domingo, 12 de janeiro de 2020

O JEJUM QUE DEUS QUER

O JEJUM QUE DEUS QUER...
O que é que eu quero que vocês façam nos dias de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?  “Não! Não é esse o jejum que eu quero... Is 58.5,6a NTLH

INT. A palavra "jejum" não aparece na Bíblia como designação de um mandamento ou ordem divina propriamente dita. No entanto não é difícil o encontrarmos em diversas citações, principalmente no AT e em relação ao povo judeu. Por diversas vezes este povo é visto praticando o jejum, prática feita
em cumprimento a uma ordenação estabelecida na Lei de Moisés. Isto se tornou tão natural para eles que eles tinham um dia no ano estabelecido para esse fim, e chamavam este dia de "O dia da expiação" — Mas, aos dez deste mês sétimo, será o Dia da Expiação; tereis santa convocação, e afligireis a vossa alma, e oferecereis oferta queimada ao Senhor  Lv 23:27 ARC. Na NTLH o texto está descrito desta forma: O dia dez do sétimo mês é o dia em que os pecados do povo são perdoados. Nesse dia ninguém deverá comer nada, e todos deverão apresentar a Deus, o Senhor , ofertas de alimento. Lv 23:27 NTLH. 

Observem a descrição... "Nesse dia ninguém deverá comer nada" na NTLH, "e afligireis a vossa alma" na tradução ARC. O que nos parece dar a entender que o ato de não comer, na ordenação divina tinha uma finalidade maior do que simplesmente deixar de comer. O que é dito é que o ato, na sua essência tinha o poder de afligir a alma daquele que o estava praticando... Mais tarde este dia ficou conhecido como “o dia do jejum” Entra, pois, tu e lê pelo rolo que escreveste da minha boca as palavras do Senhor aos ouvidos do povo, na Casa do Senhor , no dia de jejum; e também aos ouvidos de todo o Judá vindo das suas cidades as LERÁ. Jr 36:6 ARC.

Contudo, por mais que vasculhemos os textos sagrados não encontraremos uma ordem específica no sentido de praticarmos o jejum. Contudo, também, apesar de não haver assim uma ordem imperativa acerca desta prática, os escritores biblicos não economizaram espaço para falar dele.
E vejam bem, a Bíblia vai falar não apenas de pessoas que jejuaram mais fala também da forma como o fizeram, e chega mesmo inferir que nós, os crentes de hoje, em algum tempo, deveríamos jejuar, e chega mesmo nos instruir na forma correta de fazê-lo. Jesus respondeu:  — Vocês acham que os convidados de um casamento jejuam enquanto o noivo está com eles? Enquanto ele está presente, é claro que não jejuam!  Mas chegará o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; então sim eles vão jejuar... Mc 2:19, 20 NTLH

Sendo assim, o que é o jejum? Como entender esta pratica e porque praticá-lo? Talvez estas sejam apenas algumas das muitas perguntas que nos fazemos em relação ao assunto, e já até ouvimos as respostas em relação a elas, mas, o que dizer se continuamos ainda com algumas dúvidas em relação ao tema. Agora, não pela primeira vez, mas somos convidados a jejuarmos, não um dia ou dois, mais jejuarmos 20 dias... Começando, no dia 11. Então o mínimo que temos que ter é um entendimento básico do que vamos fazer, como fazer e porque fazer... Para tanto, eu pretendo ser o mais breve e o mais sucinto possível....

1. O QUE É JEJUAR?
Nada melhor que começarmos por uma breve definição sobre esta prática propriamente dita...
O jejum pode ser entendido pela abstinência total ou parcial de alimentos, ou até mesmo coisas ou atitudes por um período definido e com propósito específico e estabelecido. Não é um assunto novo pois tem sido praticado por muitas pessoas em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões. E Pode ser praticado com finalidade espiritual, medicinal ou até mesmo estética visto que o jejum, principalmente o alimentar traz tremendos benefícios físicos com a desintoxicação que produz no corpo. Mas no nosso enfoque é do jejum Bíblico que queremos falar. Então, percebam: O Senhor Jesus falou mais de uma vez aos discípulos sobre como jejuar, mas no texto de Mateus, Ele claramente fala como alguém que esperava que o jejum fosse praticado.— Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como fazem os hipócritas, pois eles fazem isso para todos saberem que eles estão jejuando. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa.  Mas você, quando jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo  para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o seu Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa. Mt 6:16-18 NTLH

Observem que Ele não disse: “se jejuardes”, mas ele disse: “quando jejuardes”. E isto faz uma grande diferença. Por isso, é bom que notemos ainda que neste capítulo, Jesus ao falar dar ênfase à prática do jejum tanto quanto enfatiza a prática da oração e a prática de boas obras. Desta forma fica evidente que o jejum é tanto mencionado com destaque tanto no AT quanto no Novo. Só para termos uma ideia, na Bíblia encontramos registro de  diversas pessoas jejuando e destes registros podemos destacar Moisés, Davi, Elias, Esdras, Neemias, Ester, Daniel, Ana e inclusive o próprio Senhor Jesus.

2. PARA QUE JEJUAR?
Havia ali também uma profetisa chamada Ana, que era viúva e muito idosa. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Sete anos depois que ela havia casado, o seu marido morreu. Agora ela estava com oitenta e quatro anos de idade. Nunca saía do pátio do Templo e adorava a Deus dia e noite, jejuando e fazendo orações. Lc 2:36, 37 NTLH

O que podemos ver até aqui é que o jejum é uma prática importante no que diz respeito ao desenvolvimento de um relacionamento com a Pessoa de Deus At 13:2 NTLH Certa vez, quando eles estavam adorando o Senhor e jejuando, o Espírito Santo disse: — Separem para mim Barnabé e Saulo a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os tenho chamado.  Então eles jejuaram, e oraram, e puseram as mãos sobre Barnabé e Saulo. E os enviaram na sua missão.O jejum então deve ser visto como um exercício de autodisciplina sobre os nossos desejos carnais. Exercício este que nos auxiliam e nos tornam capazes de mantermos a Pessoa de Deus em primeiro lugar nos nossos pensamentos. É um exércicio que nos liberta da escravidão dos nossos apetites, e nos faz estar concentrados no verdadeiro “Pão da Vida”, que é o Senhor Jesus Cristo. Os antepassados de vocês comeram o maná no deserto, mas morreram.  Aqui está o pão que desce do céu; e quem comer desse pão nunca morrerá.  Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer desse pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei para que o mundo tenha vida é a minha carne. Jo 6:49-51 NTLH.

Quando jejuarmos estamos fazendo um pequeno auto-sacrifício que nos ajuda a nos concentrarmos no incrível sacrifício do nosso Senhor e Salvador e Seu plano divino para nós. Através da prática do jejum conseguimos nos focar mais na Pessoa de Deus, e por esta razão podemos dizer que um dos objetivos mais importantes do jejum é que através dele aprendemos sobre a humildade e entendemos melhor como Deus é grande e como somos fracos, pecadores e necessitados. O rei Davi entendeu isso quando escreveu: “Humilhava a minha alma com o jejum” Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, a minha veste era pano de saco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio. Sl 35:13 ARC

3. PORQUE  JEJUARMOS?
Quando eles chegaram perto da multidão, um homem foi até perto de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: — Senhor, tenha pena do meu filho! Ele é epilético e tem ataques tão fortes, que muitas vezes cai no fogo ou na água. Eu o trouxe para os seus discípulos a fim de que eles o curassem, mas eles não conseguiram.  Jesus respondeu:  — Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Tragam o menino aqui!  Então deu uma ordem, o demônio saiu, e no mesmo instante o menino ficou curado.  Depois os discípulos chegaram perto de Jesus, em particular, e perguntaram: — Por que foi que nós não pudemos expulsar aquele demônio?  Jesus respondeu:  — Foi porque vocês não têm bastante fé. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês tivessem fé, mesmo que fosse do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a este monte: “Saia daqui e vá para lá”, e ele iria. E vocês teriam poder para fazer qualquer coisa!   Mas esse tipo de demônio só pode ser expulso com oração e jejum. Mt 17:14-21 NTLH

Além do propósito PRINCIPAL que destacamos até aqui que é o de adoração e da aproximação Deus. Não temos como  negar que existem ainda alguns propósitos secundários na prática do jejum, afinal de contas, orar suplicando a ajuda de Deus por algumas de nossas necessidades sérias ou de outras pessoas é um ensino abundante nas páginas das Escrituras. É se podemos unir a nossa oração alguma prática que nos aproxime ainda mais Dele, porque não fazer? Quando, por exemplo os discípulos não puderam expulsar um demônio depois de muitas tentativas, o que o Senhor  Jesus disse a eles? “esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum

O jejum quando do feito de forma apropriada, pode muitas vezes, resultar em progressos espirituais significativos. E, enquanto contamos com as ferramentas espirituais como a oração, o estudo da Palavra é a meditação bíblica cotidiana, de vez em quando pode ser muito bom unirmos a estas práticas a poderosa ferramenta chamada jejum. A bem da verdade existe muitas razões para jejuarmos, o que dizer de um problema pessoal, um pecado difícil de ser superado, uma decisão importante que precisa ser tomada, uma crise vivida pela Igreja, uma ameaça, a necessidade de mudar a atitude ou expressar agradecimento, entre outras coisas.

Na verdade, será para nós um grande bem quando como uma congregação da igreja ou em um círculo de amigos e irmãos, decidimos jejuar juntos a respeito de algum assunto urgente.

Quando o seu país estava sendo invadido, o rei Josafá “apregoou jejum em todo o Judá” 2Cr 20:1-4 Algum tempo depois, os exércitos dos moabitas e dos amonitas, junto com os meunitas, invadiram o país de Judá. Alguns homens vieram e disseram a Josafá: — Um exército enorme do país de Edom veio do outro lado do mar Morto para atacar o senhor. Eles já conquistaram a cidade de Hazazão-Tamar. (Hazazão-Tamar e Fonte de Gedi são o mesmo lugar.)  Josafá ficou com medo e orou a Deus, o Senhor , pedindo socorro. Depois deu ordem para que todo o povo de Judá jejuasse. Todos se reuniram para pedir socorro ao Senhor ; de todas as cidades do país o povo veio a Jerusalém. NTLH

Com a pregação de Jonas, “os homens de Nínive creram em Deus, e proclamaram um jejum” Então os moradores de Nínive creram em Deus e resolveram que cada um devia jejuar. E todos, desde os mais importantes até os mais humildes, vestiram roupa feita de pano grosseiro a fim de mostrar que estavam arrependidos. Jn 3:5 NTLH

CONCLUSÃO.
Isaías 58:1-12 é uma passagem expressiva e precisa ser observanda com muita propriedade afinal nela se contrasta as atitudes certas e as erradas quanto a prática deste ato sacrificial que denominamos de jejum. Podemos perceber nas palavras de Isaías claramente que o jejum não deve ser um mero ritual para a nossa vida cristã. Não, ele é muito mais do que apenas isto. O intuito do jejum é o de nos ensinar a nos dispormos ao sacrifício para servir aos outros. O quanto estamos dispostos a nos sacrificar?
Is 58.6-11 Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo tipo de escravidão.  O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes.  “Então a luz da minha salvação brilhará como o sol, e logo vocês todos ficarão curados. O seu Salvador os guiará, e a presença do Senhor Deus os protegerá por todos os lados.  Quando vocês gritarem pedindo socorro, eu os atenderei; pedirão a minha ajuda, e eu direi: ‘Estou aqui!’ “Se acabarem com todo tipo de exploração, com todas as ameaças e xingamentos;  se derem de comer aos famintos e socorrerem os necessitados, a luz da minha salvação brilhará, e a escuridão em que vocês vivem ficará igual à luz do meio-dia.  Eu, o Senhor , sempre os guiarei; até mesmo no deserto, eu lhes darei de comer e farei com que fiquem sãos e fortes. Vocês serão como um jardim bem-regado, como uma fonte de onde não para de correr água.



terça-feira, 1 de outubro de 2019

O terceiro Aspecto da Salvação, a Regeneração

Jovens e Adultos - Soteriologia, a doutrina da salvação.
Lição 4 - 
Leitura em Classe: 2Pe 1:3-11  
3. Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. 4. Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça. 5. Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; 6. ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; 7. à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. 8. Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em sua vida, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos. 9. Todavia, se alguém não as tem, está cego, só vê o que está perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados. 10. Portanto, irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar o chamado e a eleição de vocês, pois, se agirem dessa forma, jamais tropeçarão 11. e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Introdução: Para melhor compreensão do termo “regeneração”, podemos dizer que pelo aspecto divino, uma mudança de coração é chamada de “regeneração”, ou de “novo nascimento”. O conceito quando visto do lado humano, muda sua forma e pode ser chamada de “conversão”. Na regeneração, a alma é passiva; ela apenas “recebe” de Deus. Na conversão, ela é ativa, e neste caso, aqui existe uma “entrega” a Deus.

I. A NATUREZA HUMANA.
2Pe 1:4 pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.
Para que haja a concessão de uma nova natureza no que diz respeito à regeneração, deve acontecer primeiro a produção de uma nova criação (2Co 5:17). No entanto, a regeneração não implica em uma mudança substancial da alma. A Bíblia vai declarar repetidas vezes, que o homem precisa ser regenerado antes de poder ver a Deus. E esta afirmação é reforçada pela razão e pela consciência. A santidade é uma condição indispensável para sermos aceitos na comunhão com Deus. Mas toda a humanidade é pecadora por natureza, e quando chega a consciência moral, torna-se culpada de transgressão real. Portanto, em seu estado natural, a humanidade não pode ter comunhão com Deus. Agora, esta mudança moral no homem somente pode ser feita por um ato do Espírito Santo. Ele regenera o coração e comunica a este a vida e a natureza de Deus.
As Escrituras mostram que esta experiência é o desenvolvimento de um novo nascimento, pelo qual o homem se transforma em Filho de Deus (Jo 1.12). Por natureza, os homens são:
  • Filhos da ira (Ef 2:3);
  • Filhos da desobediência (Ef 2:2);
  • Filhos do Mundo (Lc 16:8);
  • Filhos do Diabo (Mt 13.38; 23.15; At 13.10; 1Jo 3.10).

Esta última expressão é usada especialmente para os que rejeitaram a Cristo, em Jo 8:44. Somente o novo nascimento pode produzir uma natureza santa dentro dos pecadores de modo a tornar possível a comunhão com Deus.

1. OS MEIOS DA REGENERAÇÃO.
A Escritura apresenta a regeneração como obra de Deus. Mas há numerosos meios e agências envolvidos na experiência, que faremos bem em notar.
  •  A Vontade de Deus. Somos nascidos “da vontade de Deus” (Jo 1:13). As palavras de Tiago esclarecem ainda mais: Pois, segundo seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade(Tg 1:18).
  • A Morte e Ressurreição. O novo nascimento é condicionado à fé no sacrifício expiatório do Senhor Jesus Cristo (Jo 3:14-16). A ressurreição de Cristo está igualmente envolvida em nossa regeneração 1Pe 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
  • A Palavra de Deus. Um dos principais agentes para a regeneração, como visto em Tg 1.18, é a Palavra de Deus Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”. Aqui cabe a explicação. O pensamento expresso em Jo 3:5; 1Pe 1:23, referente à água, não diz respeito ao batismo, pois o mesmo é evidenciado pelo fato de que em Ef 5:26 a purificação é relacionada à Palavra. Deve-se explicar Tt 3:5 da mesma maneira, pois é claro que a água não tem poder regenerador. Paulo havia gerado os Coríntios mediante o Evangelho (1Co 4:15), mas havia batizado apenas alguns deles (1Co 1:14 16). Zaqueu (Lc 19:9), o ladrão arrependido (Lc 23:42-43, e Cornélio (At 10:47) foram declarados salvos antes de terem sido batizados).
  • O Espírito Santo. Finalmente temos aqui o agente eficaz real no processo da regeneração, o Espírito Santo (Jo 3:5; Tt 3:5). A verdade não constrange a vontade por si só; além disso, o coração não regenerado odeia a verdade até ser trabalhado pelo Espírito Santo. O Senhor Jesus disse acerca do Espírito Santo, em Jo 16:8: Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. 

CONCLUSÃO:
Rm 8:16,17 O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiro de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.
Aquele que é nascido de Deus recebe condições para ser vencedor diante das inúmeras tentações que podem advir sobre ele (1Jo 3.9; 5.4,18). Isto indica que o salvo tem, em Deus, uma vida vitoriosa e contínua.  A regeneração como processo de Deus na salvação do homem, o leva entre outras coisas as seguintes atitudes:
  • Amar aos irmãos (1Jo 5.1),
  • Amar a Palavra de Deus (Sl 119.97; 1Pe 2:2),
  • Amar seus inimigos (Mt 5.43-48),
  • Amar as almas perdidas (2Co 5.14).

A pessoa regenerada goza de certos privilégios como Filho de Deus, como:
  • Satisfação de nossas necessidades (Mt 6:31,32),
  • Revelação da vontade do Pai (1 Co 2:10-12),
  • A guarda e o socorro divino (1Jo 5:18).  


O homem que é nascido de Deus é herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo Embora o entrar realmente no gozo da herança ainda esteja no futuro, o filho de Deus já agora tem um penhor dessa herança na dádiva do Espírito Santo (Ef 1:13,14). É claro que estes resultados não são diferentes visíveis aos olhos do mundo, mas são, não obstante, muito reais para aquele que nasceu para a família de Deus.

FÉ, O SEGUNDO ASPECTO D A SALVAÇÃO

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO
Jovens e Adultos - Lição 3

Texto Devocional:
Ef 2.8 Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;

LEITURA EM CLASSE: Hb 11.1-13. 1 Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. 2 Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho. 3 Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê não foi feito do que é visível. 4 Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala. 5 Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; "e já não foi encontrado, porque Deus o havia arrebatado", pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus. 6 Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam. 7 Pela fé Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família. Por meio da fé ele condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé. 8 Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo. 9 Pela fé peregrinou na terra prometida como se estivesse em terra estranha; viveu em tendas, bem como Isaque e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa. 10 Pois ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto e edificador é Deus. 11 Pela fé Abraão - e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade - recebeu poder para gerar um filho, porque considerou fiel aquele que lhe havia feito a promessa. 12 Assim, daquele homem já sem vitalidade originaram-se descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e tão incontáveis como a areia da praia do mar. 13 Todos esses viveram pela fé e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

Introdução:  Fé é uma palavra do NT, Ela ocorre apenas duas vezes no AT (Dt 32.20; Hc 2.4). A palavra equivalente no AT e “confiança” que em suas formas correlatas ocorrem mais de 150 vezes como a tradução de varias palavras hebraica diferente. Para compreendermos o termo “fé”, no NT podemos partir de um termo grego “pistisque tem tanto o sentido de “fidelidade” (Rm 3.3), quanto o de confiança (Mc 11.22). No AT o termo apontava mais para uma espécie de relacionamento entre partes de um contrato em que deveria haver promessas fidelidade. Mais tarde, este mesmo termo passou a indicar, num sentido mais lato da palavra, a credibilidade nas declarações, algo como relatórios e narrativas em geral, que bem podiam ter alguma indicação sacra ou secular. No grego do Novo Testamento, o termo ganhou uma importância especial e passou a ter um conteúdo bem mais específico ao apontar para a possibilidade de relacionamento entre Deus e os homens. isto dando ao termo a seguinte definição: Fé é a aceitação e reconhecimento, em plena confiança, daquilo que Deus fez ou prometeu através de seu Filho o Senhor Jesus Cristo.

I. DEFINIÇÃO DO TERMO.
A fé é a virtude básica no NT (1Co 13.13; Hb 11.6; 2Pe 1,5-7). Segundo a opinião de alguns teólogos não existe nenhuma definição formal do termo na Bíblia, inclusive no texto de Hebreus 11.1, que às vezes mencionamos como definição. “As palavras famosas com as quais este capítulo é aberto não são tanto uma definição, mas uma descrição. Elas não são uma definição, pois não indicam, como disse Tomas de Aquino, a essência da fé. Elas nos dizem o que a fé produz, e não o que ela é. Suas questões, ao invés da sua natureza. A ‘fé’, diz o escritor, e a base das coisas que se esperam e a demonstração de objetos não vistos’. Isto é o que a fé é em seus resultados”. (Dean F. W. Farrar)
No catolicismo, fé é a primeira das três virtudes teologais seguida pela esperança e a caridade. O termo vem do latim “fide” e indica a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão. O termo fé surge em algumas expressões populares e também no contexto legislativo, como por exemplo:
  • Fazer fé. Acreditar em alguém ou em algum fato, ter esperança.
  • Dar fé. Afirmar como verdade.
  • Boa fé. Forma de agir honestamente, sem quebrar compromisso.
  • Má fé. Agir de forma intencional para prejudicar terceiros.

Na Bíblia podemos encontrar pelo menos três diferentes tipos de fé:
  • Fé Natural. É inato ao homem, nascemos acreditando em alguma coisa.
  • Fé salvadora. É a fé que faz o homem se aproximar de Deus.
  • Fé Sobrenatural. A fé que se recebe através dos dons espirituais.

A fé que nos interessa neste estudo é a fé salvadora que funciona em relação a alma do próprio indivíduo.

II. RELAÇÃO DO TERMO NO QUE DIZ RESPEITO À SALVAÇÃO.
Rm 10.9 Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação.
A fé salvífica é mais que um sentimento do intelecto humano ou consentimento da vontade. Embora tanto intelecto quanto vontade estejam envolvidos no ato de crer na Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

1. NO ANTIGO TESTAMENTO.
Uma vez que o termo hebraico, aman, pode ser aplicado tanto aos homens, quanto ao próprio Deus, no AT, é fácil perceber possibilidade de relação e de fidelidade entre a criatura e o criador. Quanto a Deus, esta relação se estabelece no que diz respeito a Sua aliança e graça. No que diz respeito ao homem, fala de uma aproximação de entrega e fidelidade. Dt 7.9 Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos; No AT o termo “fé” é encontrado apenas duas vezes (Dt 32:20; Hc 2:4). Isso não significa, entretanto, que a fé não seja elemento importante no ensino do AT, pois ainda que a palavra não seja frequente, a ideia, o é. É usualmente expressa por verbos tais como “crer”, “confiar” ou “esperar”, os quais ocorrem com grande abundância.

2. NOVO TESTAMENTO.
No NT, a fé é altamente proeminente. O substantivo “pistis” e o verbo “pisteuõ” ocorrem ambos mais de 240 vezes, enquanto que o adjetivo “pistos” ocorre 67 vezes. O pensamento predominante é a ação de Deus em enviar Seu Filho para ser Salvador do mundo. Cristo realizou a salvação ao entregar Sua vida de forma expiatória na cruz do Calvário. Portanto, a fé se relaciona com a atitude mediante a qual o homem, após crer no sacrifício de Cristo, abandona sua vida de pecado, abrindo mão de toda a confiança em seus próprios esforços para confiar em Deus e Seu Filho Jesus Cristo. Em João, a fé ocupa um lugar importantíssimo, pois ali o verbo “pisteuõ” é encontrado 98 vezes. Curioso é que o substantivo “pistis” fé, nunca é encontrado. Isso possivelmente se deve ao seu uso em círculos de tipo gnóstico. O enorme uso de “pisteuõ” em João se deve ao próprio objetivo claramente revelado no Evangelho em Jo 20:31. A fé não consiste meramente em aceitar certas coisas como verdadeiras, mas consiste em confiar numa Pessoa, e essa Pessoa é Jesus Cristo. E como a fé é fundamental ao Cristianismo, os cristãos são simplesmente chamados “crentes”. E crer implica em: Confiar (Jo 4:50); Seguir (Jo 8:12); Servir (Jo 13:12-15; 21:15-17); Obedecer (Jo 14:23,24).

3. BENEFÍCIOS DA FÉ.
Exercendo a fé somos justificados (Rm 5.1), e experimentamos o novo nascimento, que é espiritual e procede de Deus (Jo 3.5), e somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.11,12), passando assim a desfrutar de todas as bençãos que em Cristo estão reservadas para os salvos, a saber, “todas as bençãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus (Ef 1.3).


ARREPENDIMENTO, O PRIMEIRO ASPECTOS FUNDAMENTAL A SALVAÇÃO

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO.
Jovens e adultos - Lição 2 

Texto Devocional: Mc 1:14,15 - Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho. 

Leitura em Classe: Jo 3:1-12 - 1.Havia um fariseu chamado Nicodemos, uma autoridade entre os judeus. 2. Ele veio a Jesus, à noite, e disse: "Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais milagrosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele". 3. Em resposta, Jesus declarou: "Digo a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". 4. Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!" 5. Respondeu Jesus: "Digo a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. 6. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. 7. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo. 8. O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito". 9. Perguntou Nicodemos: "Como pode ser isso?" 10. Disse Jesus: "Você é mestre em Israel e não entende essas coisas? Asseguro que nós falamos do que conhecemos e testemunhamos do que vimos, mas mesmo assim vocês não aceitam o nosso testemunho. 12. Eu falei de coisas terrenas e vocês não creram; como crerão se falar de coisas celestiais?

INTRODUÇÃO: Deus em Sua soberania, sempre exerceu pleno poder na execução de Sua vontade, sobre a criação. No entanto, é fácil perceber, ao longo das Escrituras, que, mesmo tendo “TODA AUTORDADE”, Deus nunca a exerceu sobre a humanidade de forma tirana ou irrespeitável. Deus não nos trata como se  fossemos alguma coisa desprovida de inteligência e capacidade de livre vontade e de escolha. Ao contrário, Deus sempre nos permitiu a decisão final, mesmo que tal escolha confronte a Sua própria vontade, que é o de uma entrega voluntária ao Senhor Jesus Cristo e ao plano de salvação que Ele mesmo idealizou. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim.” (Jo 14.6). Sendo pois a Salvação parte de um plano de Deus, exige de nós alguns passos em relação a ele, a saber:

® RECONHECIMENTO DE NOSSO ESTADO. (PECADOR). Precisamos reconhecer o nosso estado de pecador afastado de Deus, e que nesta situação vivemos num estado miserável de separação de Deus. “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.” (Rm 3:23).

® ARREPENDIMENTO DE NOSSA CONDUTA. (MUDANÇA DE MENTE). Uma vez compreendendo nosso estado de pecador, compreendemos que somente tomando a decisão de dar meia volta em nosso caminho poderemos ser libertos desta situação de escravo e de erro. “...Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto!(Mt 3.2).

® RECEBIMENTO DA SALVAÇÃO. (MUDANÇA DE ATITUDE). Receber a Pessoa do Senhor Jesus Cristo como Salvador, é o principal passo que precisamos dar em direção à salvação. Sem esta decisão, nunca sairemos de nosso estado de pecado. “Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos.” (Ap 3.20).

I. PRIMEIRO ASPECTO: O ARREPENDIMENTO.
Se você disser com a sua boca: Jesus é Senhor e no seu coração crer que Deus ressuscitou Jesus, você será salvo. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos. Rm 10.9,10.

O termo “ARREPENDIMENTO” vem de uma raiz hebraica naham” e  seu significado indica uma mudança de ideia ou de propósito. No entanto, o conceito do AT, é expressado pelo verbo hebraico shub”, que aponta diretamente para termos como “converter”, ou “retornar”, podendo ser ainda traduzido por “arrepender” (Ez 14.6; 18.30). No NT, a palavra arrependimento parte da tradução do termo grego metanoiacujo significado indica “mudança de pensamento”, e também do verbo metamelomai”, “mudar de atitude”, que é usado pelo menos cinco vezes no texto original.

A doutrina do arrependimento é apresentada de forma muito clara no NT pelo substantivo metanoia” e seu verbo coligado. Onde quer que este substantivo ou verbo ocorra há um convite para que os homens se convertam de seus pecados e busquem a graça de Deus, ou ainda um registro ou referência de uma atitude de arrependimento.  Assim, podemos entender o arrependimento, como a atitude que ocorre naquelas pessoas que se declaram salvos em Jesus Cristo (2Co 7.9,10), sendo o apelo dirigido aos descrentes para que estes tenham este encontro pessoal. Há um nítido desenvolvimento do uso da palavra no NT. João Batista (Mt 3.2,8,11; Mc1.4; Lc 3.3,8) pregava o arrependimento para todo o povo judeu, em vista da vinda repentina do Messias. Seu ministério pode resumido nas palavras de Paulo: “João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto e, em Jesus Cristo” At 19.4. Sendo o ARREPENDIMENTO o primeiro passo para a salvação. É a volta do pecador a Deus. Entre muitas definições, podemos destacar as seguintes:

  • Arrepender-se significa mudar a maneira com pensamos em relação ao pecado e a vontade de Deus, e tomarmos a decisão capaz de conduzir em nossa vida uma transformação de sentimentos e de propósitos em relação a vida de pecado.
  • Arrepender-se é a conceber um sentimento verdadeiro capaz de produzir, em nós, tristeza pelo pecado, e incluir neste sentimento um esforço sincero no sentido de abandoná-lo e mudar de vida.
  • Arrepender-se é confessar a nossa culpa, respondendo de forma positiva o toque do pelo Espírito Santo aplicando esta Lei Divina no nosso coração.

1. A NATUREZA DO ARREPENDIMENTO.
2Co 7:10. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação...”.

A ênfase dos escritos de Paulo aos Coríntios é a existência de uma relação entre sentimentos como tristeza e arrependimento. Neste texto, a tristeza e o arrependimento não indicam, de modo algum, uma mesma coisa. O processo pode ser descrito desta forma: O ser humano, imbuído de um sentimento de tristeza em relação aos seus pecados, tem um encontro com o Senhor Jesus. Como resultado desse encontro, ele se arrepende de seus atos resultando numa mudança de opinião em relação à sua vida sem Deus. A este processo, chamamos “salvação”. O apóstolo estabeleceu dessa forma uma progressão neste processo: Tristeza, arrependimento e salvação. Pelas palavras de Paulo o processo do arrependimento não indica somente o sentimento de tristeza em relação ao pecado, é bem mais do que isto. Arrependimento tem a ver com o pecador que, uma vez sendo alcançado pela salvação, passe a viver sua vida de forma diferente. At 2:38; Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. O real arrependimento envolve pelo menos três faculdades básicas do homem: seu intelecto, suas emoções e sua vontade.
  • Intelecto. O Arrependimento se traduz por uma mudança de pensamento em relação à maneira de pensarmos em Deus, em nossos pecados e nas nossas relações com o próximo. Esta mudança produzida pelo arrependimento é vista como uma atitude radical, pois é capaz de produzir transformação na maneira de viver a vida, e na maneira de enxergar Deus e Sua Palavra.
  • Emoções. Arrependimento também envolve mudar sentimentos. O homem quando se arrepende deixa de amar ou apreciar as coisas que antes amava ou apreciava, mas que o separava de Deus. Seu prazer deixa de se fixar em coisas terrenas para focar de vez as coisas celestiais. O arrependimento, em alguns casos, chega a conduzir o homem ao choro ao descobrir a realidade e as causas de seus pecados. O verdadeiro estado de arrependimento vai fixar os olhos do arrependido na Pessoa de Deus com maior intensidade que no pecado cometido.
  • Vontade. Arrepender-se indica também uma mudança de propósitos. Antes de experimentar o arrependimento, o homem age por sua própria vontade, dirige a si mesmo, e anda no seu próprio caminho. Quando se arrepende, o homem passa a desejar fazer a vontade de Deus, e vai querer ser dirigido por Ele. Isto é resultado do conhecimento de que a vontade e a direção de Deus são sempre as melhores. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável (Sl 51:10).

SOTERIOLOGIA, DEFINIÇÃO E ASPECTOS ESSÊNCIAIS

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO.
Lição 1
Texto Devocional. At 4:12 E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.

LEITURA EM CLASSE. Tt 2:11-15
11. Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. 12. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, 13. enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. 14. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. 15. É isso que você deve ensinar, exortando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. Ninguém o despreze.

Introdução: A salvação, em uma definição bem simples e rápida, pode ser entendida como o ato pelo qual o homem libertar-se do poder e dos efeitos do pecado. O vocábulo no entanto se visto por seus termos originais, pode parecer um pouco mais complicado. Do português o termo "salvação deriva do latim "salvare" (salvar) e de "salus" (saúde, ajuda). O vocábulo é tradução do termo hebraico "yeshu'a" (largura, facilidade, segurança). No grego temos o vocábulo "sõteria" (cura, recuperação, redenção, remédio, salvação, bem estar). Podemos então dizer que "salvação" indica a ação ou o resultado de livramento ou preservação de algum perigo ou enfermidade, subentendendo segurança, saúde e prosperidade.

I. A SALVAÇÃO, OS SEUS TERMOS NA LINGUAGEM ORIGINAL.
Na Bíblia o termo salvação parte de seus aspectos mais físicos para uma designação de seu aspecto moral e espiritual de livramento. As porções mais antigas do AT dão ênfase a salvação como os meios em que Deus de forma individual concede a Seu povo o escape das mãos de seus inimigos, emancipado-os da escravidão e os estabelecendo numa terra de abundância. Neste caso a referência é diretamente relacionada ao povo de Israel. Já nas porções posteriores, os textos bíblicos vão recair numa ênfase das condições e qualidades morais e religiosas e estendem suas amenidades além das fronteiras nacionais. Em primeira instância, na linguagem original temos dois termos que foram traduzidos para o português como salvação.

  • "sõzõ" (verbo). salvar
  • "sõtêria", (substantivo). salvação.
Ambos os termos apontam o "salvamento" e a "libertação" no sentido de evitar algum perigo que traga ameaça a vida. Podendo ocorrer na guerra ou em alto mar. Entretanto aquilo de que se recebe o livramento pode ser uma doença, e neste caso não se menciona qualquer perigo imediato mas pode significar "conservar" ou "preservar". O verbo e o substantivo podem até significar "voltar com segurança" para casa. Na LXX (Septuaginta, ou Tradução dos Setenta), "sõzõ" traduz nada menos  que 15 verbos hebraicos diferentes. Dentre eles, destacamos  dois  considerados mais importantes:

  • "yãsa", libertar/salvar, e
  • "mãlat", escapulir/escapar/salvar".
E embora "Iahweh" empregue agentes humanos, o israelita piedoso tinha consciência do fato do livramento vir do próprio Iahweh  Sl 12:1,2 Salva-nos, Senhor, pois não existe mais o piedoso; os fiéis  desapareceram dentre os filhos dos homens Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobre. Mas o conteúdo exato dessa libertação ou salvação varia de acordo com o contexto e as circunstâncias. Sl116:12, 13 Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor.  Temos na expressão "o cálice da salvação" neste texto de Salmos, pelo menos, quatro interpretações sugeridas: 


  1. Uma libação de vinho que fazia parte da oferta de ações de graças. Nm 28.7 A oferta de libação do mesmo será a quarta parte de um him para um cordeiro; no lugar santo oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor. (LIBAÇÃO: Ato que consiste na aspersão  de um líquido em intenção de uma divindade)
  2. Uma metáfora da libertação, e o antônimo da taça da ira de Iahweh. Is 51.17 Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do Senhor o cálice do seu furor; que bebeste da taça do atordoamento, e a esgotaste. Jr 25.15 Pois assim me disse o Senhor, o Deus de Israel: Toma da minha mão este cálice do vinho de furor, e faze que dele bebam todas as nações, às quais eu te enviar.
  3. Um cálice em conexão com alguma ordem específica Nm 5.16-28
  4. Um cálice de vinho tomado na refeição de ações de graças. Sl 23.5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.
Os melhores intérpretes preferem a primeira dessas alternativas tendo em vista a sua associação com alguma coisa dada a Iahweh. É atraente, no entanto, a sugestão de que semelhante cálice, necessariamente, fica em contraste com o cálice da ira de Deus, e, portanto, esta ideia também pode ser presente. No NT, o verbo "sõzõ" ocorre 106 vezes, e o substantivo "sõtêria", 45 vezes. Ambos apontam para a mesma direção: A graça de Deus, que é a grande fonte de salvação. Ef 2:8,9 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. E ao Filho de Deus, o Salvador do Mundo. Lc 2:11 É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

II. ASPECTOS ESSÊNCIAIS A SALVAÇÃO.
Todos nós, invariavelmente, somos carentes de salvação, e a vontade de Deus é que cada um de nós sejamos salvos. Para consecução deste plano, Deus cuidou da parte mais difícil que foi a de enviar o seu próprio Filho, o Filho Unigênito e Amado, o Senhor Jesus Cristo. Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Jo 3.16.  O único e verdadeiro caminho para a vida eterna é o Senhor Jesus, que disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim. (Jo 14.6). É Ele próprio que convida o pecador para receber a salvação: Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos. Ap 3.20. No entanto, a salvação também exige alguns passos importantes de nossa parte, a saber:


  1. RECONHECIMENTO DE NOSSO ESTADO. Precisamos reconhecer nosso estado como pecadores, entendendo que por esta razão, estamos afastado de Deus numa situação inevitavelmente miserável. Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Rm 3:23.
  2. ARREPENDIMENTO DE NOSSA CONDUTA. Ao reconhecermos nosso estado pecador, devemos tomar a decisão de dar meia volta e seguirmos um caminho em direção oposta ou diferente da que estávamos seguindo. ...Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto! Mt 3.2.
  3. RECEBIMENTO DA SALVAÇÃO. Receber Jesus como Senhor e Salvador, é o principal passo em direção a salvação. O texto bíblico é  muito claro no que se refere a esta condição. Jesus é Senhor e se no nosso coração crermos que Deus ressuscitou Jesus, seremos salvo. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos. Rm 10.9,10.

QUATRO AMIGOS E TRÊS PROVAS DE AMIZADE

  Mc 2.4 E, não podendo aproximar-se de Jesus, por causa da multidão, removeram o telhado no ponto correspondente ao lugar onde Jesus se en...