quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A TRADIÇÃO QUE RECEBEMOS.

Mandamos-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. 2Ts 3.6

Introdução. O salvo em Jesus Cristo, é alguém que em reconhecimento a seu estado pecaminoso, entregou a sua vida ao Senhor Jesus, recebendo-o como Salvador Pessoal. Esta atitude de entrega é um passo importante e decisivo para que os nossos pecados sejam perdoados. ...todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome. At 10.43. O fato determinante está em reconhecer nossa condição e receber os méritos do sacrifício efetuado em nosso favor pelo Senhor Jesus Cristo, que derramou o seu sangue na cruz do Calvário. ...sem derramamento de sangue não há remissão. Hb 9.22
Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados. Cl. 1.4

A Bíblia declara que, uma vez perdoados de nossos pecados, nos estamos salvos. Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, Na remissão dos seus pecados. Lc 1.77. A partir daí, temos pela frente uma novidade de vida, isto é, recebemos de Deus o privilégio de vivermos a nossa vida, de modo diferente do que vivíamos antes de conhecer o Salvador. Começamos a Frequentar reuniões em uma igreja, e somos ensinados, a luz da Bíblia, a maneira correta de procedermos nesta nova vida. Somos batizados em reconhecimento a nossa fé, e passamos a fazer parte da família de Deus. E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. At 2.38

Neste ponto precisamos entender a nossa posição a partir de então. Somos salvos, libertos e perdoados dos nossos pecados, e precisamos preservar esta condição. É exatamente isto que levou o apostolo Paulo a nos manter alertas. Alerta do perigo e da realidade de haver entre nós, os membros da igreja, pessoas que, mesmo tendo experimentado todo o processo concernente a salvação, por alguma razão, foram minados em sua fé e passaram a viver, na igreja, de forma desordenada.

I. O ANDAR DESORDENADO E AS TRADIÇÕES.
Temos então algumas perguntas. A primeira é: O que podemos entender pela expressão de Paulo quando ele denuncia que existe irmãos andando desordenadamente? A segunda pergunta: Qual a razão do Apóstolo a citar este fato em sua carta a igreja em Tessalônica?

Então vamos por parte. Pois bem, andar desordenadamente indica uma maneira de andar de forma contraria aos ensinamentos recebidos. Sem ordem, sem nexo e sem conexão. Paulo identifica que nesta igreja em especial, havia alguns irmãos que, quanto a doutrina, estavam desordenados, isto é, eles havia, segundo o próprio apóstolo identifica, abandonado ao que ele chama de "TRADIÇÕES DELES RECEBIDAS"

Então vem uma terceira pergunta: O que podemos identificar por Tradições Recebidas? Bem, no sentido em que Paulo denuncia aqui no texto, tradição indica as transmissões orais registrada por escrito, dos fatos e das doutrinas religiosas. Os apóstolos ficaram com a responsabilidade do ensino e da transmissão da Palavra do Senhor Jesus Cristo. Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. 1Tm 5.17. Por esta razão, Paulo fala das tradições como sendo um ensinamento doutrinário em que ele, e os demais apóstolos, havia transmitido a igreja no sentido de doutriná-la.

Vamos ainda a uma quarta pergunta: Porque esta preocupação de Paulo?. Bem esta preocupação do Apóstolo tem razão de ser. São pelo menos dois os motivos que causaram esta preocupação no apóstolo.

1. Pessoas desordenadas tendem a ensinar doutrinas desordenadas.
Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.
1Tm 6.3-5

O apóstolo era um plantador de igrejas, seu cargo era este, afinal para esta finalidade existiam os apóstolos. Não era possível para ele estar presente em todas as igrejas ao mesmo tempo. Por isso sua preocupação. É verdade que para cada igreja por ele fundada, havia um dirigente que ele mesmo havia designado para cuidar dela. Mas, o perigo era iminente, com pessoas de má índole tão próximos, inevitavelmente logo eles poderiam enganar outras pessoas com suas doutrina de erro.

2. Pessoas desordenadas tende a ficar cada vez ainda mais desordenadas.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. 1Tm 6.11,12

Se uma pessoa começar a se acostumar com o erro, chegará uma hora em que tal pessoa achará muito natural viver a vida como está vivendo. A tendência natural é, se ele não regularizar logo sua condutar, logo irá se precipitando cada vez para um abismo ainda maior. Sl 42.7 Um abismo chama outro abismo...

Estes dois desfechos são extremamente perigosos. Ensinar o erro em detrimento a verdade aprendida, e viver o erro em detrimento a todas as mudanças experimentadas no ato da conversão. Seja qual for, os prejuízos são enormes. Significa perder tudo aquilo que se recebeu através do sacrifício da cruz, e ainda pior, significa ainda fazer com que outras pessoas também sejam induzidas aos mesmos erros.

II. ATITUDES CORRETAS PARA COM A SITUAÇÃO.
Se presenciamos ou vivemos em tal situação, atitudes corretas podemos mudar o quadro. Para entendermos as atitudes precisamos nos posicionar primeiro.

1) Estamos vivendo em meio a pessoas desordenadas.
O número de novas igrejas que vem sendo aberta de um tempo para cá é extremamente grande. Isso pode parecer algo positivo, mas infelizmente devemos dizer que não é bem assim. Primeiro pelas razões que levam algumas pessoas a começarem uma nova igreja. posso até enumerar algumas delas.
  • Insatisfação com a liderança de alguma igreja em que era membro.
  • Desejo imoderado de estar a frente de uma igreja e onde congregava não foi lhe dado esta oportunidade.
  • Vontade se ser "pastor presidente".
  • Torpe Ganância.
  • Status.

Vamos então analisar algumas destas situações, começando pela primeira e pela segunda já que muitas vezes elas se completam. Temos um Texto. 3Jo 1.9 Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe.

1 e 2 - O caso aqui é bem peculiar de algumas igrejas hoje. havia na igreja um Presbítero que fora escolhido pelos apóstolos para estar a frente da igreja. v.1 O presbítero ao amado Gaio, a quem em verdade eu amo. Gaio era um homem de confiança e sua conduta testificava isso. vv.5,6 Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, e para com os estranhos, Que em presença da igreja testificaram do teu amor; aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás.
Havia também um obreiro chamado Demétrio que tinha seu coração voltado para a obra de Deus. v.12 Todos dão testemunho de Demétrio, até a mesma verdade; e também nós testemunhamos; e vós bem sabeis que o nosso testemunho é verdadeiro. 
Porém, havia um outro obreiro chamado Diótrefes, e este era um problema para a igreja. Ele estava insatisfeito com a liderança local e com os apóstolos, pois entendia que ele é quem deveria estar a frente da igreja. Suas atitudes eram extremamente prejudiciais ao bom desenvolvimento da igreja. v.10 Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja. Em resumo, Diótrefes era um desordenado pois inventava calúnia em relação a João e ainda impedia o recebimento dos enviados pelo mesmo. Diótrefes é o retrato de muito líderes que estão a frente de determinadas igrejas novas.

3 - O Caso seguinte é bem natural em nossos dias. Não sei por qual razão, mas muitos crentes acham que são pastores. Nada sabem em relação a este ministério, pois se soubessem, com certeza não desejariam tão intensamente assim. De um tempo para cá, o número de pastores "consagrados" por determinadas igrejas é assustador. o crente faz um seminário básico, quando faz, e acha que está pronto. determinados líderes também consagram certos pastores como moedas de troca. por alguma razão, precisam de um apoio, e, para conseguir, consagra pessoas despreparadas. O resultado é o surgimento de um monte de igrejas "desordenadas" que são lideradas por pastores "desordenados". Os membros, coitados, acabam se tornando vítimas de um ensino que contradiz toda a verdade da Bíblia. Aqui vale o conselho de Paulo a Timóteo. 1 Tm 5.22 A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.

4 - Agora deixa eu falar sobre um outro tipo de situação que acaba contribuindo para o surgimento de muitas novas igrejas. O Apóstolo Paulo não poupou argumento para falar deste tipo de situação. Primeiro convém observar o verdadeiro ensino em relação a escolha dos obreiros.
  • Os diáconos. 1Tm 3.8 Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância.
  • O bispo. (pastores, presbíteros). Tt 1.7 Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância.

Em seguida o ensino em relação a condução do rebanho. 1Pe 5.2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto.

Observe que em todos os casos apresentados, coloquei em destaque a frase "Torpe Ganância". Aqui temos duas palavras. Torpe: Que é um adjetivo, e tem a seguinte significação: Depravado; que insulta os bons costumes. A segunda palavra é "ganância" s.f. Ambição; cobiça ou desejo intenso, imoderado por bens e riquezas. Usura; busca incessante pelo lucro; em que há...

Unindo estas duas palavras podemos afirmar que o apóstolo Paulo está dizendo que existe obreiros que só são obreiros porque possuem uma ambição imoderada por dinheiro, e que para conseguir tais recursos agem de maneira que insultam os bons costumes por sua depravação. Vejam se não é este o retrato de tantos líderes em nossos dias. Tt 1.11 Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Seus motivos são torpes, asqueroso; que causam nojo; que é nojento. Suas ações também são torpes, nojentas.

5 - Por fim, e não menos perigosos são aqueles que querem "aparecer". Estão em busca de status, fama, nem que para isso se faça necessário escravizar pessoas a sua vontade. O significado de status não é ruim, pois aponta para uma posição vantajosa que alguém ocupa na sociedade por consideração, prestígio ou renome. Porem, o problema é quando a pessoa em si não possui nenhuma consideração ou prestígio, por nada ter feito de relevante para merecê-los, resolvem se auto promoverem. A melhor definição de status é a que ouvi e que se encaixa muito bem nestes tipos de pessoas. Status é comprar o que você não quer, com o dinheiro que você não tem para impressionar a quem você não gosta. Tais pessoas ainda não entenderam que no Evangelho não existe lugar para status. os ensinos são bem objetivos. Fp 2.3 Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.

Ainda não entenderam que sentimento deve ser o sentimento do servo de Deus. Fp 2.5-7 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

Todos estes vistos acima se destacam como exemplo de desordenados. claro que isto não esvazia os argumentos pois poderíamos ainda entrar por vários caminhos que não entraremos por falta de tempo e espaço.

2)Estamos vivendo de forma desordenada.
Neste ponto temos que entender que se podemos falar a pessoas, devemos em primeiro lugar ajudar tais pessoas a identificarem os seus erros. Aqui não falamos somente a obreiros tendo em vista que anteriormente abordamos aqueles que de alguma forma gozam o privilégio de ensinar. Mas agora, vem o povo em geral. Os crentes que aprenderam, se batizaram, tornaram-se membros da igreja, até participam de algum departamento, mas que, por uma situação, talvez de despreparo, vamos colocar assim, foram vencidos por alguma prática pecaminosa (fato que não abordamos acima). Sejam membros comuns, obreiros ou líderes de departamentos, todos podem estar sujeitos a cair em práticas que contradiz os ensinamento da Palavra. Mt 15.19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.

E se é assim? Como proceder então? Vamos para um ensinamento do Senhor Jesus. Jo 8.3-5 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Somos idênticos aos fariseus, é comum ao descobrirmos algum ato de pecado alheio, querermos expulsar a pessoa de nosso meio como se fosse portador de uma doença contagiosa. Mas é isso que a Bíblia ensina? as atitudes do Senhor Jesus devem nos valer como um poderoso ato de ensino para quando nos deparamos com situações parecidas. Na insistência dos fariseus observe a resposta do Senhor Jesus: Jo 8.7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. Com a saída dos acusadores, vem o maior ensinamento do Mestre que eles não ficaram para ouvir. Jo 8.10,11. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

Se estamos vivendo desordenadamente, a saída é a mesma apresentada pelo Senhor Jesus. ...vai-te, e não peques mais.  Aqui se trata do abandono da prática pecaminosa e do retorno a verdade. Tiago diz claramente que uma vez praticado o pecado, a consequência e a morte.Tg 1.15 Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Porém, não é um estado final, ainda não é uma morte eterna, embora seja uma passo para ela. O Senhor Jesus, mesmo não tendo pecado algum, diz a Bíblia que por nós, se fez pecado. 2Co 5.21 Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. E ainda mais, Sem conhecer o pecado, Ele se manifestou para tirar os nossos pecados. 1Jo 3.5 E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Me diga então, qual o resultado ou o valor disso agora? não tem valor algum?

1 Jo 1.9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Estar andando desordenado pode sim ter sido uma consequência de uma queda, mas continuar a andar desordenado pode ser uma escolha. Então decida-se hoje, tome a sua decisão e o Senhor Jesus certamente te receberá como sempre fez. O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Pv 28:13

domingo, 30 de julho de 2017

A ECONOMIA DE DEUS


Texto Básico: Dt 6.4 -  Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.
Texto Devocional: Is. 43.10 - Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.

INT. Economia significa harmonia entre partes e o todo. Quando pensamos na "economia" de Deus, estamos nos referindo ao fato de que Deus, apesar de ser único, existe de maneira harmônica em três pessoas distintas, o que teologicamente chamamos de doutrina da Trindade de Deus.

DEFINIDO O TERMO: Deus existe eternamente como três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus. Trindade, portanto é: A união das três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - formando um só Deus. Um Deus que é ao mesmo tempo uno e trino (Mt 3.13-17; 28.19; 2Co 13.13).

ESCLARECENDO O ARGUMENTO: A palavra "trindade" não existe na Bíblia, ela é um termo teológico, extrabíblico utilizado para designar aquilo que é revelado nas Escrituras, e que começou a ser utilizada por Tertuliano, no inicio do século III, em sua obra "Adversus Praxeas" Tertuliano utilizou o termo latino "trinitas". No entanto, a doutrina da "Trindade"  está fortemente enraizada, e a idéia está explícita em toda a Bíblia.

DESVENDADO O TERMO HISTORICAMENTE
Para entendermos o termo "trindade" precisamos conhecer um  pouco da história da Igreja, e alguns outros termos que ao longo da história acabaram servindo de estopim para que o termo trindade viesse a ser usado e até mesmo aceito pela Igreja. MONARQUIANISMO - este termo foi primeiramente usado por Tertuliano com referência àqueles que procuravam enfatizar que Deus era somente Um, soberano monarca, e que a doutrina da trindade era errônea. Entre eles dividiam-se:

1. MONARQUIANISTAS DINÂMICOS - Negavam a divindade de Jesus Segundo seus ensinamentos, Jesus era apenas um mero homem que foi "adotado" de uma maneira especial por Deus. (Esta heresia também é chamada de "adocionismo",  e foi condenada no Concílio de Antioquia em 268 d.C.)

2. MONARQUIANISTAS MODALISTAS - Ensinavam que Jesus era Deus, mas que Ele era a única Pessoa da Trindade. Segundo eles, a trindade se manifestava em vários modos sucessivos. Eles identificavam Jesus como sendo a mesma pessoa do Pai, em uma manifestação diferente. (Esta heresia foi também chamada no Ocidente de "Patripassionismo" - do latim "Pater", Pai e "passus", sofrer - pois resultava no ensinamento que o Pai sofreu na cruz, já que o Pai e o Filho eram a mesma pessoa - No Oriente esta heresia era chamada de "Sabelianismo", porque foi divulgada por Sabélio, excomungado por sua heresia no ano 220 d.C.) Essa doutrina foi combatida por Tertuliano, e foi nesse contexto que pela primeira vez usa o termo "trinitas" argumentando que Deus é uma Trindade na qual existe uma só essência e ao mesmo tempo três pessoas.

CONTEXTUALIZANDO O TERMO NA HISTÓRIA
A controvérsia Trinitariana impulsionou os concílios de Nicéia (325 d.C.) e Constantinopla (381 d.C.), que definiram o entendimento da Igreja com relação ao ensinamento bíblico sobre quem era Jesus. As controvérsias posteriores referiam-se a questões sobre o relacionamento entre a divindade e a humanidade de Jesus. Dentre as muitas heresias que surgiram neste tempo, destacamos três:

ARIANISMO - Negou a natureza divina de Cristo - Arius era um bispo em Alexandria que negou que Cristo fosse Deus (a Segunda Pessoa da Trindade). Arius ensinava que Jesus era divino, mas de uma divindade subordinada ao Pai. Ele era um pregador dinâmico e famoso, tendo personalidade atraente, chegou a inventar um slogam sobre Cristo que se tornou famoso:  "Houve um tempo quando ele não existia"  Seus ensinamentos, porém, logo causaram consternação levando o Imperador Constantino, no ano de 325,  a convocar um Concílio, ou Sínodo, em Nicéia, no qual os bispos de todo o império, cerca de 250 a 300, compareceram para avaliar estes ensinamentos e formular um entendimento universal sobre as doutrinas bíblicas sobre o assunto. O objetivo principal era produzir um documento que definisse a crença ortodoxa sobre Deus e sobre Jesus. Para isso, era preciso que se usasse linguagem teológica e técnica - e não somente termos bíblicos - para as definições. os hereges usavam termos bíblicos, fora do contexto, para defenderem suas próprias teses. desse modo o concílio decidiu usar a palavra grega "homoousios" - significando "da mesma essência" - para definir a relação de Jesus e Deus, tendo como mais hábil defensor, desta doutrina ortodoxa, Atanásio, que se tornou bispo da Alexandria em 328, coma excomungação de Ário pelo Imperador.  Após vários imperadores terem sucedido Constantino que morreu em 337, em 379 Teodósio, tornou-se imperador. Como defensor da ortodoxia Nicena, convocou outo concílio na capital do Império, em Constantinopla em 381 que expandiu e revisou o Credo de 325 e ratificou a doutrina Nicena.

NESTORIANISMO - Negou a união das naturezas de Cristo - Nestório era um dos mais importantes líderes eclesiástico do 5° século, foi acusado de ensinar que as duas naturezas de Jesus (humana/divina) eram tão separadas a ponto de ele ser duas pessoas. Nestório argumentou que Maria deu luz ao filho de Deus, e não a Deus, ela deu luz a natureza humana de Jesus, não a natureza divina, que é eterna. Cirilo, bispo da Alexandria, foi o opositor mais ferrenho de Nestório. Um Concílio foi convocado na cidade de Éfeso em 431 d.C., e o ensinamento atribuído a Nestório foi condenado. O concílio oficialmente declarou que Jesus tem duas naturezas, mas é uma só pessoa.

EUTIQUIANISMO - Negou a distinção das naturezas de Cristo. Eutíques, monge de Constantinopla começou a ensinar uma heresia no extremo oposto, segundo ele, Jesus não só era uma só pessoa, mas ele também tinha uma só natureza, e não duas. (Essa heresia foi chamada de 'monofitismo" - "mono", um - "physis", natureza) A única natureza de Jesus, segundo eles, era a divina, que absorveu a natureza humana, divinizando-a. O Eutiquianismo foi condenado como heresia no Concílio de Calcedônia em 451 d.C. A formula dotada no concílio apresentou quatro qualificações que se tornaram a definição clássica sobre a relação entre as duas naturezas - A fórmula diz que existe um único Cristo, que possui duas naturezas, não confusas e não transformadas, não divididas, não separadas, pois a união das naturezas não suprimiu as diferenças; antes, cada uma das naturezas conservou as suas posteridades e se uniu com a outra numa única pessoa e numa única hipóstase (ou essência).

VASCULHANDO A BÍBLIA E EXPLICITANTO A DOUTRINA
Tendo o entendimento que o nome "Trindade" não se encontra nas Escrituras, mas que a doutrina da Trindade está explícita em toda a Bíblia,  dizemos pela Bíblia que no que concerne a divindade  de Deus Filho, refere-se, por exemplo, a Sua Onisciência (Cl 2.3), Sua Onipotência (Mt 28.18), a sua Onipresença (Mt 28.20), ao fato de perdoar pecados (Mc 2.5-7; Is 1.18), e de ser doador da vida (JO 10.28), em íntima unidade porém diferenciando as pessoas (JO 17.21,22)

No que concerne a  divindade Do Espírito Santo reportamos-nos aos textos bíblicos que claramente:Chama-O de Deus (At.5,3,4), demonstram sua Onisciência (1Co 2.10,11), sua Onipotência (1Co 12.11), sua Onipresença (JO 14.10), chama-o de "Espírito de Verdade" (JO 16.13), de "Espírito de Vida" (Rm 8.2). Prerrogativas que tais, como apresentadas para Deus-Filho, segundo a bíblia são únicas e exclusivas de Divinas.

No que concerne a personalidade do Espírito Santo, assunto que foi muito debatido ao longo dos primeiros séculos do cristianismo, é comum referir-se aos atributos que, tal como no A.T. são aduzidos para a personalidade do Deus YHVH cuja divindade e personalidade nunca foram alvo de críticas substanciadas entre os cristãos - testemunham o seu caráter pessoal, o fato de que o Espírito Santo:

  • Guia, fala, declara e ouve - Jo 16.13 - Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.  
  • Ama - Rm 15.30 - E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;  
  • Clama - Gl 4.6 - E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.  
  • Toma decisões/ administra - 1Co 12.11 - Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.  pode ser contristado - Ef 4.30 - E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção
  • Implora e Intercede - Rm 8.26 - E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.  
  • Ensina - Lc 12.12 - Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar.  
  • Pode ser resistido - At 7.51 - Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.  
  • Proíbe/ põe obstáculos - At 16.6 - E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia.  
  • Ordena, dirige e dá testemunho - At 8.29,39; 20.23.
  • Designa, comissiona - At 20.28 - Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.  
  • É mencionado entre outras pessoas - At 15.28 - Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:


EMBASANDO A DOUTRINA NO ANTIGO TESTAMENTO

1° PLURALIDADE EM ELOHÍM
Gn 1.26-27 - E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;...E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.  - Deus se apresenta no singular e faz o homem no plural
conferir: Jo 1.1; Cl 1.16,17; Hb 1.10
Outros Textos: Gn 3.22; 11.7-9; Is 6.8

Conclusão: Tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito Santo é o Deus uno, apresentando assim o termo Deus no singular e as pessoas no plural.
a) O Pai é Deus - Ef 4.6
b) O Filho é Deus - 1Jo 5.20
c) O Espírito Santo é Deus - At 5.3

2° UNIDADE COMPOSTA
Dt 6.4 - Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.
Os unissistas (unitários) entendem que este verso exclui o Filho da divindade e da unidade com o Pai. Nos trinitarianos, cremos no único Deus YHVH, pois a palavra hebraica originalmente usada para chamar YHVH de "único" é "echad" (pronuncia: "errad"), que é a palavra usada para expressar a unidade composta. quando se deseja expressara a unidade absoluta, a palavra é "yachid" (pronuncia: yarrid)

Exemplos:

a) Gn 2.24 - "uma carne" - echad -  Unidade composta - Marido e mulher são pessoas distintas, porém no plano espiritual, seus corpors são unos.
b) Gn 26.6 - "Um tabernáculo" - echad  -  Unidade das cortinas
c) Gn 41.25 - "o sonho é um só" - echad   -  dando conotação de que Faraó tivera dois sonhos em um, ou um sonho sobre um "evento"  com duas personificação que diziam a mesma verdade.

EMBASANDO A DOUTRINA NO NOVO TESTAMENTO
A revelação da Triunidade de Deus no A.T. não é tão clara quanto no N.T. Os textos bíblicos, respeitando seus contextos, mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo - Levando em conta que deus é único (Is 43.10) e que não partilha a sua glória com ninguém (Is 42.8; 48.11), Notamos como O Pai, O Filho e o Espírito Santo são postos em pé de igualdade.

a) Mt 28.19 - ...batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
b)  Lc 3.22 - E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
c) 2Co 13.13 -  A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.
d) 1Pe 1.1,2 - PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo... Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...

OUTRAS REFERÊNCIAS: Rm 8.14-17; 15.16,30; 1Co 2.10-16; 6.1-20; 2Co 1.21,22; Ef 1.3-14; 2Ts 2.13,14; Tt 3.4-6; Jd 20,21; Ap 1.4.

OPERAÇÕES E FUNÇÕES DAS PESSOAS DA TRINDADE
As Três pessoas da Trindade estabelecem uma comunhão e união perfeita, formando um só Deus, e constituem um perfeito modelo transcendente para as relações interpessoais. Elas possuem a mesma natureza divina, a mesma sabedoria, poder, bondade e santidade, mas, em algumas vezes, certas atividades são mais reconhecidas em uma pessoa do que em outra. As funções, suas principais atividades desempenhadas e o seu modo de operar está registrado nas Escrituras e claramente resumido no Credo Niceno-Constantinopolitano, o credo oficial de muitas denominações cristãs.

1. DEUS  PAI - Não foi criado nem gerado. É o "principio e o fim, princípio sem princípio" da vida e está em absoluta comunhão com o Filho e com o Espírito Santo. foi o Pai quem enviou seu Filho, Jesus Cristo, para salvar-nos da morte espiritual, pelo sacrifico vicário. Isto revela o amor infinito de Deus sobre os homens e o não abandono aos seus filhos adotivos. O Pai, a primeira pessoa da Trindade, é considerado como Pai eterno e perfeito. É atribuído a esta pessoa divina a criação do mundo.

2. DEUS FILHO - Procede do Pai e é eternamente consubstancial (pertence a mesma natureza e substância) a Ele. Não foi criado pelo Pai, mas gerado na eternidade da substância do Pai. encarnou-se em Jesus de Nazaré, assumindo a natureza humana. O Filho, a segunda pessoa da Trindade, é considerado como Filho Eterno, com todas as perfeições divinas; a Ele é atribuída a redenção (salvação) do mundo.

3. DEUS ESPÍRITO SANTO - Procede do Pai e do Filho, sendo por estes espirado. Esta pessoa divina personaliza o Amor íntimo e infinito de Deus sobre os homens, segundo a reflexões de Agostinho. Manifestou-se primeiramente no bastimo e na transfiguração de Jesus e plenamente revelado no dia de Pentecostes. Habita nos corações dos fiéis e estabelece entre estes e Jesus uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só corpo. O  Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, e considerado como puro anexo de amor. Atribui-se a esta pessoa divina a santificação da Igreja e do mundo com seus dons.

ESCLARECENDO CONCEITOS MAL INTERPRETADOS
Alguns grupos se perdem na terminologia das Escrituras, dando significados errôneos a certos termos aplicados ao Senhor Jesus, como por exemplo:

1. PRIMOGÊNITO - Cl 1.15 - O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação -  O termo Primogênito é um título que indica preeminência ou primazia, apontando assim para a soberania de Cristo sobre a criação, nada tendo a ver com "primeiro criado" ou "primeiro de uma série"

2. UNIGÊNITO - Jo 3.16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito... - Este título fala da singularidade de Jesus, o eterno Filho de Deus. Ele é Único, não há ninguém semelhante a Ele (Jd 4)

3. PRINCIPIO DA CRIAÇÃO - Ap 3.14 - ...Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus -  A palavra grega "arché" traduzida por "principio" em muitas traduções da Bíblia, também significa "governador", "soberano" , "origem" . Assim, já que diversas passagens bíblicas atestam a eternidade de Jesus, posto ser Ele o criador e sustentador de todas as coisas (Cl 1.16,17; Hb 1.3)  fica evidente entender arché  como o "Primeiro de uma série"

3. FILHO DE DEUS - Mc 1.1 - PRINCÍPIO do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus  Esse termo geralmente é usado para indicar inferioridade do filho em relação ao pai No caso de Jesus, isto não pode ser aplicado, pois Ele é chamado de:
a) Filho de Maria - Mc 6.3 - Sentido biológico
b) Filho de Davi - Mc 10.48 - Sentido de linhagem
c) Filho do Homem - Mc 25.31 - Sentido de humanidade
Assim, o título, Filho de Deus, indica que Ele é participante da mesma natureza divina da qual o Pai também participa.


FONTES DE CONSULTAS
www. winkipédia.org
Revista EBD Editora Cristã Evangélica

terça-feira, 25 de julho de 2017

Tipos de sermão.


Continuando nosso tema, hoje na Sala de Estudo, analisaremos  tipos de esboços de sermão que tradicionalmente encontramos praticamente em todas as obras de homilética, e pelo menos, três tipos básicos que podemos chamá-los de: Sermão Temático, Sermão Textual e Sermão Expositivo são os que mais utilizamos sempre que subirmos ao púlpito para pregar a Palavra, sempre ,mesmo sem conhecê-los,  utilizaremos um deles. 





SALA DE ESTUDO

1. O Sermão Temático.
O sermão temático é o tipo de sermão cujos argumentos ou as divisões resultam sempre do tema  independente do texto utilizado. Neste tipo de esboço, o pregador faz toda a argumentação baseado no tema que ele mesmo escolheu, e neste caso, o que será dividido será o tema e não o texto, o que o permite utilizar vários textos bíblicos. A Determinação do assunto orientará na procura dos textos, de ilustrações e dos pensamentos que deverão apoiar a mensagem. Um Cuidado, uma vez escolhido o texto, o pegador sempre procurará se deter dentro dele.

Vejamos então um exemplo de Sermão temático.
TÍTULO OU TEMA: A Tríade do Cristianismo.
TEXTO: Tito 2.12
INTRODUÇÃO: definição do termo “triáde” e contexto histórico sobre o Cristianismo
TÓPICO I. Renuncia. Rm 6.19
TÓPICO II. Modo de vida. 1Tm 6.11-13
TÓPICO III. Esperança. 1Pe 1.13
CONCLUSÃO OU PERORAÇÃO: 2Co 7.1

Reparem que cada tópico ou divisão, apresenta uma característica do “Cristianismo” que está proposto pelo tema, e que foi definido historicamente na introdução. Observem também que para cada ponto há um texto diferente, ou seja, a base do sermão é a “A Tríade do Cristianismo” que é abordada em diversos textos bíblicos. É necessário aplicarmos um texto bíblico em cada divisão do tema assim evitamos divagações e generalizações vazias e inexpressivas. O sermão temático exige que o pregador tenha uma boa cultura geral e teológica, além de criatividade e estilo apurado. Se analisarmos bem este tipo de sermão repararemos que ele conserva melhor a unidade proposta pelo tema.

Temos dito ao longo deste estudo que o pregador deve ser um entusiastas pela leitura da Bíblia além de um profundo observador das coisas que estão acontecendo em sua volta. Na preparação do sermão podemos trabalhar com o que vimos ou o que descobrimos em nossas observações. Mas, apesar de toda criatividade, as vezes nos perguntamos: Como vou de fato preparar o sermão? Seguem então algumas dicas.

  • Escolhemos o tema. Criamos frases, retirando dos textos bíblicos ou de outras fontes. Aqui nossa criatividade e observações podem ser de grande ajuda.
  • Analisamos o tema. Podemos fazer isto observando-o a luz das Escrituras e dos acontecimentos que estão a nossa volta. Repeti-lo várias vezes pode nos ajudar a gravá-lo e refletir sobre o mesmo.
  • Aqui vale algumas perguntas básicas: O que sei em relação a este tema? O que devo falar sobre ele? Qual será a relevância do que falarei? O que o povo está precisando ouvir? E, finalmente, O que “eu” estou precisando ouvir de Deus?
  • Extraímos a principal palavra ou frase do tema que poderá se repetir em cada um dos argumentos.
  • Separamos no mínimo três argumentos ligados ao tema.
  • Pesquisamos passagens bíblicas que se façam referencia aos argumentos que usaremos no desenvolvimento do sermão.
  • Cada uma das divisões devem ser uma explicação ou respostas em relação ao tema propriamente dito.  


2. Sermão Textual.
O sermão textual, como o nome indica é aquele em que o pregador utiliza os argumentos ou as divisões que são retiradas diretamente do texto bíblico. Toda a argumentação estará amarrada ao texto principal, e o mesmo será dividido em tópicos. As divisões do sermão textual podem ser feitas de acordo com as declarações originais do texto. Ou se o pregador preferir, pode também utilizar uma análise bem apurada que se baseará em perguntas como: Onde? Que? Quem? Por quê? Perguntas que deverão ser respondidas pelas declarações ou frases do texto. O pregador pode ainda dividir por inferência, as orações textuais reduzindo-as a expressões que encerra o conteúdo.   

Temos também um exemplo do Sermão Textual.
TÍTULO OU TEMA: As Três Ações que Movem o Coração de Deus.
TEXTO: 2 Crônicas 7.14
INTRODUÇÃO: Breve descrição do contexto histórico referente ao texto.
TÓPICO I. Humilhação. 
TÓPICO II. Oração.
TÓPICO III. Busca
CONCLUSÃO OU PERORAÇÃO: “Então Eu ouvirei dos céus...”

Assim como no sermão temático, o sermão textual também deve seguir uma linha básica de observações em seu preparo.

  • O principal, Ler o texto em sua totalidade.   
  • Procurar identificar qual a ideia principal do texto. Observando todo o contexto, e a situação em que foi escrito. Também será de boa ajuda conhecer o escritor e seu contexto na história.
  • Identificar os principais verbos e seus complementos. Lembrando-se que verbo é sempre uma ação. Aqui um dicionário da Língua Portuguesa será um bom ajudante.
  • Procurar com cuidado os sentidos expressos e as representações simbólicas, metáforas e figuras que se fizerem presente.
  • Com base nos verbos e significados retirados do texto, o pregador pode usar sua criatividade e criar frases (divisões) que serão os complementos e que, passarão a ideia da mensagem que pregará.
  • Organizar as frases dentro da ideia principal.


Devemos Reparar que cada tópico ou divisão apresenta um termo ou uma passagem do texto, o que dá ao pregador, condições de explorar bem o texto. As divagações e generalizações vazias e inexpressivas devem ser evitadas. O sermão textual exige do pregador conhecimento do texto, contexto e cultura bíblica.  

3. Sermão Expositivo.
Este tipo de sermão pode ser considerado aquele em que o pregador deve possuir bastante profundidade em relação ao que vai pregar. O Sermão Expositivo se utiliza de argumentos que giram em torno de uma exposição exegética completa do texto. A mensagem surge de uma passagem bíblica em que geralmente se evidência com mais de dois ou três versículos, e neste caso, o pregador deverá ser alguém que seja apreciador e dedicado estudioso das Sagradas Escrituras. Neste tipo de sermão, o pregador deverá fazer uma análise de línguas, interpretação, pesquisa arqueológica, pesquisa histórica, bem como, comparação de textos. Ele deve explorar os argumentos principais da exegese e da hermenêutica fazendo uma exposição completa de um trecho doutrinário da Bíblia. Na verdade, este tipo de Sermão pode ser considerado uma aula em forma de pregação, uma análise pormenorizada e lógica do texto sagrado, e isto requer do pregador cultura teológica e poder espiritual. Teoricamente este tipo de sermão difere do sermão textual, principalmente pela extensão da passagem bíblica em que se baseia.

O Sermão Expositivo segue, como os demais, uma linha de características que merece ser observada.

  • Planejamento. Neste sermão o cuidado deve ser redobrado, pois geralmente o pregador falará de assuntos de grande relevância espiritual e difícil interpretação. Conhecimento bíblico, neste caso, é fundamental para o Planejamento da mensagem.
  • Condições de abordar textos grandes ou curtos, mas extremamente argumentativos e doutrinários. Pouco importa o tamanho do texto, o que mais importará será o domínio que o pregador exerce em matéria de conhecimento Bíblico e doutrinário..
  • Interpretação fiel. O uso da Hermenêutica aqui será fundamental para a preparação da mensagem.
  • Análise profunda do texto. Refazer a leitura quantas vezes se fizerem necessárias.
  • Tempo de estudo dos pontos difíceis.
  • Pode ser abordado em série.    


Neste tipo de sermão a unidade e as ideias devem ser agrupadas com tendo como base uma ideia principal. Não é suficiente apresentar somente tópicos ou divisões. Vamos então a um exemplo:

TÍTULO OU TEMA: A Ressurreição do Corpo.
TEXTO: 1 Coríntios 15.35-38
INTRODUÇÃO: Definição do termo Ressurreição.
TÓPICO I. Razões da Ressurreição do Corpo. Rm 8.22,23
1. Desfazer o Corpo do Pecado. 1 Co 25.26
2. Desfazer os resultados do Pecado. 1 Co 25.26
TÓPICO II. Como será o Corpo ressurreto?
1. Um Corpo Semelhante ao de Jesus. Rm 8.29
2. Um Corpo Transformado para o céu. 1 Co 15.42
3. Um Corpo não Limitado a Leis da Natureza. Lc 24.30,31
CONCLUSÃO OU PERORAÇÃO: 1 Coríntios 15.35

A TRADIÇÃO QUE RECEBEMOS.

Mandamo s -vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segu...