segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

 PNEUMATOLOGIA, A DOUTRINA

DO ESPIRITO SANTO

TEXTO BÁSICO: At 2.1-10

1 - Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 - e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 3 - E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4 - E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5 - E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6 - E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 - E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? 8 - Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 9 - Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, 11 - e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12 - E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? 13 - E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. 10 - e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos),

TEXTO DEVOCIONAL: Ato 1.8

Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. 

Introdução: A Pneumatologia é o estudo a respeito da terceira pessoa da Trindade, O Espírito Santo que a exemplo de Jesus Também é eterno e, Todo Poderoso, ou seja, Ele é Deus. O termo vem do grego “pneuma”, espírito e “logia”, estudo ou tratado. Porém, mais do que falar do Espírito Santo a Pneumatologia visa desmistificar os conceitos errôneos que algumas seitas fazem sobre Ele, que é a Pessoa da Trindade mais perseguida nos nossos dias hodiernos. O Espírito Santo, pois, é um Espírito de Glória que deve ser adorado e, reverenciado como Deus, e como uma Pessoa que tem sentimentos e emoções.  

I. IDENTIFICANDO O ESPÍRITO SANTO. Is 63.10 - Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles.

O Espírito de Deus no AT raríssimas vezes é chamado Espírito Santo. Diversas vezes, porém, o é na tradução grega (LXX), nos livros gregos e nos apócrifos do AT, e muitas vezes nas traduções aramaicas, na literatura rabínica e no NT. O Espírito é chamado Santo, exatamente como o seu braço (Is 52.10; Sl 98.1), seu nome (Am 2.7; Ez 36.20) e a sua palavra (Jr 23.9; Sl 105.42), porque Deus é essencialmente santo (Dn 4.5-15), de sorte que Espírito Santo significa propriamente Espírito divino (Êx 31.3 LXX). Esta expressão foi provavelmente substituindo termos mais antigos como o “Espírito de Iavé”, “o Espírito de Eloim”, porquanto os judeus posteriores evitavam cada vez mais pronunciar os nomes de Iavé e Eloim.

1. O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO.

Para formar uma idéia certa da doutrina bíblica a respeito do Espírito Santo, é preciso partir do sentido original da palavra “Ruah” no hebraico e “Pneuma” no grego que significa “Hálito”, “Vento” ou “Espírito”. O hálito, considerado como a força vital, e o vento era, para os israelitas, forças misteriosas, poderosas, temíveis (Êx 15.8,10; 2Sm 22.16; 1Rs 19.11; Is 11.4; 40:7; Jó 38.24). Ora exatamente como se fala no braço de Iavé (Is 40.15; 51.5), em sua mão (Êx 9.5; Dt 2.15), e boca (Sl 33.6), sua face (Gn 33.10), suas narículas (Êx 15.8), assim fala-se em seu hálito (Jó 32.8; 33.4) e em sua força vital ou Espírito, que opera tanto quanto o próprio Yavé. Não admira, pois, que os fenômenos misteriosos e extraordinários, seja no homem seja na natureza, que manifestam um poder especial, sejam atribuídos ao hálito ou Espírito de Iavé.

a. O Espírito Santo como força que opera na psique do homem.

Em primeiro lugar o Espírito Santo é uma força que opera fenômenos extraordinários, milagrosos, de poder, heroísmo ou êxtase profético. Quando o Espírito Santo se apoderou de Sansão, o herói dilacerou um leão, abateu trinta homens, arrebentou as cordas com que foi amarrado e ainda, matou mil homens com a queixada de um jumento (Jz 13.25; 14.6,19; 15.14,15). Quando o Espírito Santo vem sobre Otoniel, Gedeão, Jefté ou Saul, estes se tornaram capazes de feitos heróicos espetaculares e de vitórias inesperadas (Jz 3.10; 6:34; 11.29; 1Sm 11.6). Sob o influxo do Espírito Santo Balaão pronuncia o seu oráculo (Nm 24.2) e entram em êxtase os profetas, os anciãos, os enviados de Saul e o próprio Saul (1Sm 10.5-13; 19.20-24; 1Rs 22:10-12; Nm 11.25). Nestes e em semelhantes fenômenos, que transcendem as forças humanas ou se afastam da conduta normal do homem, os israelitas viam uma atividade do Espírito Santo (Ez 3.10-15; 8.3; 11.1,24; 37:1; 1Cr 12.18; 2Cr 15.1; 20.14; Jl 3.1ss).

b. O Espírito Santo como poder conferido por Deus.

Há também casos em que o Espírito Santo não opera como força que se manifesta em fenômenos transitórios, e sim como poder permanente, conferido por Deus a uma pessoa em vista de um determinado ofício. O Espírito Santo repousa sobre Moisés (Nm 11.7,25), é comunicado a Josué (Nm 27.18; Dt 34.9), toma posse de Davi desde o dia da sua unção (1Sm 16.13), e fala por sua boca (2Sm 23.2); enche os artífices, encarregados de fabricar os objetos do culto (Êx 28.3; 31.3; 35.31), repousava sobre Eliseu, que o herdou de Elias (2Rs 2.9). Assim, um profeta pode ser chamado “homem do Espírito” (Os 9.7). Repousa sobre o rei messiânico e os seus colaboradores (Is 11.2; 28:6), sobre o servo de Iavé (Is 42.1) e sobre o profeta que deve anunciar ao povo a boa nova (Is 61.1). Afinal, o Espírito Santo é o órgão que, por intermédio dos profetas, transmite continuamente as ordens de Iavé a seu povo (Zc 7.12; Ne 9.30) e é até o apanágio dos sábios (Jó 32.8.18;). É interessante que as conceições mais antigas (com exceção de alguns textos proféticos Is 4.3ss; 11.2-5; 28.6 cuja origem pré-exílica é posta em dúvida por muitos críticos) não atribuem ao Espírito Santo efeitos morais, mas unicamente psíquico. Via-se, porém, nestes efeitos psíquicos, uma intenção de ordem moral, pois era assim que o Deus de Israel cumpria poderosamente as promessas da aliança, capacitando os seus representantes, por uma intervenção transitória ou por um dom permanente, para salvar ou para guiar o povo.

2. O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO.

As concepções do N.T. sobre o Espírito Santo continuam as do AT. A maior parte das expressões com que no AT as atividades do Espírito Santo são descritas, encontra-se também no Novo; o Espírito Santo vem do alto, do céu (Mc 1.10; Jo 1.32; 1Pe 1.12), do Pai (Jo 15.26; 16.13), Ele desce (At 10.44; 11.15), é enviado ou dado pelo Pai (Lc 11.13; 1Jo 3.24; 4:13; Gl 4.6; Rm 8:15) ou derramado (At 2.17); Ele enche o homem (Lc 1.15; 4.1; At 2.4; 4.6), repousa sobre ele (Jo 1.32ss); ou mora nele (Rm 8.9; 1Co 3.16). O Espírito Santo é a força sobrenatural, pela qual Deus, em casos particulares, intervém para operar milagres no homem (como é o dom), vejamos:

  • Através do Espírito Santo podemos expulsar demônios (Mt 12.28; Lc 11.20 diz pelo dedo de Deus),
  • Operar curas ou outros efeitos do poder divino, como a gravidez sobrenatural (Mt 1.18,20; Lc 1.35 onde o Espírito Santo está em paralelismo com o poder do Altíssimo). 
  • Operar fenômenos sobrenaturais de ordem psíquica. A esses pertencem as intuições, visões e manifestações proféticas (Lc 1.41,67; 2.25ss; At 7.55; 8.29,39; 11.12,28; 20.23; 21.11; 1Co 12.11), o milagre do pentecostes (At 2.4,17), a glossolália (At 10.44-46; 19.6; 1Co 12.10; 14.2-28), a interpretação das línguas (1Co 12.10; 14.13,27), o discernimento dos espíritos (1Co 12.10; 14.29; 1Ts 5.19-21; 1Jo 4.1), a fé que opera milagres, etc.

Em geral esses efeitos do Espírito Santo quando não vigiando não são permanentes; assim pode-se compreender que alguém que é sempre cheio de Espírito Santo pode ficar repleto do Espírito Santo para uma ocasião especial, como Estevão (At 6.3,11; 7.55). De outro lado é intima a relação do Espírito Santo com certos ofícios. Não apenas os profetas, mas também os doutores, os que governam (1Co 12:28), os Sete (At 6.3,5-11; 8.29) e sobre tudo os apóstolos (1Co 12.28; 7.40; At 2.4; 5.3,9; 2Tm 1.14) estão de modo permanente dotado com aquela força divina, para poderem cumprir devidamente a sua tarefa.

Conforme Atos é o Espírito Santo quem governa a comunidade, através dos apóstolos e dos seus colaboradores (At 13.2; 15.28; 20.28; 1Tm 4.14; 2Tm 1.6). Pela descida do Espírito Santo na hora do seu batismo o próprio Jesus foi solenemente constituído como ungido e eleito de Deus (Mt 3.16; Jo 1.32; cf. Is 42.1; 61.1), de acordo com as predições dos profetas (Is 11.12; 42.1). Naquele momento Ele foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com força (At 10:38; preste-se atenção às noções paralelas; cf. Lc 1.35; At 1.8), quando, constituído como o Messias (ungido) esperado (Rm 1:4), no início de sua vida pública que foi inaugurada sob o influxo do Espírito Santo (Mc 1.12; Mt 4.1).

 CRISTOLOGIA, A DOUTRINA DE CRISTO

TEXTO BÁSICO: João 1.1-14

 

1 - No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 - Ele estava no princípio com Deus. 3 - Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. 4 - Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; 5 - e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. 6 - Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. 7 - Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. 8 - Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz. 9 - Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo, 10 - estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu. 11 - Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 - Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome, 13 - os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. 14 - E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

TEXTO DEVOCIONAL: João 1.17

Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 

Introdução: Chama-se Cristologia a doutrina que estuda a respeito da pessoa do Senhor Jesus. O termo vem do  nome “Cristo”  que é o equivalente neo testamentário de “Messias”, do Antigo Testamento, e significa “Ungido”, e do grego “logia” que significa estudo ou tratado. Portanto, Cristologia é o estudo ou tratado a respeito de Cristo. Trata de sua humanidade, divindade, pré-existência, morte, ressurreição, ascensão e sua volta iminente nas nuvens dos céus para buscar a sua Igreja. No que tange a vida de Jesus muitos já tentaram fazer uma biografia a seu respeito, Flávio Josefo, que foi um estudioso dos tempos de Cristo, registrou que existia no seu tempo cerca de 13 (treze) pessoas com o nome Jesus, Este nome vem da transcrição grega “Yhesus” do hebr. “Yesua”, forma tardia de “Yehosua” ou “Yosua”, nome judaico frequente (Yavé é, ou dá salvação). As seguintes pessoas bíblicas têm esse nome: Josué (At 7:45; Hb 4:8; 1Mac 2:55 Josué, cumprindo a palavra de Deus, veio a ser juiz em Israel.); um levita do tempo de Ezequias (2Cr 31:15); um sacerdote (1Cr 24:11); vários contemporâneos de Zorobabel (Ed 2:6; 3:9) e Ne (8:7); o sumo sacerdote Josué (Zc 3:1); um dos antepassados de Jesus Cristo (Lc 3:29); ainda Jesus filho ou neto de Sirac (Eclesiático: “Sabedoria de Jesus filho de Sirac”), Jesus Barrabás (conforme muitos manuscritos), Jesus um justo colaborador de Paulo (Cl 4:11), Jesus Cristo. As palavras do anjo em Mt 1:21 aludem ao sentido do nome hebraico “Ele Jesus há de libertar o seu povo dos pecados”. O contexto da vinda de Jesus na terra teve exatamente a aprovação prévia do Senhor Todo-Poderoso.

I. A PRÉ-EXISTÊNCIA DE CRISTO.

Pré-existência refere-se ao período de existência anterior ao nascimento físico. A Bíblia é categórica ao ensinar que Cristo nasceu em Belém da Judéia, porém ela mesma afirma sua pré-existência em Jo 17.5 “e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” sua natureza eterna, vista neste texto comprova o fato de que Cristo não teve inicio, nem terá fim, por ser eterno no sentido da palavra. O próprio Senhor Jesus confirma em Jo 8.58: “... Em verdade eu vos digo: Antes que Abraão existisse, EU SOU.”.

1. PRÉ-ENCARNADO. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1.14)

O termo “encarnação” refere-se aquele período em que Deus se fez homem na Pessoa de Cristo. Pré-encarnação, portanto, tende a referir-se a Cristo antes mesmo dele nascer em forma humana. A Bíblia afirma que Ele existiu eternamente antes da Criação do mundo. Jo.1.1: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Jesus estava desde o "principio com Deus v.2. Antes mesmo que houvesse mundo, a sua pré-existência é testificada em Jo 17.5 Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. O Verbo "se fez carne" implica numa existência pré-encarnada, isto é, antes de seu nascimento humano.  Além destas afirmações, ainda temos o fato atestado pela Bíblia de que Cristo esteve presente na própria criação do mundo, mais do que isto, Todas as coisas foram criadas por intermédio dele (Jo 1.3; Cl 1.15) O mundo foi criado "por intermédio dele” e  "para ele"  Cl 1.15,1617,  Ele é o "primogênito de toda a criação"  Tudo subsiste "nEle"

2. ENCARNAÇÃO. Fp 2.6,7 que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

Se pré-encarnação fala de sua existência anterior ao nascimento humano, encarnação vai falar exatamente de seu nascimento. Paulo enfatizou o fato de Jesus voluntariamente tornar-se homem. Jesus, sendo o eterno “Logos” (verbo), continuou sendo o Deus Eterno quando se fez carne. O Verbo eterno e infinito se fez, em Jesus de Nazaré, homem finito e suscetível a morte, sem nunca deixar de ser o verbo divino. “Sim, é tão sublime - unanimemente o proclamamos - o mistério da bondade divina: manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na glória!” (1Tm 3.16).  Deus preparou de maneira sublime todas as coisas para o advento da encarnação de Cristo. Lemos em Gl 4.4. “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei,” Plenitude dos tempos significa “no tempo determinado por Deus”. O mundo foi preparado de uma forma especial, sob governo romano, existia por todo mundo de então, uma influência unificadora. Utilizava-se universalmente a língua grega, comum no comércio e na vida cultural e quase não houve guerra naquele século primeiro da era cristã. Tinha sido desenvolvido pelos romanos, excelentes sistemas de correio governamental, rotas marítimas de ordem comercial e redes rodoviárias. Todos estes fatores facilitaram a rápida divulgação do Evangelho nas décadas que sucederam a encarnação de Cristo. A “mãe” de Jesus e o local de seu nascimento também foram  preparados de forma especial. Num evento chamado de “anunciação”, o anjo Gabriel foi enviado para explicar a Maria que o Espírito Santo desceria sobre ela e como iria então conceber e dar a luz ao Filho de Deus. Lc 1, e através do decreto de um rei pagão, José e Maria tiveram de descer até Belém, cidade já profetizada como local de nascimento do Messias. Lc 2.1-3. Eles viajaram 110 Km  da Galileia, onde moravam até Belém, a cidade de Davi, para fins de recenseamento.

I. AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO.

A encarnação de Cristo em nada limitou a sua divindade, mesmo ao deixar o esplendor da sua glória para assumir a forma humana ele nunca deixou de ser Deus. Assim podemos dizer que a pessoa de Cristo é “TEANTRÓPICA”, isto é, Ele tem duas naturezas, divina e humana em uma só pessoa, constituindo uma só substância pessoal, duas naturezas, uma pessoa. Tanto as qualidades e os atos divinos quanto humanos podem ser atribuídos a Jesus sob qualquer uma das suas naturezas, as duas naturezas não podem ser separadas.

1. NATUREZA HUMANA. 1Jo 4.2 - Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

Dos quatro Evangelhos, somente Lucas dá um resumo da infância de Jesus. “O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.” Lc 2.40, Acrescenta ainda: “E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” Lc 2.52. Estes dois versículos mostram que Jesus era sujeito as leis normativas do desenvolvimento humano. Com exceção de sua natureza impecável, a infância de Jesus decorreu de forma normal. Ele apresentava aspéctos físicos e desenvolvimento um homem, E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça... Lc 2.52.  Ele tinha um corpo físico, Mt 26:12  Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento. Além disso Ele recebeu nomes humanos: Jesus (Mt 1.21); Filho do Homem (Mt 8.20; 11.18); Filho de Abraão (Mt 1.1). Teve as Limitações da Natureza Humana, Sem Pecado: Ficou cansado (Jo 4.6); Sentiu fome (Mt 4.2; 21.18); Sentiu sede (Jo 19.8); foi tentado (Mt 4; Hb 2.18). Foi Muitas Vazes Chamado de Homem. (Jo 1.30; 4.9; 10.38)

2. NATUREZA DIVINA. Jo 1.1  No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Mesmo após sua encarnação, Jesus em nada limitou sua divindade, Jesus foi o Deus-Homem. Tudo isto confirmado pelo testemunho insofismável das Escrituras que prova sua divindade ao atribuir a ele atributos inerentes somente a Deus. A Bíblia atestam de Jesus: Ele é eterno (Jo 1.1; 8.58; 17.5); Ele é omnipresente (Mt 28.20; Ef 1.23); Ele é omnisciente (Jo 16.30; 21.17); Ele é omnipotente (Jo 5.19); Ele é imutável (Hb 1.12; 13.8). Além desses atributos, ele possui ofícios divinos: Ele é criador (Jo 1.3; Cl 1.16); Ele é sustentador (Cl 1.17). Possuindo também Prerrogativas Divinas, fazendo coisas que somente Deus pode fazer, tais como: Perdoar pecados (Mt 9.2; Lc 7.47); Ressuscitar os mortos (Jo 5.25; 11.25); Executar julgamento (Jo 5.22). Ele é Identificado com Iavé do Antigo Testamento. "EU SOU" (Jo 8.58); Visto por Isaías (Jo 12.41; 8.24,50-58). Possuindo ainda nomes divinos tais como: "Alfa e Ômega" (Ap 22.13); "EU SOU" (Jo 8.58); "Emanuel" (Mt 1.22); "Filho do Homem" (Mt 9.6; 12.8); "Senhor" (Mt 7.21; Lc 1.43); "Filho de Deus" (Jo 10.36); "Deus" (Jo 1.1; 2Pe 1.1). A Bíblia ainda testifica de sua divindade demostrando possuir Jesus relações divinas, declarando ser Ele “...a imagem expressa de Deus”  (Cl 1.15; Hb 1.3). Confirmando ainda ao dizer: “Ele é um com o Pai” (Jo 10.31). Finalizando, Jesus sendo Deus, Ele aceita adoração divina (Mt 14.33; 28.9; Jo 20.28,29), Reivindicando  ser Deus, (Jo 8.58; 10.30; 17.5)

III. UNIÃO DAS NATUREZAS. Mt 11.29 - Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma.

Com respeito a união das naturezas de Cristo, observamos o seu caráter absolutamente santo, a sua natureza humana foi criada santa, “...O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” Ele não cometeu pecado, (Is 53,9; 1Pe 2.22), e sempre agradou o Pai. (Jo 8.29). Por causa do seu amor genuíno que ultrapassa todo o conhecimento, Ele foi capaz de entregar a sua vida. Jo 15.13 “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. Ele foi sério sem ser melancólico, foi alegre sem ser frívolo, Jesus era perfeitamente equilibrado, teve uma vida intensa de oração (Mt 14.23; Lc 6.12), foi um trabalhador incansável realizando as obras do seu Pai (Jo 5.17; 9.4), foi manso e humilde, chagando ao ponto de “tomar a forma de servo” Fp 2.4-8; Mt 11.29

EPÍLOGO. 1Pe 3:18   “Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito.”

Cristo foi dado por Deus Pai como propiciação pelos pecados daqueles que viessem a ter fé no seu sangue derramado. 2Co 5:21. “Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.”  A principal missão de Cristo, ao tornar-se homem quando veio a terra, não foi de ensinar nem de realizar milagres, foi sim a de morrer pelos pecados do mundo, tarefa esta que nenhum profeta poderia cumprir.  Rm 10:8-11  “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

 

BIBLIOGRAFIA: (não anotada)

TEOLOGIA, A DOUTRINA DE DEUS

“ATRIBUTOS DD DEUS”

TEXTO BÁSICO: Sl 139.1-14

1 - SENHOR, tu me sondaste e me conheces. 2 - Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. 3 - Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. 4 - Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces. 5 - Tu me cercaste em volta e puseste sobre mim a tua mão. 6 - Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta, que não a posso atingir. 7 - Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? 8 - Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; 9 - se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, 10 - até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. 11 - Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim. 12 - Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. 13 - Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe. 14 - Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

TEXTO DEVOCIONAL : Sl 102.25,26,27

25 - Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. 26 - Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como uma veste, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. 27 - Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

Introdução: Falar dos atributos de Deus significa falar das qualidades ou características que fazem parte de sua essência divina. Portanto, conhecer esses atributos nos permitirá compreender melhor a Pessoa de Deus e seu papel em nossas vidas. Quando entendemos esses atributos, descobrimos o quanto e como Ele é glorioso e digno de ser adorado. A Bíblia nos mostra um Deus acima de todas as coisas, perfeito e santo, mas que nos ama profundamente. Os atributos de Deus podem ser divididos em dois tipos. Atributos “comunicáveis”, que podem ser entendidos como características da Pessoa divina que são compartilhadas com a humanidade, e atributos “incomunicáveis” que diferentes das primeiras não há exemplos dessas qualidades em nenhuma pessoa no mundo que nos rodeia. Podemos dizer que os atributos comunicáveis são “morais” e os incomunicáveis são “pessoais” de Deus.

I. ATRIBUTOS PESSOAIS OU INCOMUNICÁVEIS.

São aqueles que enfatizam a distinção absoluta entre Deus e a criatura, isto é, não podem ser comunicados à criatura,

1. DEUS É AUTO EXISTÊNTE - Jo 5.26 Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmo Por auto-existência entende-se que Deus existe por si mesmo. Na verdade, Deus nunca teve inicio, Ele é absolutamente independente de tudo fora de si mesmo para continuidade e perpetuidade do Seu Ser. Deus existe. Seu nome é para sempre “EU SOU” (Ex 3.14). O fato de ser Ele absolutamente ilimitado e independente, sem principio de dias e eterno, desde toda a eternidade dotada de toda a perfeição possível como o Espírito Absoluto, não pode de maneira alguma constituir uma limitação de Deus. Exist ir por si mesmo faz parte de Sua Natureza.

2. DEUS  É ETERNO -  Jo 8.28 Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. A forma que a Bíblia usada para descrever a eternidade de Deus, simplesmente diz que a sua duração corresponde a idades sem fim (Sl 90.2,12; Ef 3.21). Eternidade no sentido da palavra, se aplica ao que transcende a todas as limitações temporais. Deus enche o tempo.

3. DEUS É IMUTÁVEL - Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Tg 1.17. Imutabilidade é a perfeição por meio da qual Deus não está sujeito a qualquer mudança, no Seu Ser e também em suas perfeições, propósitos e promessas.

4. DEUS É ONISCIENTE –  Sl 139.2 - Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. A palavra Omnisciência deriva de duas palavras latinas, omnis que significa tudo, e scientia, que significa conhecimento. Assim, a onisciência de Deus tem a ver com sua capacidade de tudo saber. De fato, as Escrituras ensinam do começo ao fim que Deus é onisciente; Sua compreensão é infinita, e sua inteligência é perfeita. (Sl 139. 1-4; Mt 10.29; Jo 3.12; Ef 1.9-12; At 15.18)

5. DEUS É ONIPOTENTE – Sl 93. 4 - Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o ruído das grandes águas e do que as grandes ondas do mar. A palavra omnipotência deriva de dois termos latinos, omnis e potência que, juntos, significam todo poder. Esse atributo aplicado a Deus, mostra que Seu poder é ilimitado; Ele tem poder de fazer qualquer coisa que queira. A onipotência de Deus é aquele atributo pelo qual Ele pode levar a efeito qualquer coisa que deseje. (Gn 18.14; Jó 42.2; Sl 115.13)

6. DEUS É ONIPRESENTE – Sl 139. 8 - Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; A omnipresença de Deus, está intimamente ligado a sua onipotência e onisciência. Só Deus possui estes três “omnis”. Por sua onipresença, é que Deus pode estar em todos os lugares e possui pleno conhecimento de tudo quanto ocorre em todos os lugares. Sl 139.7-12;

II. ATRIBUTOS DE DEUS MORAIS OU COMUNICÁVEIS

São aqueles em que são encontradas semelhanças ou analogias na criatura, especialmente no ser humano (estes atributos podem ser comunicados à criatura).

1. DEUS É VERAZ – Sl 31.5 - Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade. A veracidade é um dos múltiplos aspéctos de Deus. Deus é ao mesmo tempo, veraz e perfeito. A mentira é incompatível com a natureza divina. Jo 3.33; Rm 3.4; 1Ts 1.9; 1Jo 5.20

2. DEUS É SÁBIO – Sl 33.11 - O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração, de geração em geração. Pode-se considerar a sabedoria de Deus como um aspecto particular do Seu perfeito conhecimento. A sabedoria de Deus está relacionada com Sua inteligência, tal qual se revela na adaptação dos meios aos fins. Isto quer dizer que Deus sempre se empenha pelos melhores fins possíveis e escolhe os melhores meios para a realização do Seu propósito. Sl 19.1-4; 33.10,11; Rm 11.33; 1Co 2.7,8; Ef 3.10

3. DEUS É SOBERANO – Is 33.22 - Porque o SENHOR é o nosso Juiz; o SENHOR é o nosso Legislador; o SENHOR é o nosso Rei; ele nos salvará. Deus governa como Rei no mais absoluto sentido da palavra, e todas as coisas dependem dEle e a Ele servem. A soberania de Deus encontra expressão não só na vontade divina, mas também na sua onipotência, ou poder de executar a Sua vontade. Dt 10.14,17; 1Cr 29. 11,12; 2Cr 20.6

4. DEUS É AUTO-DETERMINADO Sl 135.6 - Tudo o que o SENHOR quis, ele o fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos. Fala da sua “Vontade”, e expressa primariamente o atributo de autodeterminação, mediante a qual Ele age de conformidade com o Seu eterno poder e Deidade, sustentando todas as coisas, e para o bem eterno das Suas criaturas. Sl 135.6

5. DEUS É JUSTO – Sl 145.17 - Justo é o SENHOR em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras. A lei é parte inerente à natureza de Deus, a qual se constituiu no modelo mais elevado de lei, pelo quais todas as outras leis têm que ser julgadas. Para melhor compreensão do assunto, podemos fazer distinção da justiça absoluta com a justiça relativa. A primeira tem a ver com a retidão da divina natureza, em virtude da qual Deus é infinitamente justo em si mesmo. A segunda te a ver com a perfeição de Deus por meio da qual Ele se mantém contra toda a violação da Sua santidade e faz ver, em todo o sentido, que Ele é Santo. A esta retidão é que mais particularmente se aplica o termo “justiça”

6. DEUS É BOM – Sl 145.9 - O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras. A ideia  fundamental do termo é que Deus, em todo o sentido, é bondade, e, consequentemente, corresponde perfeitamente ao ideal expresso na palavra “Deus”. Deus é bom no sentido transcendente da palavra, significa absoluta e perfeita felicidade em Si mesmo. Sl 145.9,15,16; Lc 6.35

  • AMOR – Rm 5.8 - Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Quando a bondade de Deus se manifesta em favor de suas criaturas racionais, assume mais elevado caráter de amor, amor este que se distingue conforme os objetos aos quais se destina, podendo ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é impelido eternamente a comunicar-se com as criaturas. Jo 3.16
  • GRAÇA – Tt 2.11 - Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, A imerecida bondade de Deus para com aqueles que se encontram em estado de miséria espiritual, carecendo de ajuda, graça é uma tradução do termo hebraico “ch'n”, e do grego “charis” . No geral pode-se dizer que é a gratuita generosidade  para com alguém que não tem o direito de reclamá-la.
  • MISERICÓRDIA – Sl 57.10 - Pois a tua misericórdia é grande até aos céus, e a tua verdade até às nuvens.Dentre os mais destacados aspectos da bondade de Deus está, sem dúvida, a sua compaixão ou misericórdia. Se graça divina sentencia o homem como culpado, fazendo-o carente do perdão divino, a misericórdia de Deus distingue o homem como alguém cansado sob o fardo de pecado, necessitando de urgente ajuda espiritual. Dt 5.10; 86.15;

7. DEUS É SANTO – Is 6.3 - E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. Santidade de Deus significa sua absoluta pureza moral. Indica que Ele não pode pecar nem tolerar o pecado. Como atributo divino, a santidade mantém distinção entre Deus e a criatura. Não denota apenas um atributo de Deus, mas a própria natureza divina. Is 57.15; Ex 15.11; 1Sm 2.2; Os 11.9 Ela é a soma de todos Seus atributos morais e expressa a majestade de sua natureza. Por cerca de trinta vezes o profeta Isaías se refere a Jeová chamando-o de “O Santo”, apontado o significado daquelas visões que mais i impressionaram. Deus deseja ser conhecido essencialmente por sua Santidade, pois esse é o atributo pelo qual Ele é glorificado por excelência.


BIOBIOGRAFIA: (não anotada)

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

SEGURANÇA DA SALVAÇÃO (PREDESTINAÇÃO)

TEXTO BÁSICO: Efésios 1.14

3 - Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, 4 - como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade, 5 - e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 - para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. 7 - Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, 8 - que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência, 9 - descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, 10 - de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; 11 - nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, 12 - com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo; 13 - em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; 14 - o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.

Texto Devocional: Rm 8.29,30

29 - Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 - E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Introdução: A salvação em Cristo Jesus, é, entre as doutrinas da Bíblia uma das mais fáceis em sua compreensão. É bem natural que seja assim visto Deus, em Sua infinita misericórdia desejar alcançar toda humanidade. O problema é que temos o defeito de complicar até mesmo as coisas menos complicadas. Paulo sabia disso, por isso chegou expressar um sentimento de medo desta fuga do simples, e do resultado que isto poderia causar. 2Co 11:3 Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Deus fez questão de que em Sua Palavra, a salvação fosse um caminho de fácil acesso. Mas nós defizemos a questão e enchemos de perguntas e indagações que na maioria das vezes são perguntas que em seu mérito em nada exerce influência sobre o Plano inicial de Deus. O resultado disto, são as discussões intermináveis que se prolongam por décadas e décadas e acabam não chegando a lugar nenhum. E o pior, tais discussões, tendem mais a afastar o pecador com suas dúvidas do que inflamar seus corações por um desejo do encontro pessoal com o Salvador Jesus Cristo. Jo 3.16 "Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16). O verdadeiro caminho é Jesus, a Bíblia não deixa nenhuma outra possibilidade de se chegar a Deus que não seja pelo sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. "...Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim." (Jo 14.6). Quando, no entanto, resolvemos estudar o tema "salvação"  é muito normal encontrarmos dificuldades de escapar, até porque carecemos de entendimento, de dois termos para os quais os estudiosos costumam direcionar o estudo em foco: ARMINIANISMO, CALVINISMO. Se queremos estudar o tema, talvez valha a pena nos debruçar os um pouco sobre esta que pode ser uma acalorada discussão.

I. ARMINIANISMO. 
O ARMINIANISMO e uma escola de pensamento soterilogico baseado nas idéias do holandês Jacobus Arminius. Jacó (português Brasil) ou Jacob (português Europa).  Armínio (latim: Jacobus Arminius, nome latinizado de Jakob Hermanszoon;10/10/1560 - 19/10/1609. Armínio foi um Teólogo neerlandês da época da reforma protestante. Trabalhou em 1603 como professor de teologia na Universidade de Leiden, e escreveu muitos livros e tratados sobre teologia; sua visão tornou-se a base do arminianismo e do movimento neerlandês Remonstrante. Armínio influenciado por teólogos como Johann Kolmann que acreditava que o calvinismo tornava Deus um tirano, aplicou-se com dedicação ao estudo soterilogico que culminou em desenvolver uma teologia que posteriormente  competiria com a dominante  teologia reformada de João Calvino. Armínio foi ordenado pastor em Amsterdã em 1588 e nessa condição, ganhou reputação  como um bom pregador fiél. Em 1590, casou-se com Lisbet Real. Após a sua morte, a sua objeção ao padrão reformado, a Confissão de Fé Belga, provocou uma ampla discussão no Sínodo de Dort, resultando nos cinco pontos do calvinismo na refutação aos ensinamentos de ARMÍNIO que eram também baseados em cinco pontos, a saber:

  • VONTADE LIVRE. A queda do homem  não foi total. Restou-lhe bem suficiente capaz de habilitá-lo a querer receber Cristo como Salvador.
  • ELEIÇÃO CONDICIONAL. A eleição se baseia no pré-conhecimento de Deus em relação àquele que deve crer.
  • EXPIAÇÃO UNIVERSAL. A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos os homens. Contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo.
  • A GRAÇA PODE SER IMPEDIDA. Deus envia Seu Espírito para atrair todos a Cristo, contudo, desde que o homem goza de vontade livre e absoluta, ele pode resistir a vontade de Deus em relação a sua própria vida.
  • O HOMEM PODE CAIR DA GRAÇA. O quinto ponto do armenianismo, é a consequência lógica das precedentes posições de seu sistema. O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser salvo.

1. VISÃO ARMINIANA.
Para os Arminianos, Deus, em seu infinito amor e misericórdia, pré destinou todos os homens que crerem em Cristo Jesus à salvação. Ao homem, cabe apenas aceitar mediante a fé o ato de sacrifício de Jesus na Cruz. Segundo esta visão, o homem tem participação direta na salvação através da sua escolha, podendo também da mesma forma escolher, mediante seus atos, decair da fé, e assim perder a salvação. Segundo o Arminianismo, todas as pessoas foram escolhidas para serem salvas, mas somente os que aceitam o chamado e perseveram até o final serão de fato salvos. Jacó Armínio enquadra-se como mentor do sinergismo Arminiano, significando que, por sua doutrina, o homem não é capaz de escolher aceitar o sacrifício de Jesus sem a intervenção Divina, intervenção essa que gera no homem a capacidade de escolha (livre arbítrio).

II. CALVINISMO.
O calvinismo (também chamado de Tradição Reformada, Fé Reformada ou Teologia Reformada) é tanto um movimento religioso protestante quanto um sistema Teológico bíblico com raízes na Reforma iniciada por João Calvino em Genebra no século XVI. João Calvino (Noyon, 10/07/1509, Genebra, 27/05/1564) foi um teólogo cristão francês, e teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, uma influência que continua até hoje. Portanto, a forma de Protestantismo que ele ensinou e viveu é conhecida por alguns pelo nome Calvinismo, embora o próprio Calvino tivesse repudiado contundentemente este apelido. Esta variante do Protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos. Nascido na Picardia, ao norte da França, foi batizado com o nome de Jean Cauvin. A tradução do apelido de família "Cauvin" para o latim Calvinus deu a origem ao nome "Calvin", pelo qual se tornou conhecido

1. VISÃO CALVINISTA.
Para os Calvinistas, Deus não destinou todos os homens à salvação, visto que é fato que nem todos se salvam. Neste caso, segundo ensinam, Cristo teria morrido apenas pelos seus eleitos. Estes por sua vez, ouvem o chamado irresistível do Espírito Santo e se rendem a Cristo, sendo então justificados pela graça de Deus. Os Calvinistas Ensinam também que em virtude do pecado de Adão a condição de pecador se estendeu a toda raça humana (depravação total). Portanto, o Homem peca porque é pecador, isto é, tem a natureza do pecado, e não é pecador porque peca (ato do pecado). Sendo assim, o homem necessitava de um plano de salvação para que pudesse ser restaurado à imagem e semelhança de Deus, então, segundo a doutrina da predestinação, Deus escolheu "alguns" dos seres humanos caídos para salvar do pecado, restaurando para comunhão com Ele.Ef 2:8,9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de  Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.

a) OS CINCO PONTOS CALVINISTAS.
Os cinco pontos Calvinistas, conhecidos pelo acróstico TULIP, referente às iniciais dos pontos em inglês, são doutrinas básicas sobre a salvação, definidas pelo Sinódono de Dort. São eles.

  • Depravação Total. Todos os seres humanos nascem totalmente depravados incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais
  • Eleição Incondicional. Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, fé ou obra prevista neles
  • Expiação Limitada. Jesus Cristo morreu na cruz para para o preço de resgate somente para os eleitos.
  • Graça Irresistível. A Graça de Deus é irresistível para os eleitos. O Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles.
  • Perseverança dos Santos. Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu, nenhum perderá a salvação.

b) O PLANO DE SALVAÇÃO.
O Plano da Salvação, segundo a visão Calvinistas, consistiu em Cristo morrer pelos eleitos, para que por sua graça, houvesse remissão dos pecados. Neste caso, não cabe ao Homem qualquer participação no plano de salvação, toda a iniciativa e realização vem unicamente da Pessoa de Deus. É Ele quem muda a disposição de um coração morto e obstinado pelo pecado, e transforma-o em um coração sensível à Sua voz. Nesta condição o Homem só pode dizer "sim" a chamada à salvação.

c) A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO.
Segundo ainda esta visão, o homem uma vez "verdadeiramente salvo" não perde essa condição visto ser o próprio Deus o sustentador do pecador regenerado. O Calvinismo, contudo não "afrouxa" a necessidade de uma vida santificada, um salvo deve viver como tal. Princípio que enfatiza apenas o aspecto último da salvação, o momento final da vida de um homem, pois não são obras da vida do homem que salvam o homem, mas o perdão de Deus. Uma pessoa que Deus perdoou têm uma vida digna de piedade aos olhos de Deus, não cabendo aos homens julgarem quem é salvo ou não, mas antes realizarem a vontade de Deus, que é viver de maneira misericordiosa, ou seja Deus encarnou na pessoa de Jesus para salvar os pecadores não os pecados.

d) PARA QUEM DEUS CONCEDEU A SALVAÇÃO.
João Calvino pregava que Deus salva aqueles que elegeu desde antes da fundação do mundo, concedendo-lhes irresistivelmente a fé em Cristo e em sua obra redentora, o que não exclui nem mesmo fariseus, hipócritas, prostitutas, pobres, ladrões, efeminados, assassinos, vaidosos, segundo o conselho da Sua própria vontade santa e soberana. Ao conceder, pela Sua graça, a fé salvadora, Deus livra os seus eleitos da hipocrisia, da prostituição, da luxuria, do assassínio, e da miséria de espírito, por vezes disciplinando-os como filhos amados que são, através de tribulações e sofrimentos, que são permitidos por Deus na exata medida em que gerem crescimento e maturidade espiritual. At 14.22: "Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.".
Todavia, o maior ou menor grau de sofrimento dos homens não decorrem do maior ou menor mérito destes, pois os justos aos olhos de Deus também passam por adversidades e angústias, assim como os ímpios. Corrobora este Entendimento. Sl 34.19: "Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas."

CONCLUSÃO. Não é difícil perceber que ambos, tanto Armínio quanto Calvino, depois de todos os esforços no estudo doutrinário soterilogico, chegaram a um entendimento: A Salvação está na Pessoa do Senhor Jesus Cristo. Fora de Jesus não há salvação. Aí não importa muito se s visão é esta ou aquela. Ambas as visões tem seus méritos, e por isso, podem muito bem serem admitidas e unidas a um entendimento mais apurado.

 

 

 

 

 

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