo possuidor de um caráter infinitamente pronto a perdoar, não admite em nenhuma hipótese a permanência na prática pecaminosa. Um Deus que em sua maior demonstração de amor, providenciou a nós pecadores um plano pelo qual pudéssemos escapar do engano do pecado  e sermos conduzidos ao perdão e abandono dos mesmos. Para tanto, ao abordar temas relevantes como “salvação”, Paulo expõe o pecado a luz da justiça divina, procurando não só apresentar o problema, mas acima de tudo, apresentar o Deus capaz de salvar o mais vil pecador. Vários temas deverão ser abordados ao longo deste estudo, e será necessário manter os olhos bem abertos e atentos as palavras do Apóstolo, pois, conhecedor dos problemas relacionados ao AT, Paulo procurou mostrar uma mensagem capaz de confirmar, e contextualizar as profecias antigas sem incorrer no perigo de contradizê-las.

I. A JUSTIÇA DE DEUS, INJUSTIÇA DOS HOMENS.
Rm 1.18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens...
O cúmulo do pecado é aplaudirmos os pecadores em vez de lastimá-los ou tentar trazê-los ao arrependimento. Confundimos arte com depravação e desvio moral. Por isso, ao iniciar a Epístola, Paulo fala de um estilo de vida que conhecemos como imoralidade. Paulo não se apresenta como um moralista pois moralista é alguém que prega com rigidez preceitos de retidão moral e de bons costumes, mas vive muito longe de cumprir o que ele mesmo ensina ou prega. Este não era o caso do Apóstolo. Charles Dikens nos dá uma boa dica do que é o moralista: O moralista é como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir para uma cidade, mas ele mesmo não vai.  moralistas alardeiam sua suposta pureza, enquanto os honestos não fazem nenhuma propaganda do seu estilo de vida.

Os moralistas vivem como se fossem pessoas "boas demais" e até muito melhor que todos que a cercam, mas na prática não passam do que Jesus chama de "sepulcros caiados". Mt 23.27  Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.

O que Paulo procura esclarecer não é nada mais do que é ensinado só longo dos textos da Bíblia, que pessoas que optaram viver na prática do pecado são indesculpáveis e não escaparão do julgamento de Deus. Rm 1.22 Dizendo-se sábios tornaram-se loucos.

1. DEFINÇÃO DE DEUS.
Embora encontremos muitas dificuldades para encontrar termos ou palavras que possam definir a Pessoa de Deus, A Teologia assim o define: Deus é um Ser Pessoal, Auto-consciente, Auto-existente. Ele é a origem de todas as coisas, transcende toda a Sua criação, ao mesmo tempo em que está imanente em cada parte dela. Paulo, visto os problemas da Igreja em Roma, procura destacar a Pessoa de Deus através de Seus atributos, isto é, por características ou qualidades encontradas no próprio de Deus. Dentre os atributos divinos, Paulo destaca alguns que podem ser vistos como propriedades também na criação humana, e por esta razão são chamados de Atributos Comunicáveis. (ex. poder, bondade, misericórdia, retidão, etc.) Outros, contudo são qualidades inerentes unicamente a Pessoa de Deus, e a estes chamamos de Atributos Incomunicáveis. (ex. asseidade, simplicidade, imensidade, etc.) Rm 1.19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.  Deus é Todo-Poderoso no sentido estrito da palavra. Seu poder é revelado ao longo, não só da Epístola aos Romanos, mas em toda a Escritura. Sua manifestação é evidente aos homens desde o princípio da criação. A terra e os céus, bem como tudo que Deus criou, seus atributos visíveis e invisíveis, segundo Paulo, revelam a Sua existência e Seu grande e eterno poder. Assim a humanidade não poderá desculpar-se quando comparecer diante de Deus por ocasião do Juízo Final. (A doutrina de Deus será a nova matéria a ser estudada na Escola Bíblica domincal).

2. O DESVIO MORAL HUMANO.
Rm 1.28 “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes”.
A partir deste verso, Paulo passa a retratar bem de perto a real situação de um mundo separado de Deus, mostrando um quadro que retrata uma pecaminosidade com tendências doentias que ele descreve como "disposição mental reprovável para a prática de coisas inconvenientes".  O pior, é que ele está falando de pessoas que da Igreja que vivem em práticas pecaminosas, sem nenhum temor a Deus. O que é facilmente é perceptível é que tal descrição não fala de uma realidade somente para aquele tempo. Rm 1.18 “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. A ira aqui citada demonstra um sentimento consciente, que neste caso parece ser inerente somente a Deus, de uma santidade absoluta incapaz de abrigar qualquer aspecto de pecado. O termo ira,  vem do original grego "orgh" e exprime a indignação relativa ao afastamento gradual do homem se direcionando a uma vida de pecado. O termo indica uma ira disciplinadora cujo objetivo primordial é o de educar o pecador no âmbito social, espiritual e psicológico, com finalidade de preservar sua pureza na sociedade e, em particular, na igreja. Rm 1.20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

II. UM CORAÇÃO OBSCURECIDO.
Rm 1.21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
Parece, pela sua narrativa, que o apóstolo agiu como um verdadeiro investigador, ele recolheu informações em relação aos crentes romanos, e uma vez com fatos apurados, escreve esta carta doutrinária. Paulo mesmo, ao que tudo indica, não foi pessoalmente a igreja em Roma, e mesmo de posse de tais informações, o apostolo escreve inicialmente chamando os crentes de santos, Rm 1.7  A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos... O que parece um contra-censo já que logo em seguida, mediante ao estado em que "alguns crentes" se encontram, se vê obrigado a tratar tais pessoas como uma classe de crentes insolentes e separados de Deus. Rm 1.18 ...sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.  Paulo começa a discriminar uma a uma certas atitudes que interpõem um estilo de vida diferenciado daquilo que se espera de um salvo em Cristo Jesus.  Rm 1.21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

1. O PECADO DA IDOLATRIA.
Rm 1.25 Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente, amém!
A primeira observação vem da prática da idolatria. O termo é uma transliteração da palavra grega "eidololatria", cujo significado aponta para a adoração a ídolos ou imagens. “... adorando e servindo a criatura em lugar do Criador".  Nas palavras de Paulo, este tipo de atitude, que já devia a muito ter sido abolida do meio do povo de Deus, tornou-se uma pratica com enormes prejuízos não só a igreja, mas principalmente aqueles que as aderiram.  Rm 1.23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.  O que percebemos do texto, é que na igreja em Roma, os cristãos começaram a dar certa validação a cultos que a muitos já havia sido abolida do meio do povo de Deus. A adoração devida a Deus foi divida com imagens esculpidas por mão humanas. Figuras de homens, aves e animais em geral passaram preencher o altar que deveria ser unicamente um lugar de adoração a Deus. O resultado não poderia ser pior: Rm 1.24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si.  Desonraram a Deus em práticas idolatras que fugiam completamente da moral e dos bons costumes esperado do povo de Deus.  "Por isso também Deus os entregou às concupiscências..." Como resultado, tiveram de experimentar o peso da separação divina. Separação que começou por eles mesmos no momento em que escolheram uma adoração dividida.  A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo e as escolhas que fizeram foram as piores possíveis. E o resultado... Pecados, pecados e mais pecados!

2. PECADO DE HOMOSSEXUALIDADE FEMININA.
Rm 1.26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
Para um melhor entendimento do assunto que se segue, vamos a uma ilha grega conhecida pelo nome de "Lesbos"  localizada no nordeste do mar Egeu, e que se tornou conhecida como o reduto da prática denominada de homossexualidade feminina.

Isto aconteceu graças a interpretações de uma poetisa considerada e tida como respeitável, conhecida como Safo. Ela nasceu na ilha e sua poesia tinha grande conteúdo emocional dirigido especialmente a outras mulheres. Diz-se que através de seus poemas, Safo  louvava ou relatava  os seus sentimentos afetivos por pessoas do mesmo sexo. Lesbos, em especial a cidade de Eresos, lugar de nascimento de Safo, passou a receber com frequência a turistas lésbicas. Isto ainda hoje. Daí o termo “lesbianismo” referir-se à prática da inversão sexual.

Quase sempre ao falarmos sobre homossexualismo, relacionamos o tema à prática homossexual entre homens. Mas, o tema é mais abrangente e indica também práticas consideradas como perversão sexual entre mulheres.  No caso da prática entre mulheres, pode ser chamado de Safismo ou lesbianismo. Paulo chama atenção para o tema na seguinte expressão: “Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.". A NTLH utiliza o termo "relações" em substituição ao termo "uso natural", dando um melhor entendimento da alusão à prática sexual. Paulo descreve tal prática num sentido de licenciosidade e desregramento dos bons costumes e dos comportamentos tidos como ilícitos. 1Pe 2.16 Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.  A Bíblia desmitifica a sexualidade, mas condena a licenciosidade e a sexualidade distorcida. O termo licenciosidade se define por lascívia, volúpia, luxúria, libertinagem, etc. Todas, atitudes condenáveis pela Escritura.

John Stott em seu livro "Comentário de Romanos, ABU 2000, p. 74", afirma ser uma irrelevância ou uma impossibilidade querer mudar o substantivo "natureza" por "minha natureza". Tal mudança não se justifica, pois algo anormal não deixaria sua anormalidade simplesmente por eu dizer que: "para mim é natural". A palavra “physys" cuja tradução, segundo Stoot, deve ser entendida como: "A ordem natural criada por Deus”, descreve exatamente o caminho inverso que tal prática alienada conduz as pessoas que a escolhem. A frase “mudar o uso natural” nas relações sexuais deve ser entendido com o sentido de que pessoas violaram a ordem estabelecida por Deus na criação. De modo absoluto e incontestável, Deus criou homem e mulher para se relacionarem entre si de modo bem específico e anatomicamente natural. Mudar este aspecto é contrariar o propósito de Deus. Muitas pessoas podem não gostar que tratemos deste princípio, mas é um princípio bíblico que não pode ser mudado a bel prazer.

Na internet encontramos diversas matérias em relação ao assunto. A grande maioria destas postagens  defendem a prática do lesbianismo. E fácil encontrarmos textos que defendem que a mulher, por sua contemporaneidade, possui inúmeras possibilidades de se envolver em relacionamentos amorosos com outras mulheres. Ao longo da história e em decorrência das mudanças que a sociedade vem experimentando, somos, de certa forma, quase que impostos a concordar com a homossexualidade seja no gênero masculino seja no Gênero feminino como práticas aceitáveis. Tal imposição começou a se mover por volta dos anos 60, onde muitos movimentos sociais passaram a lutar por seus direitos e reivindicaram a homossexualidade não como desvio, mas como uma opção ou orientação sexual.
Ef 5:3 Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos;

Porque será que defendem tão arduamente como possibilidades  práticas sexuais condenadas pela Bíblia, como o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo? Porque não defendem a vida conjugal entre um homem e uma mulher? Porque não ensinam o casamento nos moldes bíblicos e a formação de uma bela e feliz família? Porque será que preferem viver o oposto em contrapartida à vontade estabelecida por Deus?

Textos como Gn 2.22-24 são claros em relação a vontade estabelecida por Deus: E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

Da costela de Adão, Deus formou... A mulher, não outro homem! O que Deus estabeleceu desde o princípio ficou bem claro logo no princípio. Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

A mulher foi “entregue" a Adão, não a outra mulher! O que Deus estabeleceu desde o princípio foi um homem e uma mulher. Ambos entregues a uma vida conjugal feliz. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher,

É dito que ambos, homem e mulher se "unem” ou se "apegam"! Depois também é dito que os dois, unidos se tornam... "Uma só carne". A forma perfeita. A criação absolutamente capaz de unir o que foi pensado e estabelecido pelo criador. Observem, no texto não há espaço para outra união que não seja a de um homem com uma mulher. Gn 4:1 E CONHECEU Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim..

Ef 5:25 Vós, maridos, amai vossas mulheres... O Texto de Efésios recomenda ao marido o amor à sua mulher, não fala em possibilidades de um relacionamento diferentes deste!  Não há algo como: "maridos, amais os vossos maridos" ou "mulher, amais vossas mulheres".  No verso 28 o Apóstolo conclui: Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. E ainda completa: Ef 5:33 Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido. É preciso muita vontade para distorcer um texto tão claro como este!

O assunto é extenso, mais na próxima lição continuaremos a tratar do assunto. Não queremos apresentar qualquer preconceito ou qualquer condenação a pessoas. Procuramos caminhar segundo o que a Carta aos Romanos trata do assunto. Discordância com a prática, não temos como evitar visto a clareza dos textos. Mas  as pessoas, demonstramos o sentimento do amor divino pronto a recebê-las e salvá-las.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

CARTA AOS ROMANOS I

ESCOLA BÍBLICA
IGREJA BATISTA NACIONAL VALE DAS BENÇÃOS
EM BACAXÁ/ SAQUAREMA
CARTA AOS ROMANOS
LIÇÃO I. COMEÇANDO A CARTA AOS ROMANOS

Texto Básico: Romanos 1:1-17
1 - PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus. 2 - O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, 3 - Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 4 - Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor, 5 - Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6 - Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. 7 - A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 8 - Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé. 9 - Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10 - Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. 11 - Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; 12 - Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha. 13 - Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. 14 - Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. 15 - E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. 16 – Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. 17 - Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

Introdução: A partir de hoje começaremos uma viajem a uma das Epístolas considerada a mais preciosa dos escrito Paulino. Desta vez vamos nos dirigir a Cidade de Roma e observar bem de perto o que, segundo Martinho Lutero, o Grande reformador da Igreja cristã da Idade Média, seria a principal composição do Novo Testamento e a mais pura descrição dos ensinos contidos nos Evangelhos. Lutero não foi o único a defender esta tese, ainda temos o testemunho de outros escritores e reformadores como:

Calvino. Que escreveu que “Entre as muitas notáveis virtudes, a Epístola aos Romanos possui uma particular, a qual nunca é suficientemente apreciada... Se porventura conseguirmos atingir a genuína compreensão desta epístola, teremos aberto uma amplíssima porta de acesso aos mais profundos tesouros da Escritura”.

João Crisóstomo. O maior pregador do século V. Pedia que a Epístola aos Romanos fosse lida em voz alta, pelo menos uma vez por semana na Igreja.

Agostinho e Wesley. Viveram a firmeza da fé sendo impactados pelos escritos de Paulo aos Romanos.

Todos estes reformadores viram nesta epístola a chave divina para o entendimento de toda a Escritura. O Apóstolo Paulo, nesta carta, conseguiu reunir grandes temas da Bíblia em um só lugar. Paulo vai discorrer sobre temas como: Pecado, Lei, Julgamentos, Destino final da Humanidade, Obra do Espírito Santo, Fé, Obra de Cristo, Esperança Cristã, Plano da salvação, Propósitos de Deus, Vida da Igreja, Lugar do Judeu e dos gentios nos propósitos de Deus, Filosofia da Igreja, história do mundo, a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da Cidadania Cristã e os princípios de retidão e moralidade pessoal.

Romanos é uma Carta que abre uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara. Se quisermos realmente um estudo panorâmico dos grandes temas Bíblico, esta é a nossa oportunidade. Abra seu coração, sua Bíblia e aproveite cada minuto deste estudo. Passaremos algumas terças-feiras sendo abençoados por estas ministrações, então aproveite. Se tiver alguma dúvida, não tenha receio, pergunte, traga o assunto à discussão, certamente você não ficará sem respostas. No demais, irmãos meus... Bom Estudo!

I. A CIDADE E A IGREJA DE ROMA.
Se vamos estudar a Carta de Paulo a Cidade de Roma, é bom que comecemos com uma breve descrição do que era esta cidade nos tempos em que Paulo escreve a sua epístola. Roma como capital era uma cidade sem limites e de grande prestígio. Para Roma convergiam tudo o que se pode imaginar. Para Roma eram levadas todas as riquezas obtidas das conquistas de seu poderoso exército. Roma era um centro cultural, político, social e religioso. Foi em Roma que Paulo encontrou além da opulência da riqueza, uma atmosfera de moral, completamente contrária a prática do Evangelho. Em Roma, como em Corinto, existia um verdadeiro catálogo de vícios que o paganismo gerou. Entre os anos 57/58 época desta carta, vivia-se o tempo do Imperador Nero. Os historiadores calculam que viviam nesta época cerca de um milhão de pessoas entre plebeus e libertos a custa do estado e um grande número de escravos. Os judeus marcavam também sua presença em Roma em grande número em especial ao longo das estradas como comerciantes.

Quanto a Igreja de Roma, os estudiosos entendem não ter sido Pedro ou qualquer um dos apóstolos o fundador tendo em vista que a tradição indica que Paulo não enviaria nenhuma epístola com teor doutrinário a uma Igreja que estivesse com um dos apóstolos a sua frente. Rm 15.20 E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio. Segundo alguns historiadores alguns visitantes romanos estiveram em Jerusalém durante a festa da Páscoa e se converteram no Pentecostes, voltando a Roma levaram a semente do Evangelho.

Uma característica que levou Paulo a escrever aos romanos foi o fato de que eles, por serem predominantemente gentios, agiam de forma intolerante contra os judeus que obedeciam a regras alimentares e cerimônias da tradição judaica.

I. AUTORIA, DATA E LOCAL EM QUE FOI ESCRITA.
Rm 16.23 Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, procurador da cidade, e também o irmão Quarto.
Não temos nenhuma dúvida que foi o Apóstolo Paulo o autor de Epístola aos Romanos tendo em vista que todos os historiadores, sem exceção, concordam com isto. Aos Romanos foi à primeira epístola paulina a ser escrita com característica de ser também a carta mais longa do Apóstolo Paulo. Ela foi muito bem laborada em um texto onde Paulo consegue colocar de forma ordenada o seu pensamento e a sua pregação. A Epístola aos Romanos é o sexto livro do Novo Testamento. Segundo o próprio texto da epístola, Paulo escreveu aos Romanos da cidade de Corinto, quando esteve hospedado na residência de Gaio por ocasião de sua terceira viajem missionária. Gaio era macedônico e foi companheiro de Paulo em sua viagem. Junto com Aristarco, em determinado tempo, Gaio chegou ser arrebatado por uma multidão em um tumulto na cidade de Efésios. At 19.29 E encheu-se de confusão toda a cidade e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo na viagem.

Uma curiosidade é que Paulo não escreveu esta epístola de próprio punho, Tércio se apresenta como seu escritor. Rm 16.22 Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor.

Quanto à data, a maioria dos estudiosos do NT entendem ter sido entre os anos de 57/58 d.C. tendo como portadora a diaconisa Febe. Rm 16.1 RECOMENDO-VOS, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia.

II. MOTIVAÇÕES E PARTICULARIDADES DA EPÍSTOLA.
A Carta aos Romanos foi redigida no sentido de apresentar a uma comunidade que por não ter um dos apóstolos como fundador possivelmente tinha grande carência de maior esclarecimento no que diz respeito aos pormenores da fé cristã. Paulo entre outras coisas prepara os irmão em Cristo para uma visita sua a cidade, aproveitando para explicar alguns pontos importantes a serem considerados no que diz respeito ao relacionamento entre judeus e gentios dentro do plano global de redenção traçado por Deus. Na verdade Paulo não conhecia esta Igreja pessoalmente por isso ele utiliza um estilo sistemático de ensino teológico.

III. OS PRINCIPAIS TEMAS ABORDADOS NA EPÌSTOLA.
Se todos nós temos muitas perguntas das quais buscamos resposta, a Epístola aos romanos surge como um escrito capaz de responder de forma completa e lógica muitas destas nossas perguntas. A epístola aos Romanos reúne grandes discussões ao longo de seus 16 capítulos nos quais discorre sobre importantes temas com argumentos longânime, infalível da Palavra de Deus. Aos escrever aos Romanos, Paulo esteve atento para o fato de que a Igreja deveria conservar seu estado de comunidade mesmo que entre judeus e gentios. Paulo deixa claro que ninguém, seja de qual nacionalidade for, pode se aproximar de Deus senão pelo caminho estabelecido por Jesus.

1. SAUDAÇÃO E APRESENTAÇÃO. 1.1
PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus...
Na antiguidade todas as cartas gregas seguiam uma metodologia padrão de construção. A primeira parte deveria identificar o remetente e sua saudação. Paulo se apresenta de forma clara a uma comunidade que até aquele momento ele não conhecia pessoalmente. Ele se apresenta como “servo de Cristo”, exprimindo total entrega à vontade do senhor Jesus. (Servo. Gr doulos. Algemar, aprisionar/ escravo). É importante observar que ele confirma seu chamado. “chamado para apóstolo”. Mas já em seguida apresenta o Senhor Jesus de quem ele afirma ter recebido a graça do apostolado. “Pelo qual recebemos a graça e o apostolado...”. Paulo também reforça a condição da salvação oferecida aos Romanos no v.6 Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

A partir daí, e até o verso 15 Paulo escreve de forma bastante pessoal em um tom de amizade e carinho para com os Romanos. Vai ser somente a partir do verso 16 que Paulo dará inicio a sua dissertação em relação aos temas importantes das sagradas Escrituras. Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

2. PRINCIPAIS TEMAS APRESENTADOS NA EPÍSTOLA. 1.2
O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras...
Após sua breve saudação e apresentação, Paulo passa a discorrer sobre os assuntos principais da epístola. Observem que ele inicia dando uma ênfase especial as Escrituras Sagradas e aos escritos dos profetas. Em seguida Ele vai destacando a Justiça de Deus em detrimento as obras do homem e discorre sobre os assuntos pertinentes ao tema apresentando a via de acesso adequado a Deus e a necessidade que o homem tem da salvação. Vamos observar abaixo uma curta descrição dos temas apresentados pelo Apóstolo logo no inicio da Epístola e a partir da próxima semana vamos tentar discorrer sobre cada um deles a luz das Escrituras.

SANTIDADE EM CRISTO.
Paulo apresenta logo de inicio o termo principal do relacionado à ideia da salvação em Cristo Jesus. “Santidade”. Paulo quer nos mostrar que como cristãos todos nós temos o dever de nos mantermos separados do pecado.

REVELAÇÃO DE DEUS. Ao expor a justiça de Deus, Paulo vai demonstrar que todas as pessoas cometeram pecado e como resultado, todas juntamente sofreram uma separação de Deus. Somente Cristo é capaz de, pelo seu sacrifício na cruz do Calvário, aproximar o homem novamente de Deus.

A IDOLATRIA. Paulo apresenta também a idolatria como uma atitude de conhecer a Deus e mesmo assim substituí-lo por deuses ou coisas fabricadas segundo o modelo das várias culturas. Paulo vai mostrar que temos tendência a trocarmos as coisas relacionadas a Deus por coisas que não tem nenhum valor no que diz respeito a nossa vida co Ele.

O PECADO DO HOMOXESSUALISMO. Paulo entra em um assunto que talvez imaginemos não tinha a mesma proporção dos nossos dias. Mas se observarmos bem a epístola veremos que Paulo não poupa argumentos para mostrar o quanto as relações sexuais anormais incomodam a Pessoa de Deus. O que o Apóstolo apresenta como doutrina é a que conhecemos hoje. O homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem, para Deus não há meio termo, muito menos um terceiro sexo.

PREPARANDO-SE PARA O SERMÃO

SALA DE ESTUDO Antes de começarmos a desvendar todos os mistérios concernente o preparo do sermão propriamente dito, será de ...