terça-feira, 6 de setembro de 2011

CRUCIFICA O MEU “EU”


Pois sabemos que a nossa velha natureza pecadora já foi morta com Cristo na cruz a fim de que o nosso eu pecador fosse morto, e assim não sejamos mais escravos do pecado.” (Rm 6:6)
Vivemos numa época em que as paixões pelas verdades eternas parecem estar perdendo as suas forças. As pessoas, na igreja e fora dela, vivem cada vez mais entediadas com o Evangelho. O cristianismo tem assumido uma identidade perigosa, e vê-se confrontado diante de três problemas grandes sérios
  • Cristãos inquietos, (aflitos, perturbados) A tristeza acabou com as minhas forças; as lágrimas encurtam a minha vida. Estou fraco por causa das minhas aflições; até os meus ossos estão se gastando. Sl 31:10
  • Igrejas mundanas, que oferecem os gozos e prazeres materiais em oposição a uma vida de renuncias e entregas. Vocês têm tido uma vida de luxo e prazeres aqui na terra e estão gordos como gado pronto para o matadouro. Tg 5:5
  • Líderes materialistas com um conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados por eles válidos, mais sem nenhum respaldo da Bíblia. porque os que fazem essas coisas não estão servindo a Cristo, o nosso Senhor, mas a si mesmos. Por meio de conversa macia e com bajulação, eles enganam o coração das pessoas simples. Rm 16:18
Com vista a estes problemas, a igreja tem transformado esta época numa época de ansiedades e culmina por colocar a nós os “crentes” num estado emocional angustiante acompanhado de alterações somáticas (cardíacas, respiratórias, etc.), e em que se prevêem situações desagradáveis, reais ou não. Ficamos “doentes” diante do medo e das incertezas.
  • O medo das doenças e da morte que geram ansiedade física (ôntica). “Aquilo que eu temia foi o que aconteceu, e o que mais me dava medo me atingiu.” (Jó 3:25)
  • O medo da culpa e da condenação com respostas inadequadas da igreja que produzem ansiedade moral. O meu coração está cheio de medo, e o pavor da morte cai sobre mim. (Sl 55:4) “ Eu tremo diante de ti e tenho medo dos teus julgamentos.” (Sl 119:120)
  • O medo de que a vida não tenha sentido nem propósito que faz nascer uma ansiedade existencial. “então me espantas com sonhos e com pesadelos me enches de medo.” (Jó 7:14)
Temos dúvidas a respeito de nós mesmo e do nosso futuro. Vivemos o hoje sem muitas expectativas para o amanhã. A resposta da teologia popular para estes males é simples: “esforce-se o máximo e espere o melhor”. Assim, a libertação das ansiedades não dependerão primariamente de Cristo, mas acontecerão pelo esforço da própria pessoa.  Sem demonstrar conhecimento do texto de Pedro e do convite a “lançar sobre Deus toda a ansiedade” Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês. 1Pe 5:7. Vagamos em busca de uma resposta instantânea, mas que independam de qualquer envolvimento mais profundo com a religião e a fé. Neste apelo frenético por esta resposta e pela cura, aparece um brado de alguém que consegue entender, ou pelo menos, não se conformar com o apelo da secularizão e da modernidade, partindo em busca de uma resposta segura e plausível para esta geração, quase que num grito de desabafo salta o brado, ou simplesmente sussurra!

I. CRUCIFICA O MEU “EU”
O sentido de “crucificar” é o de aplicar uma dura punição corporal, imposta, ou não, por sentença, através do suplício da cruz. Crucificação fala de tortura, fala de condenação a alguém de forma implacável e, pela gravidade da sentença, uma condenação injusta. Então Pilatos disse: Você não quer falar comigo? Lembre que eu tenho autoridade tanto para soltá-lo como para mandar crucificá-lo. Jo 19:10.
O tom dessa condenação pode ser melhor resumida pela palavra “excruciar”, (a raiz da palavra “cruciante”) a qual se refere a algo que causa grande agonia ou tormento. As raízes em Latim da palavra são: ”ex”, que significa por causa de ou sobre, e “cruciar”, que significa crucificar. A palavra “excruciar” vem do Latim para “por causa de, ou sobre, a cruz”. Pois eu lhes mandarei profetas, homens sábios e mestres. Vocês vão matar alguns, crucificar outros, chicotear ainda outros nas sinagogas e persegui-los de cidade em cidade. Mt 23:34.
Em suma, crucificar é “Matar, pregando numa cruz”. Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra de Israel, inclusive em Jerusalém. E depois o mataram, pregando-o numa cruz. At 10:39.
A cruz era um antigo instrumento romano de tortura e morte, reservado para escravos e criminosos. Formada por duas vigas, uma atravessada na outra, em que eram pregados ou amarrados os condenados. As cruzes eram de três feitios: em forma de xis, ou de tê maiúsculo, ou de sinal de somar, sendo mais longa a viga que ficava enterrada. Com Jesus, crucificaram também dois ladrões... Mc 15:27.
Era a pena mais dura e absurda que se podia impor a alguém, ao ponto de ser considerado “maldita” todas as pessoas que fossem submetidas a tal pena. Porém Cristo, tornando-se maldição por nós, nos livrou da maldição imposta pela lei. Como dizem as Escrituras: “Maldito todo aquele que for pendurado numa cruz! Gl 3:13.
Mas, depois que Jesus foi supliciado na cruz, a cruz se tornou o símbolo religioso do seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria cruz passaram a ser elementos inseparáveis da vida cristã.
·         “e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.” (Mt 10:38 RA).
II. O QUE É
Crucificar o “eu” pode ser um exercício prático elevando na efetiva realização das virtudes do cristianismo. E Jesus disse aos discípulos: Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Mt 16:24.
É o entendimento de que a cruz é uma teologia capaz de moldar nossa vida como crentes, e capaz de nos tornar pessoas “melhores” Às pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza. Gl 5:24 .
É ver a cruz como o resumo de todo o Evangelho, pois foi por meio da cruz de Cristo que a redenção foi possível, e será, segundo a Bíblia, carregando a cruz, que o homem se torna participante desta mesma redenção em Cristo Jesus. Pois, quanto à lei, estou morto, morto pela própria lei, a fim de viver para Deus. Eu fui morto com Cristo na cruz.” Gl 2:19
Assim, o grito é pela crucificação de uma constituição moral velha e pecadora, uma natureza humana contida no ser que está sempre pronta a nos conduzir em direção ao pecado. Esta crucificação é causa morte do pecado no homem interior, a morte da qualidade interior determinante da vida, e da força do pecado, e por fim, a libertação definitiva da escravidão. “Mas eu me orgulharei somente da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo.” Gl 6:14

III. COMO É
“Pois, pela morte de Cristo na cruz, nós somos libertados, isto é, os nossos pecados são perdoados. Como é maravilhosa a graça de Deus,” Ef 1:7
Crucificar o “eu” é como dar um passo decisivo e determinante em direção a Deus, pois é na cruz que encontramos a formula bíblica de aproximação Dele, e é pela cruz que recebemos o direito de estarmos unidos com Cristo. “Mas agora, unidos com Cristo Jesus, vocês, que estavam longe de Deus, foram trazidos para perto dele pela morte de Cristo na cruz.” Ef 2:13
Crucificar o “eu” é como um gesto sublime de alguém que entendeu a urgente necessidade de voltar para Cristo e para Sua Palavra, e de viver sua vida de forma a agradar aquele a quem ele deve a sua vida inteira. Mas agora, por meio da morte do seu Filho na cruz, Deus fez com que vocês ficassem seus amigos a fim de trazê-los à sua presença para serem somente dele, não tendo mancha nem culpa. Cl 1:22
Crucificar o “eu” é como alguém endividado descobrir que já não existe agora nenhum motivo para preocupações, pois toda sua dívida foi paga na cruz e a sua vida, a partir de então, está inteiramente nas mãos daquele que o comprou.
“e anulou a conta da nossa dívida, com os seus regulamentos que nós éramos obrigados a obedecer. Ele acabou com essa conta, pregando-a na cruz.” Cl 2:14
Crucificar o “eu” é simplesmente morrer e assim receber a cura de todos os males que assolam a nossa natureza pecaminosa sem Deus. E reviver numa nova vida, diferente de tudo aquilo que na nossa ignorância espiritual nunca tínhamos experimentado. “O próprio Cristo levou os nossos pecados no seu corpo sobre a cruz a fim de que morrêssemos para o pecado e vivêssemos uma vida correta. Por meio dos ferimentos dele vocês foram curados.” 1Pe 2:24
Conclusão:
Portanto, por meio do Filho, Deus resolveu trazer o Universo de volta para si mesmo. Ele trouxe a paz por meio da morte do seu Filho na cruz e assim trouxe de volta para si mesmo todas as coisas, tanto na terra como no céu.  Antes, vocês estavam longe de Deus e eram inimigos dele por causa das coisas más que vocês faziam e pensavam.  Mas agora, por meio da morte do seu Filho na cruz, Deus fez com que vocês ficassem seus amigos a fim de trazê-los à sua presença para serem somente dele, não tendo mancha nem culpa.  Mas é preciso que vocês continuem fiéis, firmados sobre um alicerce seguro, sem se afastar da esperança que receberam quando ouviram a boa notícia do evangelho. Foi desse evangelho que eu, Paulo, me tornei servo, e é esse evangelho que tem sido anunciado no mundo inteiro. Cl 1:20-23

PREPARANDO-SE PARA O SERMÃO

SALA DE ESTUDO Antes de começarmos a desvendar todos os mistérios concernente o preparo do sermão propriamente dito, será de ...