quinta-feira, 20 de agosto de 2026

  

UMA IGREJA VERDADEIRAMENTE INCLUSIVA

Texto: Atos dos Apóstolos 8.26-29 

26 - E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserto. 27 - E levantou-se e foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração, 28 - regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías.29 - E disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro.

Introdução: Pregar na Igreja, não é uma tarefa das mais fáceis como pode parecer. Percebemos isto exatamente quando somos nós a pessoa designada para a realização de tal tarefa. Na verdade, existe um peso de responsabilidade muito grande sobre aqueles que sobem ao púlpito para desenvolver a atividade de mensageiro, tendo em vista o número considerável de pessoa estarão atentos a tudo, ou quase tudo, que o pregador falar. Dentre as muitas dificuldades que com certeza encontramos no desenvolver desta missão, podemos citar por exemplo o fato de que não vamos, ou pelo menos, não somos nós que decidimos exatamente o que, ou sobre o que devemos falar. Precisamos estar cientes de que existe uma Pessoa que deve expressar sua vontade através de nós e esta Pessoa é o Espírito Santo. Portanto, devemos estar atentos a sua voz para sermos em potencial um instrumento de Deus, o que é uma grande honra. Precisamos ter a certeza de que tudo que iremos falar, está em consonância com a vontade Dele. Em outras palavras, devemos falar, inspirados pelo Espírito Santo. 2Pe 1.21 porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

Em segundo lugar é preciso ainda estar cientes de que falaremos a um número considerável de pessoas que podem não ter exatamente o nosso mesmo nível de conhecimento das Escrituras. Assim, precisaremos alcançar durante a nossa preleção várias cabeças pensantes. Nosso auditório será composto por pessoas com os mais diversos níveis de formação. Assim, talvez tenhamos que falar para pessoas com formação entre os níveis básico e médio do ensino secular. Mas também, com certeza haverá pessoas com formação de nível superior, tais como médicos, advogados, arquitetos etc. Falaremos para pessoas que independente de sua formação secular, abraçaram a pouco tempo a fé evangélica e estão dando seus passos iniciais, mas também poderemos estar falando a pastores, teólogos, bacharéis e até PHDs em teologia.

Em razão disso, é preciso tomarmos muito cuidado no desenvolver da mensagem propriamente dita. Costumo dizer que o pregador é um crente ciente de sua responsabilidade e por isso precisa reunir algumas características que são importantes ao seu ministério.

I. O PREGADOR QUEM É?  

2Tm 4.2 ...pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda paciência.

O pregador é um estudante aplicado das Escrituras. Ele não é alguém que deixa para ler a Bíblia apenas no dia em que é convidado a pregar. Pelo contrário, o pregador precisa ser alguém que faz uso das Escrituras como se fosse sua alimentação diária... Ele não deixa passar um dia sem que tenha lido ao menos um texto das Escrituras. O pregador é alguém que mantêm um relacionamento espiritual de devoção com o Espírito Santo, e sabe que Ele é o Real intérprete das Escrituras, e que sem este relacionamento não seria possível entender corretamente a Bíblia e sua mensagem. Assim, o pregador é alguém que lê, estuda, aplica e se relaciona com o Espírito Santo, buscando dEle em oração a inspiração para a mensagem que irá pregar. 2Tm 3.16 Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.

O pregador é um crente convicto de seu chamado e por isso faz deste ministério o seu ponto de partida para todas as demais aspirações na igreja. Porém, mesmo com todas estas características ou cuidados, o pregador ainda é alguém suscetível a cometer alguns erros que podem comprometer todo o desenvolvimento de sua mensagem. Mensagens que preferivelmente tenha sido preparada de antemão.

Talvez seja esta a razão de hoje eu novamente estar assumindo este púlpito. No dia 5 de dezembro de 2021 fui convidado a assumir a tarefa de ser o pregador da noite. Pregamos baseados no texto de At 8.26-29 sob o seguinte tema: O QUE ME IMPEDE!

Dividimos a mensagem em dois tópicos a saber:

  1. Recebendo os Inrrecebíveis

  2. Cuidando dos incuidados.

O desenvolver da mensagem, parece ter sido conforme o planejamento, exceto por uma razão: Iniciamos a introdução da mensagem citando um texto que foi usado com inspiração para a mesma. O tema do texto utilizado é o que se segue: UM AGENTE PASTORAL DE UMA IGREJA INCLUSIVA”. Escrito pelo pastor Lisandro Orlov da Pastoral ecumênica e de solidariedade com pessoas vivendo com HIV-AIDS. O fato de citarmos o texto escrito pelo Pastor Orlando, se deu por um entendimento de que não era justo omitir a informação e tomar para mim todo o mérito daquilo que seria proposto na mensagem.

O meu erro talvez tenha sido o fato de não ter atentado para uma única palavra. Palavra esta que citei na introdução e não mais citei durante todo o desenrolar da mensagem: A palavra é INCLUSIVA. palavra que estava diretamente ligada ao termo. “Igreja”. Na verdade ao citar o texto do Pr Lisandro me detive apenas no significado da palavra sem me preocupar com o uso que estão fazendo atualmente do termo em questão ligado a palavra Igreja. Fui procurado pelo Pr Dirigente para dar alguns esclarecimentos que segundo ele ficaram sem resposta no desenvolver da mensagem.

Para tanto hoje estou aqui, a convite dos pastores para, pelo menos tentar desfazer qualquer tipo de entendimento contrário ao que na verdade tinha interesse de passar no desenrolar da mensagem e quem sabe trazer a resposta para aquilo que ficou mal entendido.

II. DEFINIÇÃO DO TERMO. Ef 3.18 para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda sua largura, comprimento, altura e profundidade.

Para inicio de conversa precisamos entender o significado do termo INCLUSIVO, e para tanto fizemos uso de alguns dicionários da língua portuguesa:

  • Dicionário Online de Portugues: Adjetivo: Capaz de incluir, de inserir, de acrescentar algo no interior de outra coisa.

  • Dicionário Online Priberan Português: Adjetivo: Que inclui, que abrange.

  • Infopédia Dicionários Porto Editora: que fornece iguais oportunidades ou recursos a pessoas que, de outro modo, seriam excluídas ou marginalizadas.

  • Dicionário Informal.com.br. Adj. Que inclui; compreende; encerra.

  • Dicionário Aulet Digital. Que possibilita ou promove a inclusão (política inclusiva).

Pois bem, o problema que temos é que atualmente, de posse do significado da palavra “inclusivo” um grupo específico aderiu o termo e idealizou uma igreja, que segundo dizem, seria capaz de “incluir” ou fornecer iguais oportunidades ou recursos a pessoas que de outro modo, segundo dizem, e não estão de tudo erradas, são excluídas ou marginalizadas”. Este grupo se identifica como LGBTs.

LGBT é uma sigla para designar as minorias sexuais e de gênero composta por lésbicas, gays, bissexuais,travestis, trans, queers, pansexuais, ageneros, pessoas não binárias e intersexo por mais visibilidade.

Sinceramente, não entendo exatamente o que significa todos estes termos.

O que precisamos entender a partir de então é que o fato de um grupo, seja ele qual for, ter aderido um termo de qualquer natureza não o torna dono exclusivista do mesmo. O termo utilizado não passa a ser uma propriedade exclusiva do grupo.

Para melhor entendimento separamos a palavra inclusiva ligada diretamente a alguns outros termos e perceberemos que nem por isso a palavra se tornou prisioneira do termo em que foi ligada. Muito menos passou a ser uma palavra que jamais poderia ser citada ou aderida por mais ninguém.

Por exemplo:

1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA. É uma educação que aponta para a transformação de uma sociedade num processo em que amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimento de ensino regular.

2. EMPRESA INCLUSIVA. São empresas que possuem uma diversidade maior entre os seus colaboradores. Tendendo a ser ambientes de trabalho mais prósperos e com maiores rendimentos.

3. SOCIEDADE INCLUSIVA.uma a sociedade que promove ações e políticas públicas visando acabar com a exclusão social.

4. ALIMENTAÇÃO INCLUSIVA. É a prática de incluir pessoas que possuem restrições alimentares em qualquer ambiente. Seja num evento, bar ou restaurantes. Com ações que vão muito além do gostar ou não gostar, mas que se baseiam, principalmente, no que as pessoas podem ou não comer.

5. AÇÕES INCLUSIVAS. São ações que oferecem apoio psicopedagógico aos discentes com deficiência que necessita de acompanhamento centrado na aprendizagem, elaborando diagnósticos e intervenções específicas para cada ambientes.

Sendo assim, porque temos que entender que o termo “Igreja Inclusiva” precisa ser de propriedade de um grupo exclusivamente formado por integrantes do grupo LGBT? Se assim fosse, teríamos de também entender todas as demais citações tais como educação, ação ou alimentação inclusiva como expressões dirigida exclusivamente a homossexuais ou transgêneros...

É o que dizer de uma empresa ou sociedade inclusiva? seriam por um acaso algo voltado exclusivamente a integrantes deste grupo? A resposta obviamente é não... Então, eu posso entender por uma igreja inclusiva, uma igreja que vai além desta significação que deram a ela.

III. A IGREJA VERDADEIRAMENTE INCLUSIVA.

João 1:12 Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,

Se o termo “inclusivo” é um adjetivo que aponta para a capacidade de incluir ou inserir, então a igreja que conheço e na qual sou sirvo ao Senhor Jesus já faz algum tempo, é foi e sempre será uma igreja inclusiva. Pois se ser inclusivo significa oferecer iguais oportunidades ou recursos a pessoas que de outro modo seria marginalizada, então temos mesmo que pertencer a uma igreja que seja inclusiva, goste você ou não do termo. Afinal foi uma igreja assim que me aceitou, me recebeu e que estendeu a mão para mim na hora em que eu mais precisava de um alento. Razão pela qual ela é vista como uma comunidade repleta de “ex”. 2Co 5:17 Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Pessoas que viveram uma vida inteira cometendo todo tipo de pecados, mas que foram recebidas com amor é feitos em Cristo novas criaturas. Cl 1:20 e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus.

1. Então eu posso entender por uma igreja inclusiva, uma igreja cujas portas estão sempre abertas para receber a qualquer pessoa que por ela deseje entrar, e cujo líderes estejam sempre dispostos a receber e amar quem quer que seja independentemente do estado em que elas cheguem em busca desse abrigo. Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora.

2. Uma igreja inclusiva é uma igreja que aprendeu a respeitar as pessoas com suas dificuldades mais profundas da alma, e que está sempre pronta a caminhar junto com ela por caminhos, mesmo que espinhosos, mas que podem conduzí-las ao refrigério só encontrados na Pessoa do Senhor Jesus. Mt 11:28-MT Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.






  

O QUE IMPEDE

AT 8.35-38 Então Felipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus. E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui agua; que impede que eu seja batizado? E disse-lhe Felipe: É lícito, se creres de todo coração. É, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos a água, tanto Felipe como o eunuco, e o batizou.

 

INTRODUÇÃO: O texto de Atos 8 é um convite a refletirmos sobre nossa metodologia de discipulado e acompanhamento daqueles que vem até nós. Felipe se apresenta no texto como uma espécie de confronto capaz de atingir em cheio a nossa forma de agir diante de situações que podem nos parecer, de certa forma, um tanto quanto embaraçosas. Se observarmos atentamente todo o desenrolar da narrativa, perceberemos que estamos posicionados um pouco distantes da minuciosidade com a qual deveríamos, pelo menos, tentar tratar determinados assuntos que se apresentam como conflitantes diante de nossas “verdades”. O problema é que na maioria das vezes não estamos aptos a lidar com tais conflitos. Então como devemos nos posicionar diante de um texto que apresenta uma proposta inversa na forma direcional da representação daquilo que costumeiramente chamamos de "Trabalho Missionário"?

No texto vamos encontrar Felipe na figura de um evangelizador fazendo uma abordagem que podemos muito bem identificar como "Um trabalho onde não pode haver exclusões". Exatamente como o tão conhecido convite do Senhor Jesus em Mt 11:28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Se tal abordagem segue diretrizes ensinadas pelo Mestre Jesus, porque entendê-la como uma proposta inversa ao tradicional? Porque o texto em apreço nos conduz a um tipo de abordagem onde todas as pessoas são vistas tendo o mesmo direito de receber os benefícios que Cristo concede aqueles que creem nele. É um tipo de abordagem onde absolutamente ninguém é excluído, uma abordagem onde o "todos" enunciado pelo Senhor Jesus, significa "todos" no sentido expresso da palavra...

 Em resumo, estamos diante de uma abordagem que nos direciona a uma forma de enxergar a vida de acordo como o modelo proposto nos evangelhos, sob um ponto de vista que não vem de nenhum tipo de imposição ou condição, mas vem do encontro no tempo de Deus é na forma que o Espírito Santo operar. 1Tm 2.6 - O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

Mas infelizmente nossa metodologia parece estar um pouco longe de ser ao menos parecida com isso. Consequentemente precisaremos reconhecer que há um caminho longo a ser percorrido até que consigamos entender e colocar em prática um Evangelho que receba aqueles que infelizmente até o momento, parece que não conseguimos ainda receber. Estamos falando de um Evangelho que pode e deve ser visto como modelo de vida cristã, e que está a cima do nosso problema que é o de sempre olharmos para as pessoas, só enxergando seres que necessitam urgente de uma mudança radical em todo o processo de vida. Mas prestem atenção... não venho aqui para dizer que está visão está errada, porque não está. O problema, é que se enxergarmos somente isso, não adequamos as pessoas a um Evangelho que verdadeiramente se importe com os sentimentos dela, a ponto de conseguir entender as suas dores mais profundas. Mt 11.28 - Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

E já passamos da hora de entender que mais cedo ou mais tarde teremos de lidar com algumas situações que poderão fugir completamente ao tipo de Evangelho que estamos acostumados a lidar. Em razão disso precisamos nos aprontar urgentemente para esse momento que sabemos, pode ser exatamente agora! Que nenhum estrangeiro que se disponha a unir-se ao Senhor venha a dizer: “É certo que o Senhor me excluirá do seu povo”. E que nenhum eunuco se queixe: “Não passo de uma árvore seca”. Is 56:3 NVI

Olhando assim para todo este contexto de atos oito, somos direcionados a uma primeira conclusão: Se estamos certos de que fomos colocados por Deus no lugar em que estamos para cumprimento do nosso chamado... podemos começar todo este processo...

1. RECEBENDO OS INRECEBÍVEIS. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite”. Mt 19:12 NVI

É exatamente aqui, neste ponto do texto de Atos dos apóstolos 8, que encontramos a primeira pessoa a ser batizada que não pertencia ao povo judeu. E para piorar a situação, o cidadão aqui citado, era alguém que podia facilmente ser visto como um símbolo, tanto por sua cultura e por sua nacionalidade, quanto por sua situação sexual. O “candidato ao batismo” pasmem! ... Era um "eunuco".. Segundo o dicionário, o eunuco é um homem que teve sua genital removida parcial ou totalmente, por uma das seguintes motivações: Bélica, punição criminal ou por imposição religiosa.

No Oriente Médio, os eunucos eram encarregados de cuidar dos haréns, local do Palácio reservado as concubinas e as esposas reais.

 Jesus ao falar deles no contexto do casamento, especificou pelo menos três deles:

O eunuco de nascimento. Eram homens que nasciam sem capacidade ou sem vontade de ter relações sexuais.

Os eunucos feito pelos homens. Homens que foram castrados.

Os eunucos voluntários. Homens que decidiram não ter relações sexuais, optando pelo celibato para se dedicaram por sua religião ou mesmo para uma função específica, que no caso poderia o de ser o cuidador dos haréns.

Mas em nenhum desses casos podemos incluir aqueles que optam pela relação homossexual. pois neste caso, os homossexuais possuem capacidade e vontade, mas decidiram ou escolheram canalizar está vontade para alguém do mesmo sexo. Ainda assim, o texto vai nos conduzir ao entendimento de que não temos o direito de impedir "qualquer pessoa" de ser alcançada pelo evangelho. E Felipe parece que foi "empurrado" na direção deste entendimento, ele não escolheu ir por ali. Um anjo do Senhor disse a Filipe: “Vá para o sul, para a estrada deserta que desce de Jerusalém a Gaza”. At 8:26.

O evangelista se abre a esta realidade e aparece aqui como uma força representativa, que em obediência ao Espírito Santo que o manda ir, consegue mostrar para nós, a igreja, a necessidade urgente de se abrir a novas culturas e realidades. A verdade é que somos uma comunidade, e como toda comunidade humana, tendemos nos identificar com conhecidos valores culturais e religiosos. Por isso, parece muito normal temermos fazer aberturas a novas situações. Mas se não nos abrirmos para estas verdades, como ficarão aqueles que, como nós, necessitam da salvação? Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? Rm 10:14

E neste caso precisamos urgentemente rever nossa metodologia em receber aqueles que para nossa concepção, sempre foram irrecebiveis. E não estamos falando de simplesmente "manter as portas abertas para eles". Porque, até onde entendemos, nossas portas sempre se mantiveram abertas a qualquer pessoa... Falamos de algo que é bem maior do que isto. Estamos falando em recebê-los, cuidar deles, e amar a eles incondicionalmente. Foi o que Jesus sempre fez e está mais do que na hora de aprendermos com ele. Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos. 1Jo 2:9-11

Quando falamos em “Receber os Inrecebiveis” estamos falando em receber aqueles, que segundo a nossa verdade, estão vivendo de forma diferenciada, estão andando, talvez na contramão daquilo que pregamos ou defendemos como regra de fé e prática. Não estamos falando em abandonar nossas convicções, pois estámos certos que tais convicções vem de Deus... Mas estamos falando em não impedir quem quer que seja de ficar aqui, pois o convite de Jesus se estende a todos, em todos os sentidos. Então, como poderemos afirmar que aqui não tem lugar para quem quer que seja, quando o Senhor Jesus entregou a sua vida na cruz do Calvario, invariavelmente por todos... Nós não somos donos desta casa, então não temos o direito de dizer quem pode ou não pode permanecer nela...

Desta forma somos conduzidos a uma segunda conclusão que pode mudar todo o conceito do nosso chamado...

2. CUIDANDO DOS INCUIDADOS. O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim, porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros Is 61.1

Fica claro que o Senhor Jesus deixou muito bem definida a maneira como precisamos nos comportar, como igreja que somos, diante de situações que envolvem casos que podem nos parecer irreconciliáveis. Não negamos que é sempre mais fácil e muito menos trabalhoso fugirmos de determinados problemas, pois assim nos livramos de ter de tomar decisões muitas vezes embaraçosas Porém também é fato que diante de um chamado específico recebido de direção e cuidado temos que aprender a lidar com tais contra tempos. pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. 1Pe 5.2

Isso quer dizer que a Igreja, sendo "Casa de Deus" precisa muito mais do que simplesmente estar com suas portas abertas para receber qualquer pessoa que por ela decida entrar. E ainda mais, nenhum de nós tem o direito de escolher aqueles que virão, este é um trabalho do Espírito Santo, chamar e abrir sua comunidade a todos, sem qualquer consideração de exclusão. Jo 6.37 - Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. E não fica só por aí, muito mais do que simplesmente receber tais pessoas, invariavelmente elas precisarão de muito cuidado e amor, mesmo que para isso precisemos passar por cima de conceitos de coisas que chamamos de certo ou errado... Ninguém, absolutamente ninguém pode ser impedida de entrar, e muito menos ser excluída uma vez que entrou... 1 Pe 5.7 Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.

É importante considerarmos a condição de "eunuco" do funcionário da rainha da Etiópia. Este não é um dado menor ou circunstancial. Faz parte integrante da cena e nos dá uma dimensão ainda muito mais ampla do que o conceito cultural, porque é uma condição que atende a uma situação específica dessa pessoa. Ser um eunuco no contexto da tradição religiosa judaica implicava ser impuro e imperfeito moral ou existencialmente, e que o exclui do templo e de toda a vida religiosa. Afinal, isto no Antigo Testamento foi afirmado com todas as letras: "Aquele que sofreu testículos ou um pênis cortado não será admitido na assembléia do Senhor" (Dt 23: 2)

Mas na descrição do texto vemos o Espírito Santo empurrando Felipe para deixar de lado a afirmação da Lei para viver o Evangelho da maneira mais digna e pura. Uma atitude que nos ensina ler as Escrituras de uma nova perspectiva. Esta ação de Felipe deve ter sido um escândalo para os religiosos sinceros e fiéis da época. Mas Felipe certamente poderia se afirmar em outro texto da escritura... Pois assim diz o Senhor: Para os eunucos que observam meus sábados, que escolhem o que me agrada e permanecem firmes no meu pacto, eu os darei na minha casa e dentro das minhas paredes um monumento e um nome mais valioso do que filhos e filhas; Eu lhes darei um nome perpétuo que não será apagado Is 56: 4-5.

Esta é a forma divina de como devemos trabalhar um texto bíblico. Nunca isolá-lo da totalidade da mensagem contida e desenvolvida ao longo das escrituras. Todo texto é complementado e compreendido, tanto do contexto quanto da totalidade da mensagem evangélica. Mas isolado ele pode se tornar um elemento oposto a obra do Espírito Santo. a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. 1Co 12.25

Para o mundo tanto faz quem são ou como estão as pessoas, mas a igreja é um lugar de tratamento e cuidado onde todos que aqui entrarem precisam ser recebidas com muito amor e com muita satisfação... Essa é realmente a função da igreja, colocar-se no mesmo plano, sentar-se ao lado deles no mesmo espaço, se disponibilizar, escutar necessidades e demandas, responder ao chamado de Deus para fazer parte de seu povo...

 CONCLUSÃO:  "Aqui está a água, o que me impede de ser batizado?"

O diálogo iniciado entre Felipe e o eunuco baseia-se essencialmente nas questões e necessidades do etíope. É um diálogo de ajuda e serviço que gira em torno da situação e necessidades do destinatário. O batismo em sua simplicidade nos mostra uma primeira estrutura da confissão de fé da igreja apostólica. At 8.37 Disse Filipe: "Você pode, se crê de todo o coração". O eunuco respondeu: "Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus".

Os excluídos perguntam o que o impede de ser incluído na comunidade cristã. Esta questão é seguida por uma ação visível de Felipe. Quando a iniciação na comunidade é completada, a tarefa pastoral termina e o etíope continua sua jornada construindo sua vida de uma perspectiva diferente e com um novo senso de pertencer ou não a Deus V.39 Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu o seu caminho.

A pergunta neste momento é: Quem dentre nós, poderá tirar ou colocar alguém no Reino? E a resposta é: Não nos foi concedido tal poder, e o texto Bíblico é bem claro. Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Rm 10:9

Uma pessoa não vai ou deixa de ir para o céu simplesmente porque gostamos ou não dela...

A salvação está em receber o Senhor Jesus Cristo como Salvador Pessoal, e isto implica em que teremos de rever cada um dos nossos conceitos e nossos modos de recepcionar aqueles que vem à nos. Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 1Jo 4:15 NVI

 

 

 

 


   UMA IGREJA VERDADEIRAMENTE INCLUSIVA Texto: Atos dos Apóstolos 8 .26-29   26 - E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo:...