(Estudos e Mensagens)

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sábado, 4 de setembro de 2010

ESTUDO BÍBLICO - A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

CONCEITUALIZAÇÃO E HISTÓRIA DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

Introdução


A Escola Bíblica Dominical é a escola de ensino bíblico da Igreja, que evangeliza enquanto ensina, conjugando assim os dois lados da comissão de Jesus a Igreja, conforme Mt 28.20 e Mc 16.15. Ela não é uma parte da Igreja; é a própria Igreja ministrando ensino bíblico metódico. A EBD é um ministério pessoal para alcançar crianças, jovens, adultos, a família, a comunidade inteira, tal como fazia a Igreja dos dias apostólicos. É ela a única escola de educação religiosa popular que a Igreja dispõe. A EBD devidamente funcionando, é o povo do Senhor, no dia do Senhor, estudando a Palavra do Senhor, na casa do Senhor.

SUA EXISTÊNCIA


A EBD existe para ministrar a pequenos e grandes, ensino religiosos segunda a Palavra de Deus, e isto de maneira pedagógica e metódica, como é de se esperar de uma organização que leva o nome de “escola”. Sendo o ensino na EBD um ministério pessoal, o verdadeiro professor de classe está sempre mais chegado a seus alunos na Igreja, do que qualquer outro obreiro da mesma, inclusive o pastor. Logo, uma EBD devidamente organizada, cuja direção e professores são espirituais e idôneos, treinados para o ensino bíblico, e equipados com literatura e meios apropriados, é um poderoso e eficiente ministério pessoal para alcançar a todos na Igreja, na família e na comunidade.

SEU ENSINO


O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na EBD, deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem contudo deixar de ser profundamente espiritual.

SUA IMPORTÂNCIA


A EBD também coopera eficazmente com o lar na formação dos hábitos legítimos e cristãos, práticas e deveres sociais e bíblicos, resultando daí a formação do caráter ideal, segundo os princípios do genuíno cristianismo.

SUA DIFERENÇA


A escola secular instrui e contribui para formação de bons hábitos, mas não promove a educação do caráter genuinamente cristão. Ela visa prioridade o intelecto do aluno. Já a EBD, sendo genuinamente bíblica, educa e instrui, mediante o ensino da Palavra, visando prioritariamente o coração do aluno. Ela evangeliza enquanto ensina. Para tanto, toda lição nunca deve ser concluída sem uma aplicação pessoal, específica, evangélica. Quem evangeliza fala ao coração, e quem ensina fala ao raciocínio.

SUA ORGANIZAÇÃO


A Bíblia é a revelação progressiva de Deus. O seu constante estudo sob fluxo do Espírito Santo, conduz-nos a uma crescente revelação dEle e visões mais gloriosas de sua divina pessoa. É evidente que tal estudo seja gradual, dosado, em classes, de acordo com as diversas idades, respeitando-se assim as grandes divisões da vida humana, para um rela aproveitamento. Assim fazem também as escolas seculares para o seu corpo discente.

EM SUMA


A EBD, quando devidamente aparelhada, é de fato a agência de formação religiosa popular das Igrejas evangélicas. É aí que as crianças desde a mais tenra idade, os adolescentes , juniores, jovens e adultos, ao receberem o ensino sadio e inspirador das Escrituras, são todos beneficiados: as crianças recebem formação moral e espiritual, os adolescentes e juniores formam sua personalidade cristã e os jovens e adultos renovam suas forças morais e espirituais para uma vida frutífera e abundante. A seguir apresentaremos um resuma da história da EBD.

A HISTÓRIA DA EBD NO AT

NOS DIAS DE MOISES


Examinado o Pentateuco, vemos que no princípio, entre o povo de Deus, eram os próprios pais os responsáveis pelo ensino da revelação divina no lar. O lar, então, era de fato uma escola onde os filhos aprendiam a temer e a amar a Deus (Dt 6.7; 11.18,19). Havia também reuniões públicas de que participava homens, mulheres e crianças, aprendendo a lei divina (Dt 31.12,13.

NA ÉPOCA DOS SACERDOTES, REIS E PROFETAS DE ISRAEL


Os sacerdotes, além do culto divino, tinham o encargo do ensino da lei (Dt 24.8; 1Sm 12.23; 2Cr 15.3; Jr 18.18). Os sacerdotes eram intermediários entre o povo e Deus, assim como os profetas eram intermediários entre Deus e o povo. Os reis de Judá, quando piedosos, aliavam-se aos sacerdotes na promoção do ensino bíblico. Temos disto um exemplo no bom rei Josafá que enviou líderes levitas e sacerdotes por toda a terra de Judá para ensinarem ao povo a Lei do Senhor (2Cr 17.7-9)

DURANTE O CATIVEIRO BABILÔNICO


Nessa época, os judeus no exílio, privados do seu grandioso templo em Jerusalém, instituíram as sinagogas tão mencionadas no NT. A Sinagoga era usada como escola bíblica, casa de cultos e escola pública. O filósofo judeu, Philo da Alexandria, falecido em 50 d.C. Com seu testemunho insuspeito, afirma que “as sinagogas eram casas de ensino, tanto para crianças como para adultos” (Benson). Nas sinagogas as crianças recebiam instruções religiosa dos 5 aos 10 anos de idade. Dos 10 as 15, continuava a instrução religiosa agora com o auxílio dos comentários e tradições dos rabinos. Aos sábados, a principal reunião era a matutina, incluindo jovens e adultos.

NO PÓS-CATIVEIRO


Nos dias de Esdras e Neemias, lemos que quando o povo voltou do cativeiro, um grande avivamento espiritual teve lugar entre os israelitas. Esse despertamento teve origem numa intensa disseminação da Palavra de Deus e inclui um vigorosos ministério de ensino bíblico. É dessa época que temos o relato do primeiro movimento de ensino bíblico metódico popular similar ao da nossa EBD de hoje. Em Neemias capítulo 8, temos um relato de como era a escola bíblica popular da época: Esdras era o superintendente (Ne 8.2). A Bíblia era o livro texto (v.3). Os alunos eram homens, mulheres e crianças (v.3; 12.43). Treze auxiliares ajudavam a Esdras na direção dos trabalhos (v.4) e outros treze serviam como professores ministrando o ensino (vv 7,8). o horário ia da manhã ao meio dia (v.3). Afirma o verso 8 que os professores liam a Palavra de Deus e explicavam o sentido para que o povo entendesse. É certo que ali há um problema linguístico envolvido (o povo falando em aramaico ao retornar do exílio), mas, o que sobressai mesmo é o ensino da Palavra patente em todo o capítulo.

A HISTÓRIA DA EBD NO NT

NOS DIAS DE JESUS


Jesus foi o grande Mestre, glorificando assim sua missão de ensinar. Das 90 vezes que alguém se dirigiu a Cristo nos Evangelhos, 60 vezes Ele é chamado de “Mestre”. Grande parte do ministério do Senhor Jesus foi ocupado com o ensino (Mt 4.23; 9.35; Lc 20.1). Sua última comissão para a Igreja foi “Ide e ensinai” (Mt 28.19,20). Sua ordem é clara. Jesus ensinava nas sinagogas (Mc 6.2), em casas particulares (Mc 2.1; Lc 5.17), no templo (Mc 12.35), nas aldeias (Mc 6.6). Jesus ensinava as multidões (Mc 6.34), pequenos grupos e individualmente (Lc 24.27). Seu ministério era tríplice, Ele ensinava, pregava e curava. Jesus foi seguido por seus discípulos que também exerceram o ministério do ensino que aprenderam do Mestre (Mc 6.30; At 5.21)

NOS DIAS DA IGREJA


Após a ascensão do Senhor, os apóstolos e discípulos continuaram a ensinar, dando grande importância a esse ministério. Paulo e Barnabé, por exemplo, passaram um ano ensinando na Igreja em Antioquia (AT 11.26), Três anos em Éfeso (At 20.20,30), Um ano e seis meses em Corinto (At 18.11). seus últimos dias em Roma foram ocupados com o ensino da Palavra (At 28.31).

A FASE ATUAL DA EBD


A Escola Dominical do nosso tempo nasceu de visão de um homem que, compadecido com as crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte. Como ficar insensível ante a situação daqueles meninos e meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas de Gloucester? Nesta Cidade, localizada no Sul da Inglaterra, a delinqüência infantil era um problema que parecia insolúvel. Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos. É nesse momento tão difícil que o jornalista episcopal Robert Raikes entra em ação. Tinha ele 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história e a língua materna - o inglês. Não demorou muito, e a escola de Raikes já era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que o acusavam de estar quebrantando domingo. “Onde já se viu comprometer o dia do Senhor com esses moleques? Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe para ser consagrado a Deus?”. Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso incondicional. Embora haja começado a trabalhar em 1780, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra pioneira.

No dia três de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos Gloucester. Eis porque a data foi escolhida como o dia da fundação da Escola Dominical. Mui apropriadamente, escreve o pastor Antonio Gilberto: “Mal sabia Raikes que estava lançando os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o globo, chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e professores, sendo a maior e mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus de que a Igreja dispõe”. Tornou-se a Escola Dominical tão importante, que já não podemos conceber uma igreja sem ela. Haja vista que, no dia universalmente consagrado à adoração cristã, nossa primeira atividade é justamente ir a esse prestimoso educandário da Palavra de Deus. É aqui onde aprendemos os rudimentos da fé e o valor de uma vida inteiramente consagrada ao serviço do Mestre. A. S. London afirmou, certa vez, mui acertadamente: “Extinga a Escola Bíblica Dominical, e dentro de 15 anos a sua igreja terá apenas a metade dos seus membros”.

A EBD NO BRASIL.


Os missionários escoceses Robert e Sara Kalley são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Congregacional no Brasil. Houve, sim, reuniões de Escola Dominical antes de 1855, no Rio de Janeiro, porém, em caráter interno e no idioma inglês, entre os membros da comunidade americana. Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, acha-se instalado um colégio. Mas ainda é possível ver o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus em nossa terra. Remontando ao passado, as primeiras reuniões de instrução bíblica no Brasil, do ponto de vista evangélico, ocorreram durante a permanência aqui, dos crentes calvinistas que desembarcaram na Guanabara em 1557. nessa ocasião realizaram o primeiro culto evangélico em terras do continente americano, em 10 de março do mesmo ano. A segunda fase de tais reuniões deu-se durante a domínio holandês no Nordeste, a partir de 1630, por crentes da Igreja Reformada Holandesa, quando vários núcleos evangélicos foram estabelecidos naquela região, por ocasião da primeira invasão holandesa. Tudo isso cessou com o fim dos mencionados domínios e a feroz campanha de extinção movida pela Igreja Romana de então.



Bibliografia:



Silva, Antonio Gilberto da, 1929 – Manual da Escola Dominical – CPAD


www.escoladominical.com.br

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