sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MEU FILHO NA FÉ - FINAL


PRINCÍPIOS PARA DISCIPULADORES.



É necessário que o discipulador tenha realmente absorvido a visão do discipulado e não simplesmente concordado com sua eficácia. Em outras palavras, é necessário que ele esteja envolvido intelectualmente, emocionalmente e voluntariamente com a visão.  Qual a importância disso? George Barna diz que a visão é a “força impulsora por trás da atividade de um líder ou grupo de pessoas motivadas. É uma força interior que guia o indivíduo através de dificuldades imprevistas ou estimula a agir quando exausto ou hesitante em dar o próximo passo rumo a meta a ser alcançada.” Quando se tem a visão deste ministério, se ocorrer do responsável pela implantação do discipulado vier a desistir do trabalho, aquele que tem a visão, não abandonará a idéia e nem o trabalho. Pois ele vê nessa visão algo essencial à vida da Igreja.  Para nós este fator motivador é a verdade bíblica sobre discipulado confirmada e estimulada pela iluminação do Espírito Santo. Uma das coisas mais necessárias para que a igreja local evite a paralisia e a rotina é ter uma visão nitidamente do porquê e para quê ela existe.



1. DETERMINAÇÃO E COMPROMISSO.

Aquele que assume o ministério do discipulado deve estar consciente da grande responsabilidade que está assumindo. Este compromisso pode ser deleitoso, caso assuma totalmente este ministério, pois é um ministério de formação de vidas, o qual poderá ver na prática o fruto do seu trabalho. Porém, deve ser lembrado que aqueles discipulados serão pessoas que, muitas vezes, vêm para a igreja, feridas, problemáticas, com conceitos errados e costumes que deverão ser trabalhados através de um acompanhamento sincero, onde o discipulador deverá identificar-se com tais pessoas e seus problemas, não deixando de confrontar o que está errado, equilibrando para não tomar uma posição legalista (Tt 2:11-15). Isto deve ser feito com amor. O princípio a ser seguido aqui entre discipulador e discípulo é o da “identificação”. Caso o discipulador não se identifique com o problema do discípulo, este não sentirá segurança em ser pastoreado, comprometendo assim o objetivo do discipulado. Muitas vezes o discípulo será acometido de desânimo, e caso o discipulador não tenha determinação e compromisso, também será absorvido pelo desânimo do seu discípulo. Por isso também, não falte aos compromissos e só desmarque em casos totalmente incontornáveis.



3. PREPARO E CONHECIMENTO BÍBLICO/DOUTRINÁRIO.

É imprescindível que o discipulador tenha tal conhecimento, pois o discípulo estará adentrando a uma denominação confessional. Caso ensine doutrinas que não coadunem com todo o corpo doutrinário da denominação, causará uma confusão na mente do discípulo tornando-o um crente instável (Ef 4.11-16). Caso você tenha alguma dúvida quanto alguma doutrina procure os pastores e/ou obreiros e recorra para pesquisa ao conhecimento e biblioteca teológica que eles e a igreja têm. O discipulador/discipulando deverá estar participando dos trabalhos ou  cursos oferecidos na igreja. Matérias avulsas doutrinárias (oferecidas em módulos na Escola Dominical ou no estudo bíblico semanal). Cursos de aperfeiçoamento de líderes (Seformi; ministério infantil; treinamento p/ professores, superintendentes e secretários de EBD). Cursos de treinamento como: visitação hospitalar, música, etc.



4. DEVE SER EMPÁTICO.

O discipulador deve ter facilidade para desenvolver um relacionamento pessoal. Precisa estar disposto a ter uma amizade sincera com o seu discípulo e trabalhar continuamente para esse fim, deve ter um comportamento pastoral, sendo sensível aos problemas e necessidades do discípulo, expressando esse sentimento através de: aconselhamento, oração e outros tipos de ajuda, se necessário.  Portanto, deve ter um profundo senso de equipe; já vimos que pessoas auto-suficientes não têm característica de ovelha, mas sim de lobo. O discipulador deve entregar o discípulo aos cuidados de todos os recursos da igreja. Se necessário encaminhá-lo ao pastor da igreja.



5. BOM TESTEMUNHO.

Isto envolve muito mais do que ser simplesmente um crente “bonzinho”.  Mas deve ser alguém que se preocupe em ser fiel àquilo que é bíblico e lute por isso, na sua vida em primeiro lugar. Deve ser alguém que tenha “sede de Deus”, para aprender, orar e envolver-se.





6. SABER OUVIR.

O discipulador é uma pessoa que sabe dar a oportunidade para que outros falem. Que se agrade em ver o desenvolvimento de seus discípulos. Que não venha pelo seu orgulho inibir o crescimento do discípulo. Quem sabe ouvir, saberá que deve fazer o discípulo pensar e não dar respostas prontas, como se fosse o dono da verdade. Evite este três erros:

  1. Não ignore o que está sendo falado.
  2. Não aparente estar ouvindo, desligando-se mentalmente da conversa.
  3. Não ouça as palavras, sem “ouvir” os sentimentos que estão por trás delas.



7. COMO VOCÊ APRENDE?

(  ) Eu leio muito. Os livros são importantes para mim quando quero aprender.

(  ) Raramente leio. Não gosto de ler.

(  ) Eu aprendo ao fazer, olhar e me envolver com coisas práticas.

(  ) Freqüentemente ouço fitas, CD´s ou vídeos educativos.

(  ) Gosto de conversar com alguém que conhece sobre o assunto que me interessa.

(  ) Eu não tenho um padrão definido de aprendizagem.




Os discipuladores devem seguir as seguintes sugestões para que o trabalho não se torne extinto:

·         Supervisionar o trabalho de todos os grupos de discipulado.

·         Manter clara a visão do próprio Discipulado, corrigindo os desvios.

·         Periodicamente desafiar novos discipuladores.

·         Aperfeiçoar continuamente o material de estudo do discipulado.

·         Coordenar o Discipulado como meta dos outros serviços e departamentos da igreja.



O progeto “MEU FILHO NA FÉ” possui princípios que transmitidos aos discipuladores serão também apresentados aos novos convertidos, posteriormente, favorecendo a seqüência do programa de Discipulado. Em primeiro lugar teremos um grupo de discipuladores formados, porém, o primeiro grupo de novos convertidos formados depois destes, já serão discipulados dentro desta visão, e se engajarão no programa como discipuladores.  É importante lembrar que o alvo não é apenas a multiplicação de conversões, mas, que principalmente da maturidade e crescimento dos cristãos convertidos, e outros novos convertidos virão como conseqüência dessa maturidade. É tempo de repensarmos a forma da igreja, onde até então, o trabalho eclesiástico se atém a um pequeno grupo de líderes, que provavelmente não foram discipulados. Indispensavelmente a liderança da igreja deve estar preparada para equipar os santos (Ef 4.11-13). O pastor coordenando os grupos de formação de líderes estará mais livre para pastorear o rebanho, podendo em reuniões periódicas com os discipuladores, ser informado a respeito das ovelhas que carecem de um cuidado mais específico. Cada encontro será um instrumento de formação e transformação. O pequeno grupo propicia um ambiente onde deve haver instrução, e admoestação mútua (Cl 3.16).  O pastor e os demais líderes das igrejas devem equipar o povo de Deus. Já que eles (a liderança) não possuem todos os dons necessários para que o corpo cumpra as suas funções. A liderança deve preparar os crentes para que cumpram este serviço de Discipulado.








quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

MEU FILHO NA FÉ - IV

DIFICULDADES E BENÇÃOS NO DISCIPULADO.

1. AS DIFICULDADES.
Durante o estudo poderão ocorrer alguns imprevistos. É importante estarmos preparados para eles. Não se esquecendo de que são muito comuns a esse tipo de trabalho. Peça a direção do Espírito Santo para cada situação, observando o seguinte:

Caso o discipulando não se encontre em casa, ou não possa recebê-lo, não se ofenda e nem desista dele, volte outras vezes ou combine um melhor horário.
·         Se ele demonstrar que ainda não fez a entrega de sua vida a Jesus ou disser que no dia do apelo apenas queria oração, pergunte-lhe se mesmo assim você poderia continuar visitando-o. Nesse caso, é melhor substituir o estudo destinado ao novo convertido por um destinado a pessoas indecisas ou não crentes, conforme veremos mais adiante. Trate-o com amor. Muitos frutos só vingam depois. Se perceber que a pessoa não está interessado em continuar o estudo, procure resumi-lo, ore com ele e volte na semana seguinte. O discipulador deve sentir o "clima" na casa do discipulando e ser coerente. se perceber que ele está mais interessado na televisão do que no estudo ou sua visita, resuma o estudo e volte na semana seguinte. Caso a TV ou outro aparelho de som esteja ligado (e ele nem o perceba), pergunte se não poderia baixar um pouquinho o volume. Se em algum dia ele não puder recebê-lo, faça uma oração e volte na semana seguinte; não force; seja educado e compreensivo. Lembre-se que os estudos são apenas ferramentas. O mais importante é atenção e relacionamentos.Durante o estudo poderão ocorrer imprevistos. Enfrente-os com naturalidade; evite irritação. Nessas horas o auxiliar poderá dar importante apoio (no caso de crianças, por exemplo, ele poderá dar-lhes atenção ou sair um pouco com elas). Reafirmamos que o mais importante no discipulado não é o estudo, mas, sim, a atenção e carinho do discipulador. Nossas atitudes marcam muito mais positivamente, do que as nossas palavras. Esteja certo de que o Espírito Santo o ajudará na tarefa de discipular e de que Jesus estará com você todos os dias, porque Ele o prometeu (Mt. 10:20 e 28:18-20).

2. AS BENÇÃOS.
O que acontece e quais são os resultados do discipulado? Quem é beneficiado com esse trabalho, e qual é o seu alcance? A seguir pontificamos algumas das muitas bênçãos e da relevância do discipulado:

Proporcionará, a você mesmo, crescimento doutrinário e espiritual. O primeiro grande beneficiado é o próprio discipulador. Quando nos tornamos canal de bênção, nos constituímos o canal por onde a bênção flui. Sabemos também que quem mais aprende é aquele que ensina. Você estará sempre atualizado e aprendendo novas verdades da vida cristã.

Você terá a alegria de acompanhar o crescimento e desenvolvimento de vidas preciosas, como verdadeiras crianças, e ajudá-las nas suas dúvidas e possíveis períodos de crise. Lembre-se: Por mais bem dotado que seja um novo convertido ele é um recém-nascido e precisa de cuidados especiais.

No discipulado podem ser envolvidas pessoas da igreja que não sabem trabalhar em outras áreas, mas são grande bênção como discipuladoras. Muitas vezes, cristãos completamente apagados, tornam-se verdadeiros gigantes na arte de fazer discípulos.

O discipulado é uma atividade que poderá ser praticada por igreja ou grupo de qualquer tamanho; basta ter alguém motivado para a obra. Essa pessoa, se adequadamente treinada, poderá vir a multiplicar-se em dezenas, centenas e até em milhares de outros discípulos.


Lição 4
TREINAMENTO PARA O DISCIPULADO

Introdução: Até aqui temos procurado definir o discipulado, mas concordamos que existe uma grande diversidade de opiniões quanto ao propósito e modo de realizá-lo. O tempo apropriado para realização de um curso de discipulado e qual o número de lições é ideal, seremos nós quem teremos de definir, segundo a nossa demanda. As discussões se darão geralmente em torno do conteúdo das lições e métodos de aplicação. Todavia, A preocupação principal que devemos ter quanto ao discipulado, se é que estamos sendo bíblicos ou não na nossa concepção. Precisamos partir do modelo apresentado por Jesus (embora não seja o primeiro modelo apresentado na Bíblia) que é o mestre dos mestres. Jesus teve um ministério onde ensinou multidões, mas concentrou a sua mensagem nos seus discípulos, formando a base para a continuidade do seu ministério a partir do discipulado. Sendo esta a principal ordem dada aos seus discípulos antes da sua ascensão (Mt 28.18-20; Mc 3.14). A grande descoberta que temos feito, e nisto concordamos, é que a Igreja necessita resgatar o discipulado, pois tanto um conceito, como uma prática correta de discipulado evidenciará a saúde espiritual da mesma. Este é o modelo Bíblico onde é possível desenvolver o caráter de Cristo na vida dos envolvidos. Conhecer a Deus por meio de Jesus, e glorificá-lo num relacionamento construtivo como Igreja. Nesse relacionamento construtivo o alvo é preparar discípulos para um envolvimento nos ministérios e departamentos da igreja, proporcionando um fortalecimento qualitativo, que resultará naturalmente na multiplicação de outros discípulos.

I. O OBJETIVO DO DISCIPULADO
           
Cremos que o objetivo geral do discipulado de certa forma já foi mostrado no desenvolvimento das lições que já foram ministrada, todavia, queremos ser um pouco mais específicos quanto ao objetivo. Devemos nos perguntar que mudanças Deus têm feito na vida de outras pessoas através da nossa vida?

1. INSTRUIR PARA EVANGELIZAR.
Alguns chamam de pré-evangelismo a instrução de doutrinas básicas da fé cristã. O pré-evangelismo é ao mesmo tempo didático como apologético. É didático porque se propõe a estabelecer as doutrinas fundamentais sobre o trino Deus, o que é a Bíblia, pecado, graça, perdão, expiação, céu, inferno, e tantas outras palavras chaves que preparam o evangelizado para receber a verdade integral para a sua vida. Vivemos numa sociedade pós-moderna onde não basta apenas dizer: “arrependa-se e creia em Cristo”. É possível que no decorrer dos estudos se descubra que o discípulo carrega consigo uma carga enorme de conceitos estranhos e talvez anticristãos que recebeu em sua formação. É necessário redefinir palavras com fidelidade a Escritura.

2. FORMAÇÃO DE CARÁTER.
Como vimos na definição, este aspecto do objetivo será o de implantar no discípulo um caráter que mais se aproxime da “imagem de Jesus Cristo” (Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos. Rm 8:29 ). Portanto, não é algo a ser aplicado apenas a um cristão menos experiente; ou com pouca idade, ou com pouco ou muito tempo de igreja, pouca ou muita experiência de vida. Mas sim, cristãos comprometidos e humildes o suficiente para reconhecer que ainda necessitam de transformação. A santificação é progressiva. Conseqüentemente, se relacionarão melhor (At 2.42-47). Esta divisão é imprescindível para prosseguirmos com as outras duas seguintes.

3. EVANGELIZAÇÃO PELA AMIZADE.
A evangelização eficaz acontece através da amizade. Pessoas que demonstram o amor de Cristo, que se preocupam umas com as outras, são pessoas que cuidam umas das outras. O papel do discipulado é explicar o “porquê” desse cuidado e comunhão. A transformação pessoal através de relacionamentos ocorre quando o amor de Deus é manifestado através dos seus filhos (Jo 17:20-23). Existe uma legítima diferença entre evangelismo e discipulado. John R.W. Stott comenta que “no evangelismo proclamamos a loucura do Cristo crucificado, a qual é a sabedoria de Deus. Decidimos não saber mais nada e, mediante a insensatez dessa mensagem, Deus salva aqueles que nele crêem. No discipulado cristão, entretanto, ao levar pessoas à maturidade, não deixamos a cruz para trás. Longe disso. Antes, ensinamos a completa implicação da cruz, incluindo nossa suprema glorificação”. A Bíblia afirma que os cristãos sobrevivem e crescem nos relacionamentos mútuos:
  • Amando cordialmente uns aos outros (Rm 12:10).
  • Honrando uns aos outros (Rm 12:10).
  • Tendo o mesmo sentir uns para com os outros (Rm 12:16; 15:5).
  • Amando uns aos outros (Rm 13:8).
  • Edificando uns aos outros (Rm 14:19).
  • Acolhendo uns aos outros (Rm 15:7).
  • Admoestando uns aos outros (Rm 15:14).
  • Saudando uns aos outros (Rm 16:16).
  • Esperando uns pelos outros (1 Co 11:33).
  • Importando uns com os outros (1 Co 12:25).
  • Servindo uns aos outros (Gl 5:13).
  • Levando a carga uns dos outros (Gl 6:2).
  • Suportando uns aos outros (Ef 4:2; Cl 3:13).
  • Sendo benignos uns para com os outros (Ef 4:32).
  • Sujeitando-se uns aos outros (Ef 5:32).
  • Consolando uns aos outros (1 Ts 4:18; 5:11,14).
  • Confessando pecados uns aos outros (Tg 5:16).
  • Orando uns pelos outros (Tg 5:16)
  • Sendo hospitaleiros uns com os outros (1 Pe 4:9)
  • Tendo comunhão uns com os outros (1 Jo 1:7).

4. CRESCIMENTO NUMÉRICO NATURAL.
Uma igreja local saudável naturalmente se desenvolve e cresce. Lucas narra que “a igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At 9:31). Quantas pessoas se converteram através da nossa evangelização? É óbvio que quem realiza a sobrenatural obra regeneradora é o Espírito Santo, mas Deus decidiu chamar pecadores perdidos através de pecadores perdoados. O apóstolo João relata que André após conhecer pessoalmente a Jesus foi em busca de seu irmão Simão e “o levou a Jesus” (Jo 1:42). A igreja atual tem gradativamente perdido a noção de que cada cristão é um ganhador de almas. Até a mesmo a expressão ganhador de almas soa um tanto que estranho aos nossos ouvidos pós-modernos, mas era um termo muito comum até o fim do século 19. Esta expressão é uma menção à declaração do apóstolo Paulo que disse: “porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível” (1 Co 9:19). Somos cooperadores desta maravilhosa obra de reconciliação. A Escritura declara que “somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5:20). Evangelizar é compartilhar Jesus, no poder do Espírito, deixando os resultados para Deus. Waylon Moore afirma que “a evangelização é o meio que proporciona convertidos, e é o campo de adestramento para o desenvolvimento dos discípulos. Quando a igreja exala discípulos, então inala convertidos.”

5. AMADURECIMENTO ESPIRITUAL.
Esta divisão se refere principalmente a formação de líderes que estarão discipulando no futuro. Mas haverá também, multiplicação dos discípulos de Cristo, pessoas que serão tratadas no seu caráter e transformadas para glória de Deus, a fim de ocuparem outros lugares na Igreja de Jesus. É comprovado por pesquisas que nos primeiros meses de conversão o potencial evangelístico do cristão é muito mais aguçado. Se os grupos de discipulado estiverem abertos a visitantes, será também um forte instrumento de evangelização, pois o novo convertido desempenhará como nenhum outro a tarefa de trazer pessoas para ouvir a mensagem de Cristo, além do resultado positivo que a comunhão pode produzir no coração do visitante.

6. PREPARO PARA OS MINISTÉRIOS NO CORPO DE CRISTO.
Os ministérios na igreja local são diversos e também diversos os dons, portanto, o Discipulado deve visar também os demais ministérios dentro da Igreja. Teremos como um resultado natural um número maior de membros envolvidos na evangelização, evitando a ociosidade e outros problemas conseqüentes. A mente desocupada é produtiva oficina do diabo!  Nenhum ministério (serviço) é superior ao outro. Um ministério depende do outro. Todos os ministérios cooperam entre si. Ef 4:11-12

Continua...



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

MEU FILHO NA FÉ - PARTE III

TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS EM AÇÃO
E, quando eu for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim.” (Jo 12:32)

Introdução:  A  atração é o efeito que a igreja exerce sobre a comunidade. A melhor atração é aquela que se opera através do bom testemunho e da postura cristã. A vida é construída a base da atração, nada se faz sem ela. A criança, por exemplo, é atraída por brinquedos, o matrimônio é o resultado da atração de um homem por uma mulher, o candidato a um emprego, é atraído pelo salário e beneficios que são oferecidos, em fim, não parece existir nenhuma área em que ela não esteja presente. No evangelismo não é diferente, precisamos ter algum atrativo para que pessoas venham com “vontade” de ouvir ou participar, e, como consequência, seja alcançado pela mensagem de salvação.

I. TÉCNICAS DE ABORDAGEM.
O método é a forma como desenvolveremos na prática o discipulado, portanto, terá um caráter formal e informal. Precisamos ter consciência de como estamos ensinando.
  • ·         O método formal é o ensino objetivo, a lição bíblica propriamente dita e os conceitos transmitidos, também advindos da Bíblia. 
  •      Por método informal entendemos o que é chamado currículo oculto, sendo este a força educacional mais poderosa com que a Educação Cristã pode recorrer.

Lawrence O. Richards define currículo oculto como “todos os elementos de qualquer situação de relacionamento entre crentes que apóiam ou inibem o processo de transformação”  Por isso é  muito importante como discipuladores e discípulos  atentarmos para o nosso testemunho integral diante do discípulo, pois as nossas atitudes podem falar mais alto do que nossas palavras. Cuidado com a sua aparência pessoal! Roupa indecente, higiene, e mau humor transmitem muitas mensagens negativas que poderão prejudicar o Discipulado. A pessoa não está divorciada de sua mensagem. Apresentaremos agora algumas diretrizes práticas a respeito dos encontros de discipulado. Todavia, devemos lembrar que elas não são engessadas, pois devemos ter sensibilidade e flexibilidade nestas diretrizes, porque nem sempre o tema que será discutido no dia atenderá a necessidade dos discípulos naquele momento.

1. IDENTIFICAÇÃO O FILHO NA FÉ.
Precisamos colocar em prática a sabedoria no desenvolvimento da abordagem Abordar significa, Chegar à beira de. Abalroar (uma embarcação) para tomá-la de assalto. Aproximar-se de (alguém). Tratar de (assunto). Vamos lidar com personalidades diversas, por isso precisamos, pelo menos um conhecimento básico a respeito da natureza humana para não incorrermos no perigo de afastá-los ao invés de ganhá-los para Cristo. De inicio, vamos trabalhar o evangelismo pessoal, onde abordaremos uma pessoa por vez. Podemos começar, identificando os possíveis “filhos na fé”:

VISITANTES CONTÍNUOS. Devemos aproveitar as oportunidades e “adotar” àqueles que estão visitando a nossa igreja com certa freqüência. Provavelmente estas pessoas se identificarão com um possível discipulador, pois, as suas repetidas visitas a igreja demonstra um certo interesse. A evangelização não é algo que deve ser feita somente com aqueles que vem à igreja! O mandamento do Senhor Jesus é “ir por todo mundo” (Mt 28:19-20).

NOVOS CONVERTIDOS.
É comum em nossos cultos que vidas aceitem a Jesus, demonstrando assim interesse na salvação de sua alma. Esses novos convertidos, muitas vezes, são perdidos nos primeiros dias de vida cristã para outros grupos religiosos ou simplesmente são abandonados e não são integrados à igreja. Outros chegam até o batismo, mas não têm crescimento espiritual satisfatório por falta de assistência de um crente treinado no discipulado. Estes devem ser as principais pessoas a serem visualizadas por um possível “pai” na fé. Quando discipulados, os novos crentes, não somente têm maiores chances de integração como também seus familiares podem ser alcançados pelos estudos realizados no seu lar, e eles tendem a se multiplicar porque também farão discipulado com mais alguém. Como você percebe, o novo convertido é o nosso primeiro alvo no discipulado.

INTERESSADOS NO EVANGELHO.
Não é necessário ir muito longe para encontrar pessoas perdidas, porém interessadas no Evangelho de Cristo. Inúmeras delas estão em nossos cultos (muitas vezes semanalmente). Não fazem uma decisão por falta de maiores esclarecimentos sobre o que seja ser um cristão e por terem certas dúvidas doutrinárias. Porém, quando recebem a assistência de um evangelista ou discipulador treinado, essas pessoas tendem a fazer sua entrega a Jesus e a também se tornarem discipuladoras.  

FAMILIARES DE MEMBROS DE NOSSA IGREJA.
Se caso descobrirmos que algum parente, amigo, ou conhecido tem o interesse de estudar a Bíblia não devemos perder a oportunidade de oferecer o Discipulado. É muito grande o número de parentes de irmãos de nossas igrejas que, se assistidos no seu lar, virão a fazer sua decisão por Cristo.

CRENTES EXCLUÍDOS OU AFASTADOS.
A Bíblia tem uma promessa especial para quem ajuda um irmão afastado a voltar para o caminho (Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade, e outro o fizer voltar para o bom caminho,  lembrem disto: quem fizer um pecador voltar do seu mau caminho salvará da morte esse pecador e fará com que muitos pecados sejam perdoados. Tg 5:19-20). Temos todo esse público diante dos nossos olhos, mas na maioria das vezes nós os negligenciamos. Se procurados, existe grande chance de retornarem a decisão pela volta ao aprisco.

AMIGOS, VIZINHOS E COLEGAS DOS MEMBROS DA IGREJA.
Esse público, então, é imenso. Vamos contar aqui, mais uma vez com a a juda dos membros da igreja que irão contactar seus vizinhos e  anotarem as possibilidades de visitas em seus lares. Vemos que o campo realmente está pronto. Faltam-nos os ceifeiros. Eles estão em nossas igrejas, é só treiná-los e tornar-se-ão abençoados trabalhadores na Seara do Mestre.

2. A PRÁTICA DA VISITAÇÃO.
A abordagem na visitação deve ser feita de tal maneira que não haja prejuízo a sensibilidade da pessoa. Ela precisa ser natural, nada de ataques ou afronta a religião ou filosofia de ninguém. Motivar significa, despertar o interesse, a curiosidade, prender a atenção. Devemos cultivar habilidade de ligar uma abordagem começando naquilo que a pessoa está fazendo, falando ou vendo, para com base nisto, fazermos uma transição para a mensagem evangelistica. Significa começar onde a pessoa está.  Ao visitar um novo convertido, podemos realizar um estudo na primeira visita, ainda que seja uma visão parcial do mesmo. Isso é importante porque demonstra logo para o discipulando que o assunto é interessante e que o tempo não é longo, como fazem outros grupos religiosos. Entretanto, quando a visita for para evangelização ou integração de um crente afastado, é importante que primeiro crie o ambiente, conquiste a simpatia daqueles que estão sendo visitados para, na segunda visita, ministrar o estudo específico. Deve-se evitar expressões como: “Gostaria de marcar um estudo com você”; ou “vim fazer um estudo com você”. Quando iniciar o estudo diga: “trouxe um presente para você... quer ver como é?... abra na página tal... o que está escrito aí?” Ao concluir, pergunte: “Podemos voltar na próxima semana?” Dessa forma você inicia o estudo de modo suave e sem criar resistência nos participantes. Eles irão gostar e desejarão continuar na próxima semana. Então, defina logo, dia e horário das próximas visitas (tcuidado para não coincidir com o horário de outras atividades da igreja).

3. O ACOMPANHAMENTO DE PERTO.
O passo seguinte deve ser o de procurar trazê-lo para a classe de integração, e aos cultos da igreja. Não exagerar no interesse pela pessoa, é outro ponto importante. Não devemos agir como um vendedor que quer vender desesperadamente o seu produto. Na verdade queremos como nunca, integrá-lo, mas se ele perceber um interesse exagerado, pode se assustar  e acabar se afastando. Ao chegar a Igreja, o novo crente deve ser apresentado ao pastor e aos obreiros. Sempre que possível, o discipulador, deve se assentar ao lado do discipualndo,, ajudando-o a encontrar os textos bíblicos. Apresente-o a outros irmãos da igreja e conduza-o à organização da qual deverá fazer parte. Visite-o em outros dias da semana e planeje, se possível, recreação conjunta. Lembre-se que discipulado não é realização de estudos, mas relacionamento. Quando fizer estudos na casa dele, incentive-o a convidar parentes e vizinhos para também participarem do estudo. Você não deve mudar o estudo por causa de mais alguém presente. Tenha o novo convertido como o principal alvo. Outros convidados poderão assistir, ao mesmo estudo. Em havendo disponibilidade de tempo, e você percebendo real interesse, poderá combinar, com aqueles que não forem crentes, outro dia e horário para fazer com eles o estudo apropriado. Oriente-o a não aceitar estudos ou convites de elementos de outros grupos religiosos; e, quando estes baterem à sua porta, a dizer-lhes que já está estudando a Palavra de Deus e está satisfeito. Ainda que esta recomendação pareça estranha, ela tem respaldo bíblico, principalmente nos seguintes textos:
·         Cuidado com os falsos profetas! Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens.  (Mt 7:15)
·         Para não construir sobre alicerces colocados por outros, tenho me esforçado sempre para anunciar o evangelho nos lugares onde ainda não se falou de Cristo.  (Rm 15:20)  Meus irmãos, peço que tomem cuidado com as pessoas que provocam divisões, que atrapalham os outros na fé e que vão contra o ensinamento que vocês receberam. Afastem-se dessas pessoas  porque os que fazem essas coisas não estão servindo a Cristo, o nosso Senhor, mas a si mesmos. Por meio de conversa macia e com bajulação, eles enganam o coração das pessoas simples. (Rom 16:17-18)

II. ESTRATÉGIAS INICIAIS E O DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO.
Após estudar a primeira lição do material que será adotado pelo projeto, O discipulador deverá  receber um nome para ser discipulado. Esse nome é de alguém que pediu visita, ou um estudo bíblico; pode ainda ser um novo convertido ou um crente afastado. O discipualdor, deverá estar munido do estudo próprio para aquela pessoa, além de caneta, Bíblia, e se fazer acompanhar de um auxiliar. Agora se dirige à casa do futuro discípulo. Observe esses passos que, apesar de simples, são fundamentais no trabalho que vai você realizar:

1. O CONTATO. É imprescindível o contato, antecipado, combinando o horário da visita. Ao chegar, identifique-se e apresente o seu companheiro de equipe. Diga que está fazendo uma visita e gostaria de orar por ele e sua família. Se não for convidado, peça permissão para entrar por um instante; procure sentar-se de frente para o discipulando; o auxiliar deve sentar-se ao lado dele para ajudá-lo a encontrar os textos bíblicos ou compartilhar a Bíblia. Na medida do possível, e isso deve ser visto com antecedência, o auxiliar deverá sentar-se ao lado de alguém do mesmo sexo. Diga que lhe trouxe um presente e entregue-lhe o estudo bíblico; pergunte se ele tem Bíblia e se há mais alguém em casa e convide-o a participar da oração que você irá fazer. Pergunte se algum dos presentes tem pedido de oração, e ore objetivamente, sem frases rebuscadas ou impostação de voz. A oração precisa ser especificamente em favor dos pedidos apresentados.

2. O ESTUDO. Inicie o estudo de forma natural e discretamente. Evite anunciar: “agora vamos iniciar o nosso estudo”. Esquive-se, o quanto for possível, de questões polêmicas. Lembre-se que você tem um alvo e ele precisa ser atingido. Caso surjam essas questões, informe que poderão conversar sobre as mesmas no final do estudo, se houver tempo, ou em outra data que você combinará. Se não tiver condições de respondê-las busque ajuda e, no momento adequado, procure atender à curiosidade do discipulando evitando deixá-lo sem respostas, lembre-se que tudo é importante para ele. Se você o valorizar ele também valorizará você. Se o estudo for dirigido ou tiver perguntas, não se apresse em respondê-las. Incentive o discipulando a encontrá-las. Caso ele tenha deixado respostas em branco ou incorretas no estudo da semana anterior, releia a questão, releia o texto bíblico e ajude-o a encontrar a resposta.

3. O TEMPO A SER USADO. O tempo de estudo nunca, mas nunca mesmo, deve passar de uma hora. Se possível, realize-o em menos tempo. Não importa o quanto o discipulando esteja interessado e você saiba as respostas às suas indagações. Isso normalmente se converte em arma do inimigo contra o próprio discipulado e você acaba perdendo aquele novo convertido. Você não precisa exibir conhecimentos. Ministre a cada semana, no período de uma hora, o estudo e não passe disso, sob nenhum pretexto. Evite também marcar o estudo em horários em que o discipulando tenha algum programa na TV que não goste de perder, assim como novelas, jornais, etc. Discipline-se a si mesmo, e será abençoado nesse trabalho! Se ele lhe servir lanche, você precisará ter cuidado para isso não se constituir em obstáculo nos próximos encontros. Dependendo da liberdade que tiver, sugira apenas um cafezinho, etc.

Continua...


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Meu Filho Na Fé - Parte II

A Tarefa de fazer Discípulos


“Portanto, já que vocês aceitaram Cristo Jesus como Senhor, vivam unidos com ele. Estejam enraizados nele, construam a sua vida sobre ele e se tornem mais fortes na fé, como foi ensinado a vocês. E dêem sempre graças a Deus.” (Cl 2:6-7)

Introdução: Qual será exatamente nossa proposta? Jesus ordenou que seus apóstolos fizessem discípulos e lhes ensinassem todas as coisas que Ele tinha mandado Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28:19). Ele queria que os apóstolos fizessem discípulos à semelhança do que fizera com eles. Ele dera o exemplo; agora os discípulos deveriam imitá-Lo. Jesus andou com eles, ensinou-lhes sobre perdão, oração, amor, renúncia, Reino de Deus, vida eterna, missões e outros ensinos básicos da fé cristã. Jesus investiu neles. Discipulado é, portanto, o fruto de relacionamentos, convivência, acompanhamento, ensino e, principalmente, transformação e edificação de vidas. É dar assistência a uma pessoa, procurando torná-la semelhante a Cristo (Ef 4:12, 13). Nisso reside uma das grandes responsabilidades do discipulador, porque ele próprio precisa estar crescendo, tendo como alvo a estatura da medida completa de Cristo. Numa de suas cartas, Paulo disse que ainda sentia as “dores de parto” pelos crentes da Galácia, e que “gerou” Onésimo nas suas prisões (Gl. 4:19; Fm. 10). Muitas vezes, a formação de um discípulo torna-se para nós como um trabalho de parto. Mas depois que o discípulo “nasce” dá-nos uma alegria indescritível. “Quando uma mulher está para dar à luz, ela fica triste porque chegou a sua hora de sofrer. Mas, depois que a criança nasce, a mulher fica tão alegre, que nem lembra mais do seu sofrimento.” (Jo 16:21)

I. O PROCESSO DA INTEGRAÇÃO.
Integrar o novo crente é envolvê-lo plenamente, com todas as estratégias possíveis, em sua nova vida. Isso significa torná-lo inteiro; completo; integralizado. É um processo que deve começar antes mesmo da conversão e se prolongará até que o novo crente esteja, de fato, integrado ao serviço cristão, e possa ele próprio, conduzir outros aos pés do Senhor Jesus Cristo. Este projeto visa tornar o novo crente parte natural, e não um corpo estranho, da vida da Igreja. Faz-se necessário, por parte daqueles que participarão deste processo, plantar e regar a semente para que ela produza frutos. Isto é “integração”. “Eu plantei, e Apolo regou a planta, mas foi Deus quem a fez crescer.” (1Co 3:6) Como já afirmamos a falta de empenho em integrar e discipular os novos crentes, resultou em muitas perdas para a igreja e para o Reino. Segundo pesquisas, de cada 100 novos decididos, apenas cinco chegam ao batismo, ou seja, as perdas são de 95%%, isto sem contar os que se desviam depois do batismo.  Fica claro que estes percentuais se contrapõem à parábola do semeador, onde pelo menos 25% da terra semeada produziram frutos. É também oposta a parábola da ovelha perdida, onde 99 permanecem no aprisco e apenas uma se perde. A razão desta deficiência está na falta de sustentação da fé do novo convertido em seus primeiros dias de vida cristã. Tal como uma nova planta em crescimento, que pode morrer se lhe faltarem os cuidados indispensáveis nesta fase, a falta de um bom trabalho de integração e discipulado pode levar o novo crente a naufragar na vida espiritual.

1. O PASSO DA À BUSCA.
“Se algum de vocês tem cem ovelhas e perde uma, por acaso não vai procurá-la? Assim, deixa no campo as outras noventa e nove e vai procurar a ovelha perdida até achá-la.” (Lc 15:4)
Tiramos muitas lições da parábola das cem ovelhas. Geralmente destacamos com maior ênfase, o clamor pela volta dos desviados. Ainda que seja uma verdade esta aplicação, podemos destacar outro sentido também primordial que é o de revelar o profundo amor de Deus pelos perdidos de modo geral, e o seu extremo empenho em alcançá-los. A ponto de enviar Seu próprio Filho para morrer em lugar do pecador. “Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado.” (Rm 5:8). Segundo nos revela o texto, há maior alegria no céu por aqueles que se arrependem do que por aqueles que já se encontram no aprisco. A idéia é que não podemos nos dar por satisfeitos apenas com aqueles que já foram alcançados, enquanto a nossa volta existem milhares de perdidos. Se não há novos filhos, não pode haver alegria completa. Pois eu lhes digo que assim também vai haver mais alegria no céu por um pecador que se arrepende dos seus pecados do que por noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender. (Lc 15:7)

O QUE É “BUSCAR”?
Se quisermos dar o primeiro passo no nosso projeto, precisamos colocar de imediato, a evangelização como prioridade número um da Igreja. Não quer dizer que não existam outras prioridades também importantes, mas, na missão da igreja em relação ao mundo, a evangelização é sim a principal tarefa, porém só terá êxito, se os crentes estiverem bem ajustados. A evangelização é um imperativo, porque é o meio pelo qual os pecadores podem se arrepender e chegar ao conhecimento da verdade E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia.  Pois a vontade do meu Pai é que todos os que vêem o Filho e crêem nele tenham a vida eterna; e no último dia eu os ressuscitarei. (Jo 6:39-40 ). Proclamar o nome de Jesus Cristo significa oferecer a única possibilidade de salvação para o perdido. Se o pecador não tiver acesso a este nome que salva, estará irremediavelmente condenado. A salvação só pode ser conseguida por meio dele. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos. (At 4:12). Finalmente, a evangelização não se esgota no ato de falar de Cristo a alguém. Este é apenas o inicio do processo. A ordem do Senhor Jesus é clara: “Fazei discípulos”. Assim a tarefa começa com o anuncio das Boas Novas e continua até que Cristo esteja formado em cada novo convertido. A Igreja, mais do que qualquer outra organização, precisa ser o exemplo com alvos bem definidos para que sejam estabelecidas estratégias mensuráveis a fim de alcançá-los.

ONDE BUSCAR?
Quando examinamos cuidadosamente o Novo Testamento, descobrimos, para espanto nosso, as dimensões maravilhosas do alcance que se deve dar ao ministério evangelístico na Igreja. A primeira idéia que aparece é a extensão geográfica, de espaço: “E João atravessou toda a região do rio Jordão, anunciando esta mensagem...” (Lc 3:3). Vamos encontrar esta idéia de totalidade em extensão geográfica, em vários textos bíblicos:
·         “Jesus andou por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a boa notícia do Reino e curando as enfermidades e as doenças graves do povo.” (Mt 4:23)
·         “Como o Espírito Santo não deixou que anunciassem a palavra na província da Ásia, eles atravessaram a região da Frígia-Galácia.” (At 16:6)
·         “Os discípulos então saíram de viagem e andaram por todos os povoados, anunciando o evangelho e curando doentes por toda parte.” (Lc 9:6)
·         “Quando Apolo resolveu ir para a província da Acaia, os cristãos de Éfeso o animaram e escreveram cartas para os irmãos de lá, pedindo que o recebessem bem. Chegando lá, ele ajudou muito aqueles que, pela graça de Deus, haviam crido.” (At 18:27)

Em seguida vamos descobrir que há também uma preocupação com a totalidade populacional. A ordem é “ir a todo mundo” (totalidade geográfica) e “pregar a toda criatura” (totalidade populacional). Na mesma linha de pensamento, a comissão dada aos discípulos em Mt 28.19, foi a de ensinar a “todas as nações”. “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. É um empreendimento missionário que visa atingir a todas as pessoas, em todos os lugares. “Ele fez isso durante dois anos, até que todos os moradores da província da Ásia, tanto os judeus como os não-judeus, ouviram a mensagem do Senhor.” (At 19:10). Dentro do todo geográfico e do todo das multidões, o Espírito Santo procura atingir segmentos especiais da sociedade. Cegos, paralíticos, prostitutas, surdos, mudos, enfermos em geral. “... Vá depressa pelas ruas e pelos becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.” (Lc 14:21). Como uma das passagens mais importantes sobre a preocupação de Deus em trazer os segmentos da sociedade para o seu reino, a parábola da Grande Ceia (Lc 14.15-24), mostra de forma clara e incisiva a totalidade do evangelho, na totalidade dos segmentos sociais. Além demais, temos ainda o testemunho de Paulo sobre o assunto: “Meus irmãos, eu quero que vocês saibam que as coisas que me aconteceram ajudaram, de fato, o progresso do evangelho. Pois foi assim que toda a guarda do palácio do Governador e todas as outras pessoas daqui ficaram sabendo que estou na cadeia porque sou servo de Cristo.” (Fp 1:12-13)

COMO BUSCAR?
A pregação do Evangelho precisa ser um trabalho completo e capaz de ao final dele, e pela sua eficácia, conduzir o pecador ao sentimento da necessidade da salvação (At 8.26-40). Paulo disse: “... Assim eu me torno tudo para todos a fim de poder, de qualquer maneira possível, salvar alguns.” (1Co 9:22). A expressão “qualquer maneira possível” é muito significativa, pois naquele tempo, não se conhecia os meios de comunicação de massa que temos hoje como o rádio, a televisão, o telefone, os jornais, as revistas, a internet e outros. Nem mesmo a imprensa do tipo móvel havia. Paulo, porém, tinha, talvez, algo que nos está faltando hoje, visão de aproveitar todos os meios para tentar salvar alguns. Paulo via cada pessoa neste mundo como um universo complexo, com seu lastro cultural, com suas crenças, com seus conceitos, com suas filosofias de vida e sobre tudo, com sua personalidade própria, por isso não se dava ao luxo de perder qualquer que fosse a oportunidade para falar da salvação a alguém, mesmo que para cada pessoa tivesse de usar uma estratégia diferente. O importante é não perder as oportunidades.

II. MÉTODOS EM PRÁTICA.
Vamos empregar o termo “princípios” no sentido de fundamentos, normas, preceitos. Em matéria de evangelismo, não obstante a possibilidade de vários métodos, estratégias e técnicas, no tempo e no espaço, existem algumas normas que são invariáveis e devem orientar toda a metodologia de evangelização. O conhecimento e a habilidade em lidar com este material dará ao evangelista condições de atuar com a devida flexibilidade e versatilidade, dependendo do contexto cultural a ser trabalhado.

a)     Capacitação. Para que possamos passar adiante a mensagem do evangelho, em termos de testemunho, temos o Espírito Santo (At 1.8). Mas para chegarmos a ser “enviados”, precisa de “preparação” (Mt 28.16-20). É importante buscar aprendizado sadio para o desenvolvimento de um bom testemunho. Conhecer métodos, técnicas e estratégias, é importante no processo da evangelização, mas o conhecimento bíblico de maneira alguma deve ser desprezado. Para tanto, devemos nos aplicar ao aprendizado, ao treinamento, ao estudo. Não devemos imaginar que os discípulos de Jesus andavam atrás dele apenas para fazer turismo pela Palestina. Eles trabalhavam duro o dia todo. Nosso primeiro passo neste projeto será exatamente a de nos munir com as ferramentas necessárias no aprendizado.

b)    Localização. A ordem é pregar em todo mundo. Deus sempre tem alguém, em algum lugar que devemos alcançar. Jesus sabia que “precisava” passar em Samaria: No caminho, ele tinha de passar pela região da Samaria.” (Jo 4:4). Felipe foi ao Etíope, “Filipe se aprontou e foi. No caminho ele viu um eunuco da Etiópia, que estava voltando para o seu país...” (At 8:27). Paulo foi para Trôade. “Então atravessaram a Mísia e chegaram à cidade de Trôade.” (At 16:8). Precisamos estar afinados com a vontade de Deus e com seus planos para descobrirmos onde estão as pessoas que precisam nos ouvir. De modo geral, temos de pregar a todos, em todo o tempo, mas, na prática, descobrimos que o Espírito Santo tem certos planos, para certas pessoas em certas comunidades. Assim, a atenção a todos os possíveis discípulos será sempre imprescindível neste projeto.

c)     A Mensagem. O evangelismo é a ação de comunicar o evangelho de Cristo, e a mensagem evangelizante precisa conter elementos essenciais do evangelho para que a pessoa possa ser levada a arrepender-se e crer. Assim, toda tentativa de abordagem deve conter os seguintes elementos:
·         A idéia de que a todas as pessoas são pecadoras.
·         A idéia das conseqüências do pecado no ser humano e sua condição eterna.
·         A providência de Deus para salvar o pecador, principalmente a do envio de Seu Filho amado.

Nosso projeto visará o pecador do inicio ao fim. Vamos pescá-lo e depois cuidar dele. Pregaremos a mensagem de salvação e depois de alcançado o objetivo, trabalharemos a integração e por fim a preparação de um novo pescador. Só então poderemos encerrar nossa tarefa com o discípulo.

QUATRO AMIGOS E TRÊS PROVAS DE AMIZADE

  Mc 2.4 E, não podendo aproximar-se de Jesus, por causa da multidão, removeram o telhado no ponto correspondente ao lugar onde Jesus se en...