terça-feira, 16 de abril de 2024

AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL SEGUNDA PARTE

 

Texto Básico: Dn 9.25,26,27 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; me o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações. E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador. 

 Introdução. Iniciamos na lição passada um novo contexto relacionado a história do povo hebreu. Depois de acompanharmos um longo período de história iniciando nas páginas no NT e chegando até nossos dias. Passamos agora para um momento da história onde encontramos o profeta Daniel como protagonista, já adiantado em idade e vivendo sob cativeiro Babilônia/Persa, depois de um longo período de cativeiro babilônico. Encontramos Daniel aqui em um momento de oração, depois de ter lido o livro do profeta Jeremias e não ter compreendido exatamente o que o profeta dizia relacionado ao período final do cativeiro que o seu povo estava vivendo. Segundo o que escreveu Jeremias, o período de tempo em que deveria durar o cativeiro era de 70 anos e para Daniel este período estava perto do fim. Jr 25.11 E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto, e estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos. Neste contexto de dúvidas, Daniel busca resposta na Pessoa de Deus, pois somente Deus poderia lhe fazer entender o que o profeta, por inspiração divina havia escrito em seu livro. Daniel nem terminou sua oração, e Deus envia a ele, ninguém menos que o anjo Gabriel, que em outra ocasião já lhe havia aparecido também com respostas de Deus. Dn 9.23 No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; toma, pois, bem sentido na palavra e entende a visão. Vimos na semana passada alguns ponto importantes que seria bom que fossem lembrados:  A profecia das Setenta Semanas trata especificamente de um “povo”, o povo de Daniel e de sua cidade, isto é Israel e Jerusalém. Todo período de tempo envolvido é precisamente indicado como “Setenta Semanas”, que como também vimos devem ser entendidas como semanas de anos, algo bem peculiar aos judeus. Estas setenta semanas são divididas em três períodos menores, um período de sete semanas, um período de sessenta e duas semanas e finalmente um período de uma semana. Hoje vamos continuar analisando esta tão importante profecia entregue a Daniel e aos poucos veremos a existência de fatos que ainda não aconteceram ou estão acontecendo em nossos dias. É bom também estarmos atento par o fato de que o livro de Daniel foi escrito para leitores judeus, enquanto o livro de Apocalipse foi escrito para nós a igreja. Assim quando Deus quis revelar o final dos tempos para os judeus, falou com Daniel, e quando a igreja, revelou a João na Ilha de Patmos o Apocalipse. Visto isso, prossigamos neste estudo tenhamos todos uma boa aula!

I. A DURAÇÃO DE TEMPO DAS SETENTA SEMANAS.

Dn.9:24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos santos.

Vimos na lição passada, que a profecia das Setenta Semanas tem um tempo determinado pelo próprio texto.Estas semanas, como também vimos, devem ser entendidas como semanas de anos, pois não faria nenhum sentido em uma semana de dias se cumprirem tudo o que está predito na profecia em apreço. Temos no texto uma palavra do hebraico  “shabua” cujo significado é um “sete”. Se lermos a profecia substituindo a frase “semanas” por “setes” talvez a evidência ficaria bastante clara para nosso entendimento, assim leríamos: “Setenta Setes estão determinados...” Contudo, o mais importante é sabermos que os judeus tinham tanto as semanas de anos quanto as semanas de dias.

Semana de anos Lv 25.8,9 Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos. Então, no mês sétimo, aos dez do mês, farás passar a trombeta do jubileu; no Dia da Expiação, fareis passar a trombeta por toda a vossa terra.

Semana de dias -Dn 10.2,3 Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas completas. Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas.

Assim fica óbvio quando se trata de semanas de dias, pois seria impensável que o profeta ficasse em jejum por vinte e um anos. Quanto a semana de anos temos ela bem especifica também no texto bíblico. Com este entendimento especificado, precisamos agora definir a duração destes anos proféticos e para tanto usaremos o livro de Gênesis e o livro de Apocalipse. Em Gênesis temos a narrativa do dilúvio, se observarmos com cuidado o texto perceberemos que o mês era bíblico era composto por 30 dias, assim, doze meses ou um ano teríamos 360 dias. Vejamos:

Inicio do dilúvio: Gn 7.11 No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês...

Termino do dilúvio: Gn 8.4 E a arca repousou, no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Ararate.

Total de tempo em dias: Gn 8.3 - E as águas tornaram de sobre a terra continuamente e, ao cabo de cento e cinquenta dias, as águas minguaram.

 Em outro caso, temos o profeta Daniel menciona no seu livro um período de perseguição aos judeus por um “príncipe vindouro”: Dn 7.25 E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um tempo. Apocalipse cita este mesmo tempo em que surgirá este regente político e sua perseguição aos santos em meses: Ap 11.2 - E deixa o átrio que está fora do templo e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses. No mesmo Apocalipse em 12.6 temos o período mencionado em dias: E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Se atentarmos para estes números percebemos que todos tratam de um período 3 anos e meio. Onde, em Daniel “tempo” significa um ano, “tempos” 2 anos e “metade de um tempo” 6 meses. Apocalipse nos da estes mesmos 3,5 anos em meses, isto é: 42 meses, e também em dia, ou seja: 1260 dias. A Conclusão é óbvia: O ano profético é composto de 360 dias, pois temos temos 70X7=490 anos

 II.QUANDO COMEÇARAM AS 70 SEMANAS.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 

Uma que definimos as setenta semanas em semanas de anos e entendido que cada um destes anos tem 360 dias, resta-nos agora identificarmos na história quando exatamente começou a contagem deste período. Neste ponto Daniel não nos deixa em dúvida pois na profecia ele aponta um fato específico para inicio das semanas. O texto fala da expedição de um decreto de reconstrução da cidade de Jerusalém. Tal decreto foi baixado no ano 445 a.C. por Artaxerxes Longímano, de acordo com as maiores autoridades no assunto. No livro de Neemias encontramos a ocasião desse decreto onde Neemias foi comissionado pelo rei para dar cumprimento a esse ato. Ne 2.4-6 E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus, E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique. Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo. De acordo com a profecia, no fim de 49 anos a cidade de Jerusalém estaria reconstruída (ano 397 a.C). Na verdade houve dois decretos ligados à reconstrução de Jerusalém. Um em 457 a.C, que aponta a reconstrução do templo e restauração do culto, a cargo de Esdras (Ed.7). O outro foi o da reconstrução dos muros e, portanto, da cidade, a cargo de Neemias. É deste que a profecia está tratando. Neemias  registra em seu livro a data exata deste decreto: Ne 2.1 - Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes.. A data de ascensão de Artexerxes, segundo a Enciclopédia Britânica foi no ano de 465 a. C. desta forma, o ano vigésimo e ano em que o decreto foi baixado seria o ano 445 aC. A partir daí, segundo o texto de Daniel, temos o começo da contagem das Setenta Semanas Proféticas. O mês foi nisã e como o dia não foi indicado, conforme costume judaico seria entendido como o primeiro dia. No nosso calendário a data seria: 14 de março de 445 a.C. (“As Setenta Semanas de Daniel, um Estudo Profético” do Dr Alva J. MªClain)

III. O SEGUNDO GRUPO DE SEMANAS - 62 SEMANAS OU 434 ANOS 

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações

Já temos o inicio das Setenta Semanas e agora precisamos  encontrar o tempo específico de cada grupo uma vez que como vimos as setenta semanas se dividem em três grupos de tempos. O texto fala em sete semanas, sessenta e duas semanas e por fim uma semana. O texto define: “...desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas...” Aqui faremos uso, mais uma vez do livro “As Setenta Semanas de Daniel, um Estudo Profético” do Dr Alva J. MªClain, onde na página 22 cita cálculos de Sir Robert Anderson, em seu livro “The Coming Prince” - O Principe Vindouro. Para encontrar o final das sessenta e nove semanas, diz Robert Anderson, temos que reduzi-las em dia. Desde que há 69 semanas de 7 anos e cada ano tem 360 dias, a equação que chegamos é: 69x7x360=173.880 dias. Começando com 14 de março de 445 a.C. chegamos em 6 de abril de 32 a.D. Seguindo este calculo, chegamos a um evento bíblico específico: Lc 19.35,36 E trouxeram-no a Jesus; e, lançando sobre o jumentinho as suas vestes, puseram Jesus em cima. E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. O dia em que Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém montado em um jumentinho se apresentando como príncipe e rei de Israel. Texto em cumprimento a Zc 9.9 Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta. O texto de Lucas pode parecer não ter grande importância, mas este evento marca o fim das 69 semanas, e o Senhor Jesus tinha plena noção da importância deste dia. Lc 19.42 dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isso está encoberto aos teus olhos.

Jesus aqui se refere a significância deste dia, o dia estabelecido por Deus, na profecia do profeta Daniel, o dia em que o Messias se manifestaria como o “príncipe”. O dia 173.880 da profecia das Setenta Semanas.

EPÍLOGO. Então temos até aqui que as 70 semanas inicia com um decreto de reconstrução da cidade de Jerusalém no ano 445 a.C. “...desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém...” A partir deste decreto inicia as primeiras sete semanas ou 49 anos. Em seguida o texto diz: “...até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas...” Agora, temos um acontecimentos importante citado, o surgimento do Messias, e consequentemente, o final  das 62 semanas ou dos 434 dias mencionados no texto. Assim temos: 7 semanas + 62 semanas = 69 semanas. Depois das 69 semanas o texto aponta outros dois acontecimentos, mas eles não fazem parte da semana 69, estes eventos estão localizados entre as semanas 69 e 70 semana, mas em um intervalo de tempo entre as duas.  São eles: o Messias é tirado: E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias...”  e a cidade de Jerusalém é destruída por um “príncipe que há de vir. “...e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá...”  Aqui temos a crucificação do Senhor Jesus e em seguida a cidade de Jerusalém sendo completamente destruída. Os 434 anos vão de 397 a.C, até os dias da morte de Jesus Cristo. Logo depois ocorreu a destruição de Jerusalém pelos Romanos, em 70 d.C. e conforme o versículo acima, após a morte de Jesus seguiu-se um período até a destruição de Jerusalém. Assim, de acordo com a profecia lida, o Messias morreria antes da destruição da cidade, o que de fato ocorreu conforme estudamos em aulas anteriores. Em resumo podemos dizer que com o aparecimento do Messias findaram as 69 semanas, ou seja 483 anos, dia em que Jesus entrou em Jerusalém em um jumentinho. Em seguida segue-se um  intervalo de tempo de 38 anos entre a crucificação e a destruição de Jerusalém. Daniel vê precisamente os sofrimentos  do Senhor Jesus depois da sexagésima nona semana mas antes da setuagésima e confessa: Dn 12. 8 - Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso, eu disse: Senhor meu, qual será o fim dessas coisas? Em referência a semana 70 a resposta a Daniel é a seguinte: Dn 12. 9 - E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Aqui, fica óbvio que o tempo de cumprimento das profecias estava longe da época de Daniel. Diferente de João no Apocalipse que ao final da revelação, recebe uma orientação bem diferente. Ap 22.10 E disse-me: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque próximo está o tempo. Após a “retirada do Messias”, a profecia fala sobre a incidência de guerras até o fim. Mas isto será assunto na próxima lição...

 

 

quarta-feira, 10 de abril de 2024

AS 70 SEMANAS DE DANIEL

 AS 70 SEMANAS DE DANIEL  (primeira parte)

Texto Básico: Daniel 9.24-27 Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos. E depois de sessenta e duas semanas será cortado o ungido, e nada lhe subsistirá; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações. E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador.

INTRODUÇÃO: Israel e Palestina, este tem sido o foco de nossas últimas lições. Vimos que desde 1947/48 muitos conflitos e tentativas de acordos entre árabes e judeus aconteceram mais o resultado sempre foi o de mais conflitos e mais desentendimentos entre esses dois povos. Israel sempre foi, para nós cristãos, um sinal iminente da volta do Senhor Jesus, o problema é que estamos falando de um conflito que como vimos atravessa gerações, começou bem antes de 1948. Na verdade é um conflito que remonta a tempos bíblicos do Antigo Testamento, e mesmo se olharmos apenas para os conflitos mais recentes, perceberemos que ainda assim estamos falando de um tempo extenso de guerras que parece que nunca terá fim. Contudo, é certo que profecias bíblicas relacionadas aos judeus apontam para um tempo que ainda aguardam o seu cumprimento e dessa forma é correto que aguardemos confiantes no cumprimento destas profecias bíblicas em que Israel é apontado como foco principal, mas com grandes desdobramentos escatológicos relacionado a igreja. Dn 10.14 Agora, vim para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque a visão é ainda para muitos dias. 

Hoje passaremos a olhar para este povo, não apenas no contexto histórico como fizemos até aqui. Nossa abordagem agora visa destacar uma visão mais bíblica na tentativa de posicionarmos diante das profecias e fatos escatológicos que aconteceram, estão acontecendo e de fatos que ainda vão acontecer. As Setenta Semanas de Daniel é uma destas grandes profecias extremamente importante que revela o futuro da nação de Israel, Incluindo em seu contexto de revelações o período final da Igreja aqui na Terra. Na verdade, se não entendermos a profecia das SETENTA SEMANAS, corremos o risco de não entendermos o Sermão profético descrito em Mateus 24, e pior, não compreendermos corretamente o livro de Apocalipse. As Setenta Semanas é uma profecia relacionada ao povo judeu, mas abrange fatos que dizem respeito a igreja. Em resumo: Daniel escreveu seu livro para os leitores judeus enquanto João, escreveu para nós, a Igreja. Ninguém além de Deus, poderia fazer tal apresentação pois somente Ele tem todo o conhecimento e controle no que diz respeito ao passado, ao presente e ao futuro das nações em geral. Muitos fatos preditivo da profecia, já se cumpriram e assim o estudo desta profecia torna-se ainda mais edificante e até mais empolgante se considerarmos que estamos agora vivendo no "TEMPO DO FIM" de que falou o profeta Daniel. Dn 12.4 E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará. Este será o caminho que tentaremos percorrer a partir de hoje na Escola Bíblica Dinâmica, tenhamos todos um bom estudo, e continuemos a orar perseverantemente pela nação de Israel. Bom Estudo!

I. O CENÁRIO HISTÓRICO. 

Dn.9:1,2 No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. 

 Tudo bem, temos aqui mas um inicio com contexto histórico na nossa lição. Mas não podia ser diferente, Daniel agora é o protagonista dessa história é ele quem vai nos conduzir para um entendimento escatológico.   Daniel não deixa dúvidas quanto ao tempo em que tais revelações acontecem. O quadro ainda é de cativeiro, agora sob domínio persa. Este Dário citado por Daniel era conhecido por "Dário o Médo". Foi ele quem sucedeu no governo da Babilônia, ao rei Belsazar. Dn.5:31 E Dario, o medo, se apoderou do reino, quando tinha mais ou menos sessenta e dois anos de idade. Neste tempo Dário havia escolhido Daniel para ser um dos três presidentes colocados a frente dos 120 Sátrapas, uma espécie de chefe da administração de determinada província, que estava rodeado por uma corte de caráter não real. Ele atuavam coletando impostos, controlando os representantes locais do governo, os clãs e as cidades sob tutela. Eram juiz supremo da província, diante do qual todo caso civil e criminoso podia ser levado. Foi também Dário que, depois do fascinante livramento de Daniel da cova dos leões, publicou um decreto exigindo reverência ao Deus de Daniel em todos os seus domínios. Neste tempo, Daniel entendeu que estava chegando o final dos Setenta anos de Cativeiro do povo judeu. V.2 eu, Daniel, entendi pelos livros... Daniel menciona ter lido alguns “livros” dentro os quais ele menciona "as profecias de Jeremias".

Jr.25:11-12 E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto, e estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos. Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei da Babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniquidade, e a da terra dos caldeus; farei deles um deserto perpétuo. 

Jr.29:10 Porque assim diz o SENHOR: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar. 

O texto de Jeremias menciona um rei, que pelo contexto dos fatos, Daniel entende ser o rei Belsazar, rei da Babilônia que segundo o mesmo texto já fora castigado, fatos que se cumpriram neste tempo de Daniel e que o levou a conclusão que já estava no tempo para terminarem as "Assolações de Jerusalém ", sua cidade amada que ainda continuava destruída. 

1. A ORAÇÃO DE DANIEL (DN 9.1-9) 

V.3. Eu, pois, dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinzas. Daniel, pelo que comprova o texto, foi um homem de oração Jejum e integridade em sua fé no Deus de Israel, mesmo vivendo e trabalhando no palácio não se corrompeu. Uma coisa que chama nossa atenção na oração de Daniel é o fato dele confessar os pecados da sua nação como se fossem os seus, e com isso identificando-se com o seu povo. Em sua oração Daniel não esconde o fato de reconhecer que todo o mal pelo qual passaram e ainda lhes estava reservado não tinha outra razão se não a rebeldia do seu próprio povo Dn 9.5 pecamos, e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; 

2. A RESPOSTA A ORAÇÃO (Dn.9:20-23) 

Dn 9:21 estando eu, digo, ainda falando na oração, do varão Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente e tocou-me à hora do sacrifício da tarde. Daniel não chega a concluir a sua oração, pois a resposta divina vem antes mesmo que ele a termine. Como resposta Deus mobiliza um dos anjos mais proeminentes para lhe trazer a resposta, o anjo Gabriel. Dn.9:21,22,23 Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde. Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão. Gabriel aparece pela primeira vez na Bíblia quando ele foi interpretar a visão do mesmo Daniel sobre um carneiro e um bode. Gabriel apareceu a Daniel na forma de um homem e lhe explicou que a visão era sobre os tempos do fim (Dn 8:15-17). Os animais representavam reinos e seus futuros. Agora, Gabriel aparece outra vez a Daniel, depois que ele orou a Deus pedindo perdão pelos pecados de seu povo. Gabriel disse que Daniel era muito amado e que havia uma resposta para sua oração.

II. AS SETENTA SEMANAS. 

Dn.9:24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Daniel, pela leitura do Livro do profeta Jeremias, entende que os 70 anos mencionados pelo profeta havia chegado a fim, contudo ainda não era possível ver qualquer ocorrência relacionada ao repatriamento dos judeus.

Dn.9.2 No ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos

Jr 29.10 - Porque assim diz o SENHOR: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar.

1. A RAZÃO DO CATIVEIRO.

LV 25.3,4 Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás a sua novidade. Porém, ao sétimo ano, haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O cativeiro tratava-se da disciplina imposta sobre o povo de Israel por quebra deliberadamente os preceitos divinos. O cativeiro de Judá foi, em grande parte, fruto da desobediência dos Judeus quanto às palavras do Senhor, acima. Na passagem de Levítico Deus determinou a observância de uma ano Sabático, ou um ano de Descanso a terra. Isso devia ser observado cada 7 anos. Ora, durante os quase 500 anos que vão da monarquia de Israel ao seu cativeiro, eles não cumpriram o preceito do Senhor, e o resultado foi o próprio Deus fazendo a terra repousar, mantendo seus maus "Inquilinos" fora por 70 anos. 70 anos é o total de anos Sabáticos ocorridos no espaço de 490 anos. 2Cr.36.20,21 E os que escaparam da espada levou para a Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. 

2. SEMANAS DE ANOS E SEMANAS DE DIAS

Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade... As Setenta Semanas da profecia em Dn.9:24-27 devem ser entendidas como Semanas de anos; não em semanas de dias como temos em nosso calendário. Para nós isto pode parecer estranho, mas para os judeus isto era muito comum. Segundo os estudiosos, o texto na  língua original  não diz "SEMANA", a palavra no hebraico é “Shabua” e significa "SETES ". Desta forma o texto deveria ser lido: Setenta Setes estão determinados... Quando se trata de semana de dias, é acrescentado, em hebraico, a palavra para dias: "YAMIN ". Dn 10 .2,3 - Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas completas. Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas. Mesmo não tendo acesso ou conhecimento das línguas originais, pela descrição do texto também é possível notar a diferença entre ambos os casos.

Lv 25. 8 Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos. 

Nm 14.34 Segundo o número dos dias em que espiastes esta terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e conhecereis o meu afastamento. Assim fica claro o texto profético. “Setenta Setes” ou Setenta Semanas “de anos” dando um total de 490 anos.

Seis eventos preditos, a respeito de Israel, em Dn.9:24 ainda não se cumpriram. Em Dn.9:27, por ocasião da última das Setenta Semanas, a Bíblia diz: "E ele fará firme aliança com muitos por uma Semana"  É algo impensável um pacto entre nações por uma Semana de dias, quando somente o protocolo e as celebrações muitas vezes tomam mais de uma Semana. A autenticidade desta profecia Dn.9.24-27 foi atestada por Jesus, em Mt.24.15, onde Ele mostra que a última das Setenta Semanas é ainda futura, uma vez que o fato ali citado por Jesus ainda não ocorreu depois que Ele proferiu aquelas palavras. A leitura acima mostra que as Semanas estão divididas em 3 três grupos. Sendo Semanas de anos, totalizam 490 anos. 7 semanas, 62 semanas e 1 semana. Vamos comparar dois textos de Apocalipse para identificarmos biblicamente a duração dos anos proféticos.

Ap 12.6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Ap 13.5 - E foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses.

Comparando os textos acima, vemos que o ano Bíblico ou profético é de 360 dias, pois 1.260 dias dá 42 meses de 30 dias. O calendário religioso de Israel era lunar. A lua nova marcava o início dos meses, sendo essa uma ocasião festiva. Esse ano era de 354 dias, mas nos fatos gerais e nas profecias era arredondado para 360 dias. O calendário solar é posterior, e é relacionado comas estações do ano. 

 

 

 

quarta-feira, 3 de abril de 2024

ISRAEL X PALESTINA CONFLITOS RECENTES.

 

Texto Básico:‭‭Josué‬ ‭23:1‭-‬10‬ ‭NAA‬‬

1 Muito tempo havia se passado desde que o Senhor tinha dado a Israel repouso de todos os seus inimigos ao redor. Josué agora já era bem idoso.  2 Ele chamou todo o Israel, os seus anciãos, os seus chefes, os seus juízes e os seus oficiais e lhes disse: — Já estou bem velho,  3 e vocês já viram tudo o que o Senhor, seu Deus, fez com todas essas nações por causa de vocês, porque o Senhor, seu Deus, é o que lutou por vocês.  4 Vejam bem: por sorteio eu reparti entre as tribos de vocês estas nações que restam, juntamente com todas as nações que tenho eliminado, desde o Jordão até o mar Grande, na direção do pôr do sol.  5 O Senhor, seu Deus, as afastará e as expulsará da presença de vocês; e vocês tomarão posse das terras dessas nações, como o Senhor, seu Deus, prometeu.  6 Portanto, esforcem-se muito para guardar e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés, para que dela não se afastem, nem para a direita nem para a esquerda,  7 e para que não se misturem com essas nações que restaram entre vocês. Não façam menção dos nomes de seus deuses, nem jurem por eles. Não sirvam, nem adorem esses deuses. 8 Pelo contrário, apeguem-se ao Senhor, seu Deus, como vocês têm feito até o dia de hoje.  9 Porque o Senhor expulsou de diante de vocês grandes e fortes nações; e, até o dia de hoje, ninguém conseguiu resistir a vocês. 10 Um só de vocês perseguirá mil, pois o Senhor, seu Deus, é quem luta por vocês, como ele prometeu.


INTRODUÇÃO: Um povo e uma longa história cuja origem remonta desde Abraão, patriarca fundador, destacando-se eventos como o Êxodo do Egito e a formação dos reinos de Israel e Judá, passa por toda a  idade média  e chega finalmente aos dias atuais com uma narrativa de desafios, conquistas, diásporas e muito sofrimento do povo judeu. Este vem sendo o foco das lições ministradas em nossa Escola Bíblica Dinâmica. Um povo que ao longo dos séculos, teve de enfrentar discriminação, expulsões e perseguições em várias partes do mundo. Desde a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. e a subsequente dispersão dos judeus, passando pela Idade Média, e chegando aos séculos XX e XXI onde foram segregados em guetos e sofreram as atrocidades do holocausto. Finalmente, na lição passada chegamos ao ano de 1948, ano em que aconteceu a criação do Estado de Israel, um marco significativo na história moderna dos judeus. Fato que proporcionou aos judeus um lar nacional, mas também gerou tensões e conflitos na região do Oriente Médio. Continuamos nesta aula com nossa narrativa, agora bem próximo dos tempos atuais em que estamos vivendo. Nós da Escola Bíblica Dinâmica esperamos que estas lições possam nos ajudar a termos uma visão mais plena das profecias bíblicas e entender nossa responsabilidade em estar orando para que o Senhor Deus possa intervir e dar um final a este confronto que parece interminável. Por isso, não nos esqueçamos de orar pela paz em Israel… Tenham todos um bom estudo!


I. SURGE O HAMAS

Estamos agora no ano de 1987, ano em que chega ao auge uma revolta espontânea promovida pela população árabe palestina contra o Estado de Israel, chamada Primeira Intifada. O povo árabe atacou com paus e pedras os tanques e armamentos de guerra judeus, a reação de Israel foi dura em extremo o que gerou um dos maiores massacres do conflito. Este fato desencadeou uma profunda revolta da comunidade internacional em virtude do peso desproporcional do uso da força nas áreas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Neste mesmo ano, 1987, surge o Hamas, um grupo radical que visava à destruição completa do Estado de Israel, ao contrário da OLP, que objetivava apenas a criação da Palestina. O Hamas surge no interior da Irmandade Muçulmana e torna-se um dos grupos de resistência mais influentes da Palestina atualmente. O objetivo principal do Hamas é recuperar as terras dominadas por Israel e, por não reconhecer o Estado de Israel do Oriente Médio, eliminá-los completamente. Por outro lado, as autoridades israelenses consideram o Hamas como um grupo terrorista e os acusam de usar a população palestina, e até crianças, como escudos humanos durante ataques.


1. O QUE CADA UM ACUSA O OUTRO.

As razões dos conflitos são intermináveis com motivos incentivadores segundo ambos os lados. Para o Hamas e seus apoiadores, Israel expulsou seus antepassados de sua terra e os trata com violência, restringiu ao palestino o acesso a suprimentos básicos e essenciais, promovendo ataques contra áreas de civis palestinas. O Hamas os acusa ainda por terem construído um muro ao redor de seus territórios como uma espécie de apartheíde (segregação) moderno. Quanto aos Israelenses, eles também parecem terem seus motivos. Eles acusam o Hamas de ser uma gangue terrorista e criminosa que subjuga a população judia, impondo um regime tirânico. Escondem armamentos em hospitais e escolas, e instalam lança-mísseis em prédios residenciais civis. Israel os acusa ainda de usarem a população palestina como escudo,  além de desviar recursos da população para financiar seus ataques. Enviar carros e homens bombas para promover atentados. e transformar o território da Faixa de Gaza, que deveria ser um espaço para o povo, em base terrorista. Mesmo não defendendo o Hamas, a maior parte da população palestina é contra o Estado de Israel:

  • 71% da população prefere que a Palestina continue pressionando para obter todo o território de Israel.

  • 29% aceitam a solução que divide o território em dois estados.

(washington institute for Near East Policy - Jun 2014)


2. DEFESA DE ISRAEL.

para lutar contra Israel, o Hamas já disparou milhares de mísseis contra o estado judeu, que conta com um avançado sistema antimíssil chamado “Domo de Ferro” um sistema antiaéreo criado pelas empresas israelenses Rafael Advanced Defense Systems e Israel Aerospace Industries, com apoio técnico e financeiro dos Estados Unidos. O Domo de Ferro foi criado em 2011 com o objetivo de derrubar foguetes e mísseis de curto alcance disparados de Gaza. Conta com um sistema de radar capaz de prever se o foguete tem uma trajetória com risco de atingir uma área povoada ou alvos de infraestrutura. Os interceptadores são disparados de unidades móveis ou estáticas e são desenhados para explodir os foguetes no ar.


II. ACORDOS DE OSLO.

Os conflitos mais recentes no Oriente Médio são resultado de fracassos em acordos entre palestinos e israelenses. Entre as tentativas para se construir a paz, destacamos os “acordos de Oslo”, que completam 31 anos agora em 2024. Para entendermos a guerra nos tempos atuais, vamos analisar essa tentativa frustrada de se construir a paz na região. Em meados da década de 1990, a situação parecia caminhar para um fim, Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, realizam os Acordos de Oslo, mediados pelo então presidente dos EUA, na época, Bill Clinton. Com esse acordo, foi criada a Autoridade Nacional Palestina, responsável por todo o território da Palestina, envolvendo partes da Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Pela primeira vez, os palestinos reconheceram o Estado de Israel e, em troca, Israel reconheceu a OLP como o legítimo representante do povo palestino. Ficou acordado que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada seriam desfeitos e que o território seria parcialmente entregue à Autoridade Nacional da Palestina (ANP), que foi criada após a assinatura dos acordos. Por outro lado, não entraram no acordo demandas históricas dos palestinos, como o retorno dos refugiados expulsos das suas terras após a criação de Israel, a definição do status da cidade de Jerusalém e a libertação dos prisioneiros palestinos em cárceres de Israel. No entanto, em 1995, Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu, e a extrema-direita ganhou força dentro de Israel. Dessa forma, os judeus não cederam mais para a desocupação das áreas onde ainda resistia a população palestina. Por isso, os termos de paz dos Acordos de Oslo resultaram em fracasso. 


III. MAIS ACORDOS E MAIS CONFLITOS .

No lugar de Yitzhak Rabin, quem ganhou as eleições, em 1996, foi Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro de Israel. A partir daí os acordos de paz foram praticamente enterrados. 


1. A SEGUNDA INTIFADA 

Em 2000, quando Netanyahu já não estava mais no poder, o primeiro-ministro Isrelense Ehud Barack, tentou negociar com o líder da OLP, Yasser Arafat, um novo acordo. A oferta passava pela solução da divisão do território em dois estados: Os palestinos deveriam receber o território da Faixa de Gaza e 94% da Cisjordânia com Jerusalém do Oeste como capital. Como resposta a OLP lançou bombas que mataram mais de 1.000 cidadãos civis de Israel. As ofensivas ficaram conhecidas como a Segunda Intifada. Israel respondeu duramente, além de demolir casas de palestinos e iniciar a construção do Muro da Cisjordânia ou Muro de Israel. Em 2002. Milhares de mortes aconteceram em ambos os lados da guerra, que se estendeu até 2004. 


2. DESOCUPAÇÕES ISRAELITAS.

Finalmente com a morte do líder do Hamas, Yasser Arafat, novos acordos de paz foram feitos, e, assim, teve início a desocupação por parte de Israel da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, ações que resultaram no recebimento do Prêmio Nobel pelo primeiro-ministro israelense Ariel Sharon. Em 2005, mesmo tendo recebido diversos “não” em tentativas de negociação, Israel saiu pacificamente de Gaza e a entregou aos palestinos que, ao invés de desenvolverem a região, o Hamas tornou o local em um centro de suas operações militares. Em 2006, a vitória do Hamas sobre o Fatah nas eleições da Autoridade Nacional Palestina elevou novamente a tensão na região, o que se intensificou com o não reconhecimento do pleito por parte dos EUA, União Europeia e outros países. Autoridades palestinas lançaram contra Israel carros bombas e mísseis balísticos, e a resposta foi imediata e um novo confronto tomou conta dos países vizinhos. Além da resposta militar, Israel declarou embargos econômicos contra Gaza. 


3. NETANYAHU VOLTA AO PODER

Netanyahu voltou ao poder em 2009 e não houve mais qualquer tipo de negociação. O governo dele e seus aliados são contra qualquer negociação. Eles enfraqueceram politicamente o Fatah, partido que controla a Cisjordânia, impossibilitando qualquer tipo de acordo.


III. QUESTÃO ISRAEL PALESTINA EM NOSSOS DIAS.

O conflito entre palestinos e israelenses, como vimos até aqui, já acontece por décadas e tem como questão central dois povos buscarem governar o mesmo local, a Palestina. Entretanto, nos últimos anos, muitas críticas a Israel vêm ocorrendo pela forma como essa situação tem sido conduzida, sobretudo pela violência desproporcional utilizada contra as populações palestinas. O Estado de Israel defende-se argumentando que sua ação se dá apenas como forma de garantir a segurança de sua própria população e combater ações terroristas, como as que são atribuídas ao Hamas, a organização que comanda a Palestina desde 2006 e que, como vimos, é vista como terrorista por Israel. Entretanto, as ações desproporcionais que muitos criticam não são apenas militares, as quais, em sua maioria, resultam na morte de civis inocentes sem ligação alguma com grupos como Fatah e Hamas. Os atentados terroristas, sobretudo com carros-bombas, prosseguiram sobre Israel, que buscava várias tentativas de eliminar o Hamas, incluindo a adoção de embargos econômicos sobre Gaza, o que afetava também a população civil. Em 2008, um acordo de cessar-fogo foi realizado entre o Hamas e Israel por mediação do Egito. No entanto, seis meses depois, o acordo não foi renovado, pois os judeus recusaram-se a findar o bloqueio econômico então adotado. Em 2014, novas ofensivas aconteceram e a Palestina tem seu suprimento de gás, água potável e energia elétrica cortado, além de frequentes bombardeios que vitimam inocentes e destroem escolas e hospitais. Muitos criticam o fato de Israel, ainda hoje, não permitir o retorno dos descendentes dos refugiados que abandonaram a região depois da guerra travada em 1948. Por fim, os assentamentos israelenses na Cisjordânia e as expulsões de moradores palestinos de suas casas para a construção desses assentamentos têm sido alvo de críticas recentes. O que se percebe nesse conflito é que a sua resolução está longe de chegar, pois, mesmo com acordos momentâneos de paz, basta uma pequena faísca para reacender novamente as batalhas, elevando novamente o número de mortos. Ao mesmo tempo, vem sendo difícil a criação do Estado palestino, pois as disputas territoriais ainda são intensas, embora tal Estado seja internacionalmente reconhecido por vários países. 


1. A GUERRA HOJE.

Os anos de 2022 e de 2023 vem sendo anos recordistas de letalidade para os palestinos e com os com maiores números de construções de novas colônias judias. Só em 2022, mais de 12 mil casas foram construídas pelo governo israelenses no território palestino. Os principais responsáveis, do lado da população palestina, tem a ver com seus próprios representantes que não foram capazes de mudar a realidade deles. O Hamas, diferentemente do Fatah, da OLP e da Autoridade Nacional Palestina não reconhece Israel e não se dispõe a negociar com Israel. Então, dificilmente vai haver um acordo de paz se depender do Hamas. Obviamente, do lado israelense tem a influência negativa do governo de Benjamin Netanyahu que acabou minando qualquer tipo de negociação. No dia 07 de outubro de 2023, o Hamas bombardeou e invadiu Israel. Mais de 100 Israelitas foram sequestrados e levados para a Palestina. Israel respondeu aos ataques com bombardeios que mataram mais de 300 pessoas. A invasão terrorista do Hamas foi o maior avanço bélico na guerra entre Israel e Palestina. Centenas de terroristas assassinaram e dominaram casas de famílias israelenses. Um dia depois do ataque, o governo israelense emitiu uma declaração oficial de guerra contra o Hamas. Segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu: “Será uma guerra longa e difícil. A primeira etapa termina agora com a destruição da grande maioria das forças inimigas que se infiltraram no nosso território”


EPÍLOGO. "Governo de Jerusalém”

Jerusalém é atualmente a cidade de Israel e sede do governo, fato não reconhecido pelas Nações Unidas e União Europeia. A cidade é disputada e reivindicada por israelenses e palestinos como sua respectiva capital, o que gera grandes tensões. Um evento marcante na história das disputas entre árabes e judeus, como vimos, foi a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com a justificativa de que estava se antecipando a um inevitável ataque dos vizinhos árabes, Israel iniciou um conflito surpresa e derrotou Egito, Jordânia e Síria. Com essa vitória, Israel anexou vários territórios – entre eles a Faixa de Gaza, ocupada por palestinos, e as Colinas de Golã, que pertenciam à Síria. Foi nessa guerra também que os judeus assumiram o controle da cidade de Jerusalém inteira. Israel é uma democracia parlamentar e o presidente, até 2021 foi Reuven Rivlin, é o chefe de Estado, mas suas funções são em grande parte simbólicas. Um membro do Parlamento apoiado pela maioria dos parlamentares torna-se o primeiro-ministro, normalmente o presidente do maior partido. O primeiro-ministro, cargo exercido atualmente por Benjamin Netanyahu, é o chefe de governo e chefe do gabinete. Israel é governado por um parlamento composto por 120 membros, conhecido como Knesset. A composição do Knesset é baseada na representação proporcional dos partidos políticos, há parlamentares eleitos pelas minorias, incluindo árabe-israelenses. As eleições acontecem a cada 4 anos, o voto é facultativo e permitido a todos os cidadãos maiores de 18 anos. O presidente atual chama-se Isaac Herzog.



Bibliografia:

|1| |2| OMER, Mohammed. Shell-Shocked: on the ground under Israel’s Gaza assault. Chicago: Haymart Books, 2015.

(agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-10/entenda-o-que-e-sionismo-movimento-que-da-origem-ao-estado-de-israel)

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/aftermath-of-the-holocaust-abridged-article

https://juruaonline.com.br/entenda-o-conflito-entre-israel-e-palestina-um-dos-mais-longos-da-historia-da-humanidade/5/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-11/entenda-os-acordos-de-oslo-tentativa-de-paz-entre-israel-e-palestina



QUATRO AMIGOS E TRÊS PROVAS DE AMIZADE

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